×

Artigo de opinião de Sara Morais

Artigo de opinião de Sara Morais

Hipnose e sofrimento emocional: uma porta para o equilíbrio

O sofrimento emocional faz parte da experiência humana, mas quando se prolonga pode afetar profundamente a forma como uma pessoa pensa, sente e se relaciona com o mundo. Ansiedade, medo, tristeza, insegurança, stress ou experiências difíceis podem deixar marcas que nem sempre são fáceis de ultrapassar.

É neste contexto que a hipnose clínica pode assumir um papel terapêutico complementar. Longe da imagem popular de alguém que perde o controlo ou fica inconsciente, a hipnose é um estado de atenção concentrada e de maior recetividade a determinadas sugestões. Durante uma sessão, o objetivo é criar um espaço de segurança e concentração que permita trabalhar emoções, pensamentos e perceções.

A intervenção pode ajudar a pessoa a observar determinados padrões emocionais com maior distanciamento, desenvolver estratégias de relaxamento e reforçar recursos internos. Através da imaginação guiada e de sugestões terapêuticas, podem ser trabalhados sentimentos como medo, tensão, culpa ou insegurança, procurando favorecer uma resposta emocional mais equilibrada.

Um dos aspetos importantes da hipnose é a possibilidade de ajudar a pessoa a perceber que uma emoção intensa não precisa de controlar completamente o seu comportamento. Aprender a reconhecer o que sente, respirar, diminuir a tensão e criar novas formas de responder às situações pode constituir um passo importante no processo de mudança.

A hipnose pode, quando devidamente indicada, integrar um acompanhamento mais amplo, mas não substitui os cuidados médicos necessários.
Mais do que apagar emoções, a intervenção terapêutica procura ajudar a pessoa a relacionar-se de outra forma com aquilo que sente. Recuperar tranquilidade, confiança e esperança pode ser um processo gradual. E, nesse caminho, a hipnose clínica pode constituir uma ferramenta para ajudar algumas pessoas a reencontrarem recursos que já existiam dentro delas, mas que o sofrimento tinha tornado mais difíceis de alcançar.

Sara Morais
Hipnoterapeuta