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Artigo de Sandra Correia- Liberdade

Artigo de Sandra Correia- Liberdade

sandra Artigo de Sandra Correia- LiberdadeNa ponta dos dedos, teclo um texto de opinião que, há 49 anos, não me teria sido permitido fazê-lo. A democracia devolveu ao povo a liberdade de expressão, a liberdade de pensar sem medo e de dizê-lo, a liberdade de julgar, de opinar. Com a evolução das tecnologias, podemos despejar no ecrã, num instante, as nossas farpas e publicá-las. Com o Facebook, diz-se o que se quer, por vezes, sem ter pensado se faz sentido ou se atenta contra alguém. A liberdade de expressão é um dado adquirido, em 2023, em Portugal. Sim, em Portugal, porque, infelizmente, em muitos países do mundo, nem sequer existe. E, se pensarmos, na total ausência de liberdades da mulher, a de expressão, anula-a por completo, nas sociedades em que vive. Tenho a sorte de ser portuguesa e de poder dizer o que quero, escrever o que penso, ter opinião. Sou uma privilegiada. Somos uns privilegiados. Posso escrever, estudar, viver e agir livremente. Se as minhas ações não atentarem contra ninguém, nem magoarem ninguém, não terei qualquer consequência. Escrevo sobre o que me apetece.

A frase “A minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro” tem sido repetida ultimamente, ora, na minha opinião, esta frase encerra uma oposição: em momento algum, eu posso deixar de ser livre. Eu continuo a ser livre, sempre livre, com a consciência da minha responsabilidade e do respeito pela liberdade do outro. Não posso fazer ou dizer tudo o que quero, sem respeitar a opinião do outro. A nossa liberdade acaba quando deixa de ser liberdade e passa a ser imposição, exclusão, individualidade, ataque aos direitos do outro. Ultimamente, temos assistido a um rol de cenas políticas que envergonham a democracia. O interessante nos debates, nos comentários aos debates, nas crónicas, nos artigos de opinião, nos cartoons, nas entrevistas aos candidatos é a análise crítica que o leitor/ouvinte pode retirar da personalidade, da competência, dos interesses, dos objetivos, da capacidade de aceitar a crítica e principalmente da sua capacidade de reagir à crítica. O discurso político tem três objetivos essências: deliciar, ensinar e persuadir o público. O poder da persuasão está nitidamente em ascensão, esquecendo que o povo está atento e sabe ler nas entrelinhas, nas omissões e nas reações tidas quando são feitas perguntas incómodas. Tem sido assim, no governo, tem sido assim, no Ministério da Educação. Não há professor que se deixe enganar por um discurso populista e enganador com os diplomas que são aprovados em Conselho de Ministros como se fossem as maiores e melhores alterações dos últimos anos. Não. Não o são. Não foi com a Mobilidade por Doença, não o será com o Regime de Concursos. Usar este último para mostrar à população para mostrar que os professores vinculados estão bem e que devemos nos preocupar com os restantes é querer dividir para reinar.

O Diploma atinge-nos a todos e em 2024, provavelmente estarei aqui a divagar sobre uma realidade previsível.