Artigo de opinião – Alexandre Amaral – Um passo atrás na geração mais qualificada de sempre
O aumento das propinas agrava o peso no orçamento das famílias e torna o acesso ao ensino superior cada vez mais num privilégio para poucos. No entanto, não é apenas o aumento das propinas que causa este estrangulamento económico. Ainda que a subida possa parecer uma percentagem ou quantia baixa de forma isolada, ela surge na pior altura possível.
Com as rendas a baterem recordes históricos e o cabaz alimentar a atingir os preços mais altos dos últimos anos, este aumento pode ser a gota de água e o fator crucial para o abandono escolar.
Atualmente, a fase menos difícil é mesmo conseguir entrar no ensino superior; a principal dificuldade prende-se com a permanência face ao custo de vida atual. No orçamento dos estudantes, a propina pode, para já, ser a despesa menos pesada, mas tem de ser conjugada com todos os outros custos, como a renda, a alimentação e as deslocações. Juntar a tudo isto o aumento no valor da propina é, para muitos, um peso incomportável que torna a concretização dos seus objetivos de vida totalmente insustentável.
Para o interior, este cenário é ainda mais preocupante. Como os nossos jovens são, na sua grande maioria, estudantes deslocados, se o fator financeiro os impedir de se qualificarem, estaremos a condenar o futuro e o desenvolvimento da nossa própria região.
Num momento em que o Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) prevê cortes nas verbas do Ensino Superior, Ciência e Inovação, é urgente lembrar que a educação precisa do oposto. As famílias não podem continuar a financiar a sustentabilidade de um direito que deveria ser de todos.
Neste momento, a prioridade do Estado deveria passar por garantir uma Ação Social escolar robusta e por reforçar, de forma urgente, o número de camas em residências universitárias.
Quando os jovens não têm capacidade de acesso ao ensino superior, não perdem apenas um diploma, perdem um direito e falha a igualdade de oportunidades. É um passo atrás para aquela que é a geração mais qualificada de sempre.
Alexandre Amaral





