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Avisos e Liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

Este é já o terceiro Domingo a proclamar o capítulo 6 do evangelista S. João, conhecido como o discurso do pão da vida. Nos últimos Domingos escutámos a narração da multiplicação dos pães e dos peixes, apresentada como uma grande lição de partilha, e o próprio Jesus a dizer que é o pão da vida, ou seja, que Ele se oferece como o pão que dá vida. Neste Domingo continuamos o discurso na parte em que os judeus confrontaram Jesus, porque desconfiavam que Ele fosse “o pão que desceu do Céu”. Os judeus murmuravam de Jesus, porque os seus olhos só O viam como filho de José e de Maria. Não podemos esquecer que o evangelho de S. João foi escrito numa altura em que proliferava a literatura gnóstica, segundo a qual a humanidade de Jesus não era real, mas só aparente. Por isso o evangelista procura apresentar Jesus em situações normais na vida de um ser humano, proclamando nesses momentos a sua divindade. O Jesus da fé é o Jesus de Nazaré, humano e sensível, mas também é o Filho de Deus, ou seja, o único que viu Deus e que dá a vida eterna a todos os que Nele acreditam. Ele é o Pão que alimenta o espírito e dá vida ao mundo.

Ao reflectirmos este discurso do pão da vida temos de referir, por um lado, a Eucaristia, mas por outro lado, pensar como aplicar hoje estas palavras à realidade das nossas comunidades e do nosso mundo. É evidente que, a partir deste discurso, o evangelista convida as comunidades cristãs a promoverem a ceia eucarística. Se para o mundo judeu, tal como se ensinava nas sinagogas, a lei era a vida, as comunidades cristãs têm de encontrar a vida na Eucaristia. Isto continua actual para os nossos dias. Hoje, como ontem, as nossas comunidades cristãs, se não querem cair na fraqueza, terão de centrar a sua vitalidade na celebração litúrgica como fonte que alimenta e dá vida, acolhendo, evangelizando, catequizando, partilhando. Só assim será uma comunidade que caminha, alimentada por um pão que dá vida. Tantas pessoas abandonaram a sua comunidade e as celebrações, porque regressavam a casa e à vida com fome, vazios, desconsolados porque não foram acolhidos, incomodados com maus testemunhos que viram, desiludidos com a indiferença reinante e o “apontar do dedo” atrevido! Todavia, também é verdade que algumas comunidades cristãs estão a sofrer a mesma situação de desânimo do profeta Elias, como nos diz a primeira leitura. É importante continuar a ouvir as palavras do anjo: “Levante e come, porque ainda tens um longo caminho a percorrer”. Não precisamos de comunidades acomodadas, satisfeitas somente em cumprir tradições e costumes piedosos, e sem sabor. Precisamos de comunidades cristãs revitalizadas, entusiasmadas, motivadas com o alimento que dá vida e força para continuar a caminhar.

Vivemos numa sociedade que tem aspectos bons e aspectos mais preocupantes. Teremos sempre de ter presente esta pergunta: como devo contribuir para melhorar o pedaço de mundo em que vivo. Por isso, é importante a afirmação de Jesus que termina o texto do evangelho deste Domingo: “o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo”. Assim, se quisermos colaborar para dar um novo sentido à vida da sociedade em que vivemos, teremos de, imitando Jesus Cristo, gastar as nossas forças em tudo o que ajude a construir um mundo mais humano, mais justo e mais fraterno. Todas as celebrações da Eucaristia continuam quando saímos da igreja. O mandato no final de cada celebração é claro: “Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”, ou seja, continuemos a grande e difícil missão de levar paz, que é vida, aos corações oprimidos e sofredores.

08-08-2021

LEITURA ESPIRITUAL

“O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue” (1 Cor 11, 23), instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. As palavras do apóstolo Paulo recordam-nos as circunstâncias dramáticas em que nasceu a Eucaristia. Esta tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos. Esta verdade está claramente expressa nas palavras com que o povo, no rito latino, responde à proclamação “mistério da fé” feita pelo sacerdote: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte”.

A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois “tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente”.

Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e “realiza-se também a obra da nossa redenção”. Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável. É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste Mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao “extremo” (cf. Jo 13, 1), um amor sem medida. (S. João Paulo II, Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, 11.

 

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Ano B - Tempo Comum - 19º Domingo - Boletim Dominical II

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