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Sinfap- Emergência pré-hospitalar, o problema não se resolve com mais ambulâncias

Sinfap- Emergência pré-hospitalar, o problema não se resolve com mais ambulâncias

Em comunicado, o Sindicato Independente da Floresta, Ambiente e Proteção Civil (SinFAP)  refere que :Perante mais um período de elevada pressão sobre o sistema de emergência pré-hospitalar, considera essencial clarificar uma realidade que tem sido sistematicamente ignorada: a resposta do Estado não pode continuar a assentar em medidas avulsas, reativas e de curto prazo, como o reforço pontual de ambulâncias ou o pagamento extraordinário de horas.
O problema que o país enfrenta é estrutural. Não se resolve com mais meios físicos se não houver quem os opere. Não se resolve com anúncios políticos se os profissionais que sustentam o sistema, bombeiros e profissionais do INEM,
continuam desvalorizados, exaustos e sem uma carreira digna que lhes permita permanecer no sistema.
A sucessão de picos previsíveis, infeções respiratórias, febres sazonais, agravamentos clínicos evitáveis, expõe uma fragilidade que não é nova, mas que só ganha relevância pública quando há mortes, atrasos críticos no socorro ou comoção mediática. Nos períodos de aparente normalidade, os alertas são ignorados, os trabalhadores esquecidos e o problema empurrado para a frente.
Se o trabalho fosse devidamente valorizado, se a remuneração acompanhasse o custo de vida, se existissem carreiras claras, atrativas e sustentáveis, hoje o sistema teria recursos humanos suficientes para responder aos picos de procura sem entrar em rutura. A emergência não falha por falta de ambulâncias, falha por falta de pessoas disponíveis para nelas trabalhar.
O SinFAP reafirma que não aceita a normalização da precariedade, nem a lógica de que os profissionais da emergência devem viver em regime permanente de sacrifício pessoal para compensar a ausência de decisões estruturais. Defender os trabalhadores é, neste contexto, defender diretamente o direito da população a um socorro atempado e eficaz.
Ao contrário de outros, o SinFAP está presente de forma contínua, não apenas quando a opinião pública se agita. Defendemos os trabalhadores da floresta, do ambiente e da proteção civil de forma independente, agregadora e consequente, exigindo soluções de fundo e não remendos mediáticos. A emergência pré-hospitalar precisa de uma política de recursos humanos séria, sustentada e corajosa. Tudo o resto é adiar o problema, até à próxima tragédia.