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Liturgia do IV Domingo da QUARESMA – ano C

Liturgia do IV Domingo da QUARESMA – ano C

z-igreja-AB-300x200 Liturgia do IV Domingo da QUARESMA – ano CQuando se sobe a uma montanha, ao chegar a meio do caminho, é possível olhar para trás e ver o trajecto já percorrido. A pausa permite valorizar o esforço que se fez e avaliar as energias que ainda se dispõe. É preciso respirar fundo, encher os pulmões de ar e empreender novamente a subida até ao cume. Ora, isto também podemos experimentar na nossa vida. Quando olhamos a nossa vida passada, recordamos tantas situações vividas na família, com os amigos, no local de trabalho, ou seja, vem à memória acontecimentos da nossa vocação pessoal. Um aniversário, um momento inesperado, um retiro, um tempo de silêncio, um momento de sofrimento, são ocasiões para fazer um balanço, uma revisão e são fatos que nos motivam a não ficar parados no meio do caminho. Concluímos que é necessário continuar.

Os israelitas, com Josué à frente, tinham já percorrido o trajecto mais importante e mais difícil da viagem para a terra prometida. Já não precisavam do maná. Podiam comer dos frutos da terra prometida. Começavam uma nova etapa. A terra do Egipto e a escravidão já estavam longe e pertenciam ao passado. Então, era imperioso celebrar esta libertação, como já tinham feito antes de iniciarem esta viagem. Reinava entre o povo um espírito de festa. Daqui a três semanas, celebraremos a Páscoa. Desde quarta-feira de Cinzas, iniciámos um caminho com um compromisso: mudar (a conversão) alguns aspectos da nossa vida que estavam mais fragilizados e que nos afastavam dos valores do Evangelho.

Mas, em que aspectos da nossa vida temos de mudar? Em todos aqueles que se referem a um estilo de vida acomodado, individualista; não ter vontade de enfrentar os nossos problemas pessoais, da família, da sociedade onde vivemos, da indiferença perante as injustiças que corroem as relações humanas. Também fizemos a nossa própria fuga da casa paterna, como o filho mais novo da parábola. Através dele, concluímos que satisfazer o nosso egoísmo e a nossa soberba não é o caminho da felicidade. Como ele, muitas vezes, também não fomos capazes de responder à confiança que em nós foi depositada.

Agora, queremos, também, fazer o caminho de regresso. Pedir perdão e voltar a abraçar o Pai e os irmãos. Alcançar o cume desta Quaresma é voltar a receber a misericórdia daquele que nos chamou a viver com um estilo novo. O filho mais novo reconheceu o seu grande erro e recomeçou tudo de novo, despojado de todo o peso que o oprimia. Aceitar regressar sem nada reclamar, só o amor do perdão, o abraço do pai, o voltar a sentir-se filho amado e refazer a relação fraternal que se tinha quebrado. O pai esperava-o todos os dias no caminho. O seu irmão não tinha a mesma disposição, pois não estava disposto a recebê-lo de coração porque a sua fidelidade se tinha convertido em orgulho que cega a vista e esfria o coração. Regressar à casa do pai, sentir a ternura do seu abraço que perdoa tudo, é experimentar o que diz S. Paulo: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado”. A vida reconciliada é uma nova criação, fruto do Espírito Santo.

“Cristo reconciliou-nos consigo e nos confiou o ministério da reconciliação”. Depois de reconciliados, somos enviados por Cristo. “Nós somos, portanto, embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio”. Se nos pudéssemos identificar com o filho da parábola, faríamos tudo para que o irmão que regressa se sentisse amado e se libertasse do peso que carregava. Assim recuperaria o amor gratuito e generoso do Pai, que perdoa sem limites, não censura e ama com ternura.

A Eucaristia é a nossa Páscoa Dominical, é a festa da reconciliação. Recebemos o perdão e o abraço do Pai e também dos nossos irmãos e alimentamo-nos com o melhor dos alimentos: o pão partido entregue por todos. Também não precisamos do maná, porque temos a vida de Jesus entre nós. Por isso, damos graças a Deus.

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LEITURA ESPIRITUAL

«Vou ter com meu pai»

Se a conduta deste jovem nos desagrada, aquilo que nos causa horror é a sua partida; por nós, não nos afastemos nunca de um pai destes! Pois a simples visão do pai faz fugir os pecados, expulsa o erro, exclui qualquer má conduta e qualquer tentação. Mas, no caso de termos partido, de termos esbanjado toda a herança do pai numa vida desregrada, de nos ter acontecido cometer erros ou más acções, de termos caído no abismo da blasfémia, levantemo-nos e regressemos para junto deste pai que é tão bom, convidados por exemplo tão belo. «Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos.»

Pergunto-vos: haverá lugar para o desespero? Haverá pretexto para desculpas? Falsas razões para receios? Só se for o receio do encontro com o pai, dos seus beijos e dos seus abraços; só se julgarmos que o pai deseja tomar para recuperar, em lugar de receber para perdoar, quando pega no filho pela mão, o toma nos braços e o aperta contra o coração.

Mas este pensamento, que esmaga a vida, que se opõe à nossa salvação, é amplamente vencido, amplamente aniquilado pelo seguinte: «Mas o pai disse aos servos: “Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado.”» Depois de termos ouvido isto, poderemos ainda demorar-nos? Que esperamos para regressar para junto do nosso Pai? (São Pedro Crisólogo, c. 406-450, bispo de Ravena, doutor da Igreja, Homilia sobre o perdão, 2, 3).

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

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