Avisos e Liturgia do XXI Domingo do Tempo Comum- ano B
“Saboreai e vede como o Senhor é bom”.
- a) Quando nos apercebemos que algumas pessoas deixaram de “ir à missa” e que se afastaram de uma prática cristã, somos tentados a pensar que é fruto do nosso fracasso. Mas, não é bem assim. No Evangelho, encontramos algumas passagens da vida e do ministério de Jesus em que também Ele não colheu os frutos que desejava (os seus fracassos). No Actos dos Apóstolos, encontramos muitas passagens que nos relatam as dificuldades que tiveram os discípulos para evangelizar a sociedade do seu tempo, pregando os valores cristãos. O discurso do Pão da Vida não teve muito êxito. Muitos discípulos, ou seja, não só os fariseus que sempre estavam contra Ele, mas também alguns que O seguiam assustaram-se com o que Jesus dizia e “já não andavam com Ele”. Por que se escandalizaram? De que se escandalizaram? Como vimos nestes últimos domingos, o discurso do Pão da Vida tem dois temas: Jesus em quem se deve acreditar e Jesus que se deve comer, ou seja, a Fé e a Eucaristia. De qual “deles” se assustaram? É evidente que era duro de aceitar que era necessário “comer” Jesus para se alcançar a salvação e ter a vida. Mas também era inconcebível que fosse necessário “acreditar” em Jesus como o Enviado de Deus; Ele que era o filho do carpinteiro e que todos conheciam os seus familiares.
- b) A fé exige uma opção. Se alguém acredita que Jesus vem de Deus, terá de aceitar a Sua mensagem como vinda de Deus. A fé em Cristo supõe aceitar o estilo de vida que Ele nos propõe. Aqui é que mora a dificuldade. A fé exige uma opção; para isso nos prepara a primeira leitura. Depois da travessia do deserto, Josué, o sucessor de Moisés, antes de entrar na terra prometida, reúne o povo em Siquém e coloca-o perante um dilema: está disposto a servir ao Deus Único e Verdadeiro que o libertou do Egipto e o orientou na travessia do deserto, mas que lhe propôs uma Aliança muito exigente e comprometedora, ou prefere optar por deuses mais tolerantes que conheceu de outros povos que contactou na viagem ou na terra em que vai entrar? “Escolhei hoje a quem quereis servir”. Cheio de emoção, o povo responde: “Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses”. Bem sabemos como foram breves estes bons propósitos! Hoje, a opção é apresentada a cada um de nós. Acreditar e aceitar Jesus não é uma questão pontual e de um certo momento: supõe aceitar o estilo de vida de Jesus, a sua Nova Aliança, o seu evangelho com a lista das bem-aventuranças que é muito mais exigente que as “promessas e garantias” dos deuses falsos do nosso mundo. A quem devemos servir: a Jesus Cristo ou aos múltiplos mestres e messias e ídolos? Há que fazer uma opção a nível pessoal, não caindo na tentação do “sempre foi assim” ou porque é tradição da família.
- c) Perante a “dureza” das palavras de Jesus, nem todos O abandonaram. Os Doze, com Pedro à cabeça, ficaram com Jesus. Pedro era um discípulo com uma fé e um amor radicais a Jesus, apesar de não entender o que estava a ouvir e de negar o Senhor na hora suprema. Pedro gostava mais da experiência do Monte Tabor do que ouvir falar de morte e de entrega. Mas confia totalmente em Jesus: “Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”. Tomou a mesma atitude de Maria: “Faça-se em mim, segundo a tua palavra”; é a resposta de Samuel: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta”; é a atitude de Saulo a caminho de Damasco: “Senhor, que queres que eu faça?”; é a atitude de milhões de pessoas que dizem “sim” a Deus. Procuremos não abandonar o Mestre, seduzidos pelas “promessas, garantias” e ideologias fáceis deste mundo. Não podemos andar vacilantes ou indecisos (“com meias tintas”). Sempre a confiar em Jesus Cristo, firmes no caminho que nos levará à verdadeira vida e à plena felicidade.
Ver: https://liturgia.diocesedeviseu.pt/LITURGIAEVIDA/index.html
[pdf-embedder url=”https://magazineserrano.pt/wp-content/uploads/2024/08/25-08-2024.pdf”]
Paroquiasagb
Leitura Espiritual
«Tu tens palavras de vida eterna»
A novidade que se verificou na Última Ceia foi a nova profundidade conferida à antiga oração de bênção de Israel, que desde então se tornou a palavra da transformação, permitindo-nos participar na «hora» de Cristo (Jo 13,1). Jesus não nos ordenou que repetíssemos a Ceia pascal, que, de resto, como aniversário, não é repetível a nosso bel-prazer. Ordenou-nos que entrássemos na sua «hora».
Entramos nela mediante o poder sagrado das palavras da consagração, uma transformação que se realiza mediante a oração de louvor, que nos coloca em continuidade com Israel e com toda a história da salvação, ao mesmo tempo que nos conduz à novidade para a qual tendia, no seu sentido mais profundo, aquela oração. Esta oração, a que a Igreja chama eucarística, realiza a Eucaristia: ela é palavra de poder, que transforma os dons da terra, de maneira totalmente nova, na doação que Deus faz de Si, e nos envolve nesse processo de transformação. É por isso que chamamos a este acontecimento «Eucaristia», que é a tradução da palavra hebraica «beracha»: agradecimento, louvor, bênção, e uma transformação operada pelo Senhor, a presença da sua «hora».
A hora de Jesus é a hora em que o amor vence. Por outras palavras: foi Deus que venceu, porque Ele é Amor. A hora de Jesus quer tornar-se a nossa hora e tornar-se-á a nossa hora se nós, mediante a celebração da Eucaristia, nos deixarmos envolver por aquele processo de transformações que o Senhor quer operar. A Eucaristia deve tornar-se o centro da nossa vida (Bento XVI, Papa de 2005 a 2013, Homilia nas XX Jornadas Mundiais da Juventude, 21/08/2005).
http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/
Unidade Pastoral das Paróquias de Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.
Programação de Celebrações e Missas da Semana de 27 de agosto a 01 de setembro.






