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Avisos e Liturgia do IV Domingo da Quaresma – ano C

Avisos e Liturgia do IV Domingo da Quaresma – ano C

RECONCILIAÇÃO – VOU TER COM O MEU PAI

Depois de cisões e de mal-entendidos, a reconciliação permite começar de novo, sem ressentimentos e censuras. Ambas as partes, a devem desejar, sem gerar ambientes de vencedores e de vencidos, mas humildade e generosidade. Nos nossos dias, é urgente um novo mundo relacional, onde reine a bondade e o bem! Somos seres em relação e esta necessidade pode crescer e tomar formas diferentes, da mesma maneira que pode esmorecer, deteriorar-se, romper-se. Podemos pensar em roturas de todo o tipo: familiares, de amizade, de vizinhança; e, também, causadas por interesses contrários, ou por mal-entendidos, ou por pretextos justificados. Em qualquer caso, deveremos pensar nas vítimas, e nos pactos e mediações oportunas. Mesmo assim, deveremos sempre perguntar: será que, apesar de todos os meios, prevalecerão os direitos e os deveres? Far-se-á justiça? Haverá perdão e reconciliação? Podemos ter uma experiência de perdoar e de não reconciliar: “isto, não consigo perdoar”, “não lhe posso perdoar”, “perdoo, mas as coisas não irão ser como eram”. A reconciliação consiste no nosso reencontro com a paz e em ter paz relacional. Isto conduz-nos ao reconhecimento dos nossos erros, à vontade de recomeçar de novo, à generosidade sem atirar as culpas para os outros; tudo isto, repleto de esperança. Será que somos pessoas de paz e de reconciliação? Nas leituras deste Domingo, encontramos a hipótese de uma reconciliação, em que Deus toma a iniciativa, o convite a sermos seus mensageiros e obreiros, e a parábola que nos descreve o processo de reconciliação entre um pai e os seus filhos. O livro de Josué apresenta-nos o povo de Israel no momento em que, depois da longa travessia do deserto, livre da escravidão do Egipto, entra na sua terra e celebra a festa da liberdade, da dignidade e da aliança renovada, que é a Páscoa (Jos 5, 9a.10-12). São Paulo diz-nos que em Jesus Cristo “as coisas antigas passaram; tudo foi renovado…é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens e confiando-nos a palavra da reconciliação” (2Cor 5,17-21). Fica bem claro que Deus quer a reconciliação. Deus quer o reencontro com aqueles que, seja quais foram os motivos, as razões, os mal-entendidos, se afastaram Dele. A Igreja tem de fazer chegar a todos esta mensagem que transforma tantas situações angustiantes, fracturantes e discriminatórias. No evangelho de São Lucas, encontramos, neste Domingo, uma parábola sublime e de uma riqueza inesgotável. A parábola do “filho pródigo” também se pode chamar a do “homem que tinha dois filhos”, ou do “pai que nunca deixa de amar”. O filho mais novo, rebelde e inconformista, pediu ao pai a sua parte da herança, pensando na sua liberdade; “partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta”. O filho mais velho, zeloso e cumpridor, ficou em casa e disse ao pai: “Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos”. Um filho rompe a relação de família, porque deseja a sua liberdade; o outro mantém a relação, de uma forma aparente, ajustando-se às ordens do pai, e não sabe perdoar ao irmão. Um teve que experimentar a pobreza para reconhecer o seu erro e regressar a casa, acreditando na bondade do seu pai, confiando que se podia reconciliar com ele. O outro, tendo ficado em casa, nunca entendeu o que o seu pai lhe recordou: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu”, ou seja, não sabia amar suficientemente. Cada um de nós pode reconhecer-se em algum destes dois filhos, ou um pouco em cada um deles. Na nossa vida, podemos contemplar a atitude do pai no coração de Deus que respeita, espera pacientemente, acolhe e faz a festa do reencontro e da reconciliação. Será que nas nossas paróquias encontramos indiferença e consumo religioso, ou são lugares de reconciliação e de oração? Será que se poderá dizer dos cristãos de hoje aquela bela expressão atribuída a Tertuliano: “vede como se amam”? A grandeza de um homem não está em cumprir leis como um servo, mas em viver o amor, a grandeza do perdão, saber entender o outro e abraçá-lo.

 

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Leitura Espiritual

O caminho dos filhos

 

Se alguém quer tender à perfeição, partirá do primeiro degrau, que é o do temor, estado propriamente servil, e elevar-se-á, em progresso continuado, até às vias superiores da esperança. Esta espera a recompensa, mas ainda não alcançou aquele sentimento do filho, que, confiando-se à indulgência e à liberalidade paternas, não duvida de que tudo o que é de seu pai também é seu. O filho pródigo do evangelho não ousa a aspirar, depois de tudo o que perdeu, ao nome de filho. Reparai que ele invejava as arrobas que os porcos comiam, ou seja, o alimento sórdido do vício, e ninguém lhas dava a comer. Então, voltou-se para si mesmo e, tocado por um temor salutar, encheu-se de horror pela imundície dos porcos e rejeitou o cruel tormento da fome, sentimentos que, de certa maneira, fazem dele um escravo. Porém, sonhando com o salário que se paga aos mercenários, cobiçou a situação destes, dizendo: «Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores». Entretanto, o pai foi ao seu encontro e acolheu estas palavras de arrependimento humilde, ditadas pela ternura, ainda com maior ternura: ele não quer conceder ao filho bens de menor valor, mas restitui-o à dignidade de filho, fazendo-o subir imediatamente os dois degraus inferiores. Apressemo-nos, também nós, a subir, pela graça de uma indissolúvel caridade, a este terceiro grau, o dos filhos, que consideram seu tudo o que pertence ao pai; mereçamos receber em nós a imagem e semelhança do nosso Pai dos Céus. E então, tal como o Filho verdadeiro, poderemos proclamar: «Tudo o que é do Pai Me pertence também» (Jo 16,15). (São João Cassiano (c. 360-435), fundador de mosteiro em Marselha, Sobre a perfeição, cap. VII; SC 54).

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Unidade Pastoral das P. de Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã e Algodres

De 31 de março a 06 de abril

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