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Avisos e Liturgia do 26º domingo do Tempo Comum- ano B

 

Neste Domingo, se alguém, que desconheça a Bíblia, for atrasado para a celebração da Eucaristia e chegar no momento em que se estiver a proclamar a segunda leitura, poderá pensar que está num comício político ou numa manifestação sindical! Como foi recordado no domingo passado, muitas partes da carta de S. Tiago, que são proclamadas nestes domingos, são uma radiografia de realidades muito presentes nos nossos dias; parece que são textos escritos há pouco tempo. O texto da carta de S. Tiago deste domingo fala, em tom duro e exigente para os ricos: “Agora, vós, ó ricos, chorai e lamentai-vos. As vossas riquezas estão apodrecidas e as vossas vestes estão comidas pela traça. O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se, e a sua ferrugem vai dar testemunho contra vós e devorar a vossa carne como fogo. Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras (os operários das vossas fábricas, os profissionais e auxiliares na área da educação, da saúde, e em tantos outros lugares). O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo”. É evidente que não se trata de fazer demagogia nem de generalizar as denúncias, mas é um convite para nos afastarmos da cobiça e da inveja, que são das perversões mais graves existentes entre os homens e mulheres.

Se a carta de S. Tiago nos alerta sobre algumas atitudes contrárias aos valores do Evangelho, como a cobiça e a inveja, o texto evangélico de S. Marcos fala-nos de outras coisas que nos fazem afastar de Jesus, como a intolerância. O apóstolo João teve a mesma atitude do jovem que interpelou Moisés, como nos narra a primeira leitura: queria impor condições e fazer discriminação de pessoas, “porque ele não anda connosco”. Hoje, nós dizemos: “não é dos nossos” e neste “dos nossos” estão todos aqueles que não têm as nossas ideias sobre a política, sobre questões religiosas e sociais. Mas Jesus afirma claramente que “quem não é contra nós é por nós”. Quem luta pelo bem-estar de todos está em sintonia com Jesus. Uma coisa são as discordâncias e outra são as intolerâncias. É necessário sempre somar e multiplicar em vez de dividir.

Nas leituras bíblicas deste domingo ainda há um terceiro aspecto que não pode ficar esquecido. Além da denúncia do mau uso dos bens materiais como a inveja, e das intolerâncias na relação com os que não alinham com as nossas ideias, há outra coisa que é preciso evitar, que é o escândalo. Novamente Jesus refere-se aos mais pequenos, como no domingo passado, ou seja, às pessoas mais frágeis e necessitadas, e alerta contra qualquer acção que os escandalize e que os possa afastar do Senhor. Podemos falar de três tipos de escândalos: aqueles que, em si, não são, mas somente no coração e na mente dos que se dizem escandalizados; escândalos que são somente pequenas imperfeições em pessoas mal preparadas; e os verdadeiros escândalos que são as grandes contradições e incoerências das pessoas que dizem pensar de uma maneira e comportam-se de uma forma contrária ao que dizem. É esta atitude que Jesus denuncia com palavras duríssimas.

As leituras deste domingo oferecem-nos três pontos para a nossa reflexão: 1) alerta-nos sobre a cobiça e a inveja dos bens materiais; 2) avisa-nos sobre as nossas intolerâncias de qualquer género; 3) e sobre os escândalos por causas das nossas imprudências e ingenuidades.

26-09-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Hoje gostaria de meditar brevemente sobre outra expressão com a qual o Concílio Vaticano II definiu a Igreja: «Povo de Deus» (cf. Constituição dogmática Lumen Gentium, nº 9; Catecismo da Igreja Católica, n. 782). E faço-o mediante algumas perguntas, acerca das quais cada um poderá reflectir.

O que quer dizer ser «Povo de Deus»? Antes de tudo, significa que Deus não pertence de modo próprio a qualquer povo, pois é Ele que nos chama, que nos convoca, que nos convida a fazer parte do seu povo, e este convite é dirigido a todos, sem distinção, porque a misericórdia de Deus «deseja que todos os homens se salvem» (1 Tm 2, 4). Jesus não diz aos Apóstolos e a nós que formemos um grupo exclusivo, um grupo de elite. Jesus diz: ide e ensinai todas as nações (cf. Mt 28, 19). São Paulo afirma que no povo de Deus, na Igreja, «Já não há judeu nem grego… pois todos vós sois um só em Cristo Jesus» (Gl 3, 28). Gostaria de dizer inclusive àqueles que se sentem distantes de Deus e da Igreja, a quem é medroso ou indiferente, a quantos pensam que já não podem mudar: o Senhor chama-te, também a ti, a fazer parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor! Ele convida-nos a fazer parte deste povo, do povo de Deus.

Como nos tornamos membros deste povo? Não é através do nascimento físico, mas mediante um novo nascimento. No Evangelho, Jesus diz a Nicodemos que é preciso nascer do alto, da água e do Espírito para entrar no Reino de Deus (cf. Jo 3, 3-5). É através do Baptismo que nós somos introduzidos neste povo, mediante a fé em Cristo, dom de Deus que deve ser alimentado e desenvolver-se em toda a nossa vida. Perguntemo-nos: como faço crescer a fé que recebi no meu Baptismo? Como faço crescer esta fé que recebi e que o povo de Deus possui? (Francisco, Audiência Geral, 12-06-2013).

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano B - Tempo Comum - 26º Domingo - Boletim Dominical II

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