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Politécnico da Guarda está a desenvolver um gel com partículas de microalgas

O Instituto Politécnico da Guarda – IPG vai desenvolver um gel com partículas de microalgas para tratar as
intoxicações por medicamentos. O novo projeto do IPG é
mais sustentável e apresenta menos efeitos adversos
quando comparado com terapias convencionais usadas em
caso de sobredosagem.

Uma equipa de investigadores do Instituto Politécnico da Guarda – IPG vai utilizar microalgas para inibir a absorção de medicamentos no intestino em casos de
intoxicações. O projeto chama-se MiADrugTox e acaba de receber a aprovação do
financiamento por parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia – FCT.
“Vamos utilizar microalgas, que têm evidentes benefícios para a saúde, para
tratar as intoxicações medicamentosas ”, afirma Paula Coutinho, docente do IPG e
coordenadora do projeto. “A ideia é incorporar micropartículas com biomassa de
microalgas numa formulação de gel – a ser administrada por via oral – para facilitar
o transporte ao longo do sistema gastrointestinal”.
Segundo dados do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), em 2020
ocorreram mais de 27 mil intoxicações em Portugal, das quais cerca de 15 mil foram
causadas por medicamentos. Ansiolíticos, antidepressivos, antipsicóticos, epiléticos,
anti-inflamatórios e paracetamol estão entre os medicamentos mais associados às
intoxicações medicamentosas.
“Os dados mostram que as intoxicações por medicamentos são um problema
grave e um enorme desafio para os cuidados de saúde”, afirma Paula Coutinho. “A
nossa solução é inovadora, sustentável, económica e, sobretudo, com menos efeitos
adversos quando comparada com as terapias convencionais: lavagem gástrica, carvão
ativado ou flumazenil”. O Politécnico da Guarda vai estabelecer parceria com
empresas da indústria farmacêutica para validarem a eficácia do produto em
aplicações médicas.

Este projeto, que irá receber um financiamento de cerca de 50 mil euros da FCT,
será desenvolvido por uma equipa do Centro de Potencial e Inovação de Recursos
Naturais – constituída por investigadores e estudantes dos cursos de Biotecnologia
Medicinal, de Farmácia e de Ciências Aplicadas à Saúde – que irão estudar e
otimizar o rácio da biomassa de microalgas para obter uma eficiente adsorção do
medicamento.
“O Politécnico da Guarda procura envolver os estudantes de licenciatura e de
mestrado nos projetos de investigação e de inovação que desenvolve”, afirma
Joaquim Brigas, presidente do IPG. “Estas iniciativas permitem uma maior
proximidade ao mercado de trabalho e aos desafios que enfrenta”.
A biotecnologia é uma área em expansão com aplicação na cosmética, na
biomedicina e na indústria farmacêutica. O IPG tem feito uma forte aposta na
investigação ligada à biotecnologia através do desenvolvimento de sistemas
bioimpressos de que são exemplo dispositivos médicos para a regeneração da pele e
do tecido cardíaco. A valorização dos recursos naturais é outra valência que tem sido
explorada: uma equipa de investigadores do IPG esteve, nos últimos anos, a estudar
os benefícios das macroalgas no processo de cicatrização e no tratamento de
patologias da pele.

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