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Avisos e Liturgia do 27º domingo do Tempo Comum- Ano A

 

 

Neste Domingo, a Palavra de Deus fala-nos do povo judeu, utilizando a metáfora da vinha: “A vinha do Senhor é a casa de Israel”, assim cantamos no salmo. A primeira consideração que se nos oferece fazer desta vinha é que o seu proprietário é Deus. Foi Ele que cavou a vinha, limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas e arrendou-a a uns vinhateiros. Podemos afirmar que a vinha que nos é oferecida por Deus, é a nossa vida em união com as pessoas que nos rodeiam nesta casa comum que é o nosso planeta. Quem é capaz de dar vida a não ser Deus? Todos procedemos graciosamente do seu amor: “Fomos concebidos no coração de Deus e, por isso, cada um de nós é o fruto de um pensamento de Deus. Cada um de nós é querido, cada um de nós é amado, cada um é necessário”, como afirma o Papa Francisco (‘Laudato si’, 65). As pessoas que nos rodeiam são também um dom do Senhor. Elas enriquecem-nos com as suas qualidades e virtudes que receberam de Deus e, assim, cada um de nós também deve colocar ao seu serviço as qualidades que Deus nos deu. Todas as pessoas têm a dignidade de ser imagem e semelhança do criador, de proceder do seu amor. Finalmente, a terra é um dom do criador que temos de cuidar: “A terra existe antes de nós e foi-nos dada” (‘Laudato si’, 67). “A criação só se pode conceber como um dom que vem das mãos abertas do Pai de todos, como uma realidade iluminada pelo amor que nos chama a uma comunhão universal” (‘Laudato si’, 76).

A vinha tem um único dono que é Deus e a nós foi confiada, ou seja, arrendada, para nela trabalharmos. Sobre os frutos, teremos de prestar contas ao Senhor. Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo pretenderam possuir a vinha como sua propriedade. Esta aspiração destruiu a harmonia da vinha e a cobiça dos vinhateiros levou ao assassínio dos representantes do dono, incluindo o seu próprio filho. A pretensão de possuir a vinha por parte dos vinhateiros, querendo usurpar a Deus a sua propriedade, conduz aos piores desastres. A vinha, em vez de dar boas uvas, produzirá agraços. Quando pensamos que somos donos da vida, acreditamos que temos o direito de decidir sobre o princípio e o fim da mesma. A fraternidade passa para segundo plano e cresce a nossa indiferença perante pobres e os que sofrem. Se a terra é considerada como propriedade e não como um dom, pensamos que temos o direito de a explorar sem olhar a meios: “Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la” (‘Laudato si’, 2).

 

Folha Elo de Comunhão

 

Somos convidados a sermos administradores da vinha. Somos administradores de uma propriedade que nos foi confiada como um dom e da qual teremos de entregar os frutos ao Senhor. Para sermos bons vinhateiros, é-nos pedido uma maneira diferente de viver, reconhecendo que Deus é o criador e o proprietário da vinha. Assim, a nossa missão consiste em acolher o dom da vida, do irmão e da terra numa atitude de agradecimento ao criador. Todavia, temos de cultivar e desenvolver este dom procurando para todos uma terra acolhedora e familiar. O Senhor pede-nos que trabalhemos no cuidado da vinha quando esta aparece frágil e em risco. Temos de velar com mimo pela vida a começar (em embrião), sobretudo quando corre o risco de se extinguir ou está ameaçada. “A melhor maneira de colocar o ser humano no seu lugar e acabar com a sua pretensão de ser dominador absoluto da terra, é voltar a propor a figura de um Pai criador e único dono do mundo; caso contrário, o ser humano tenderá sempre a querer impor à realidade as suas próprias leis e interesses” (‘Laudato si’, 75).

 

Dar fruto

 

O Senhor está permanentemente comparando a alma humana com uma vinha: «O meu amigo possuía uma vinha numa colina fértil» (Is 5,1); «plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe» (Mt 21,33). É, evidentemente, à alma humana que Jesus chama a sua vinha, foi a ela que cercou, qual sebe, com a segurança que proporcionam os seus mandamentos e a protecção dos seus anjos, porque «o anjo do Senhor assenta os seus arraiais em redor dos que O temem» (Sl 33,8). Em seguida, ergueu em nosso redor uma paliçada, estabelecendo na Igreja «primeiro, apóstolos, segundo, profetas, terceiro, doutores» (1Cor 12,28). Por outro lado, através dos exemplos dos homens santos de outrora, eleva-nos os pensamentos, não os deixando cair por terra, onde mereceriam ser pisados. Deseja que os abraços da caridade, quais ramos de uma vinha, nos liguem ao nosso próximo e nos levem a repousar nele. Assim, mantendo permanentemente o impulso em direcção aos céus, elevar-nos-emos como vinhas trepadeiras até aos mais altos cumes.

O Senhor pede-nos também que consintamos em ser podados. Ora, uma alma é podada quando afasta para longe de si os cuidados do mundo, que são um fardo para o nosso coração. Assim, aquele que afasta de si mesmo o amor carnal e a ligação às riquezas, ou que tem por detestável e desprezível a paixão pela miserável vanglória foi, por assim dizer, podado, e voltou a respirar, liberto do fardo inútil das preocupações deste mundo.

Mas – e mantendo ainda a linha da parábola – não podemos produzir apenas lenha, ou seja, viver com ostentação, ou procurar os louvores dos de fora. Temos de dar fruto, reservando as nossas obras para as mostrarmos ao verdadeiro agricultor (Jo 15,1). (São Basílio, c. 330-379, monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja, Homilia 5 sobre o Hexâmeron, 6).

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano A - Tempo Comum - 27º Domingo - Boletim Dominical II

 

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