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Artigo de Opinião de Ana Carolina Marques- Brincar na Terapia da Fala – Vamos desmistificar o conceito do “brincar”

Quando questionamos as crianças sobre o que mais gostam de fazer, a resposta típica é: brincar. Brincar é descrito como o entrar num estado de faz de conta e por isso criar, imaginar e interagir com o outro. As crianças brincam para descobrir o mundo à sua volta e as próprias pessoas e acabam por se expressar e ampliar conhecimentos através desta ação.

É o dito “brincar” que é classificado como uma das tarefas infantis com maior responsabilidade no desenvolvimento cognitivo, emocional, social e motor. A criança desenvolve a atenção, memória, imitação e explora a realidade em que está inserida.

 O brincar estimula a curiosidade e promove o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da imaginação e por esta razão constitui uma ferramenta indispensável no crescimento das crianças. Através do brincar a criança desenvolve pré-requisitos para o desenvolvimento da linguagem, como o ouvir, observar, imitar, compreender símbolos e respeitar os turnos das conversas.

 Segundo especialistas, a linguagem desenvolve-se mais facilmente quando a sua aquisição é realizada de forma lúdica (ex: nomear objetos, compreender conceitos opostos, construir frases simples…).

 Brincar nas sessões de terapia é muito diferente do brincar tradicional. A grande diferença foca-se na intencionalidade e por isso quando se diz que na terapia só se brinca e por essa razão as crianças gostam das sessões não é assim tão linear. Brincar na terapia é uma ação pensada ao pormenor. O contexto de brincadeira entre o Terapeuta e a criança é bastante vantajoso porque permite desenvolver novo vocabulário, desenvolver competências sociais e comunicativas, aprender a articular fonemas (sons) com alterações ou até a contar/inventar histórias.

  Os jogos realizados nas sessões respeitam os objetivos delineados para cada criança, de acordo com as suas necessidades. Concomitantemente, o Terapeuta consegue obter da criança toda a motivação e envolvimento necessários ao desenvolvimento das competências mais fracas que, sem a componente lúdica, seria certamente mais difícil.

  Um sessão com uma criança com autismo, onde por exemplo se recorre a cócegas (por ser algo que ela gosta), pode usar essa estratégia em brincadeira e a finalidade ser trabalhar o contacto ocular. Se por exemplo estivermos perante uma criança com dificuldades na articulação, podemos fazer colagens ou puzzles com o intuito de intervir nos fonemas alvo e simultaneamente promover o aumento do tempo de atenção, o planeamento motor e até a motricidade fina. Se recorremos ao jogo simbólico (simular uma ida às compras, jogar às casinhas…), podemos estar a potenciar o desenvolvimento da linguagem numa criança que apresente um atraso no desenvolvimento a este nível.

  Quem assiste às sessões pode realmente pensar que só estamos a brincar com a criança, pois na verdade parece. Mas não está a acontecer apenas e somente isso! O recurso a jogos, brinquedos e todo o material lúdico que se possa imaginar tem como estratégia trabalhar determinadas dificuldades na criança sem que ela desmotive.

 

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

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