Avisos e Liturgia do VI Domingo do Tempo Comum-ano A
Se observarmos a vida das pessoas, é fácil dar conta do seguinte: noutros tempos, vivia-se com esforço e exigência, respeitando as normas e fazendo sacrifícios; hoje, parece que se vive a relativizar tudo, numa superficialidade de relações. Parece que andamos saturados, esgotados, porque não é fácil a vida! Mas, alguma vez foi? Deus dá-nos a Sua Palavra como ajuda para rever, iluminar e transformar a nossa vida. E de todas as palavras do Evangelho, o Sermão da Montanha é uma das passagens fundamentais. Talvez já tivemos a tentação de dizer que o Evangelho não se pode cumprir, porque é muito idealismo e é muito exigente. Mas a exigência não é defeito, é virtude! “Ser fiel depende da tua vontade” (1ª leitura). Deus deu-te a liberdade; por isso, és responsável pelas tuas decisões: “estenderás a mão para o que desejares”. Em nossa ajuda, vem a Lei de Deus.
No texto evangélico deste domingo, Jesus recorda-nos a Lei antiga e depois convida-nos a fazer caminho: “Foi dito”; “Eu, porém, digo-vos”. Ele não anula a Lei de Moisés nem a relativiza, mas aumenta o seu grau de exigência. A Lei não perde valor, mas Jesus assume-a como essencial para entrar no Reino dos Céus. Para isso, é necessário que transforme interiormente o olhar e o coração e não ficar somente por respostas mecânicas e ritualismos externos.
Por isso, Jesus alarga o sentido de alguns preceitos da Lei. Ao mandamento “Não matarás”, afirma que existe outro tipo de homicídio. Pode-se não matar fisicamente, mas a agressividade para com um irmão acaba por o matar interiormente com a ofensa, a difamação e a intriga. Conflitos todos temos na vida, mas terão sempre de ser resolvidos. Pois, se não tivermos vontade e humildade para os resolver, também não podemos aproximarmo-nos da mesa da Eucaristia. Não pode haver comunhão, sem perdão e reconciliação.
Jesus avisa-nos que o nosso estilo de vida não pode consistir na simples resposta a preceitos, mas a uma atitude interior. Assim cometer adultério não é somente uma infidelidade a uma pessoa com quem já se assumiu um compromisso, mas obscurece a riqueza da sexualidade humana e a grandiosidade de um compromisso definitivo. Quando se perde o equilíbrio, tudo se precipita, tudo cai.
Jesus é radical. A salvação é uma questão de vida ou de morte, não pode haver “meios termos”. Temos de rever a nossa vida constantemente para detectarmos o que está a minar a nossa saúde espiritual e moral. Diante do mal, não pode haver complacências: tem de ser destruído, mesmo que seja difícil. Para tal, somos convidados a sabe discernir onde andamos e com quem andamos.
A nossa linguagem tem de ser “sim, sim; não, não”. Sintonizados com o Evangelho, a nossa vida tem de ser um “sim” a Deus” e um “não” ao pecado. “Quem quer o que Deus quer, tem tudo quanto quer”, “antes perder tudo do que perder a Deus” (Santo Afonso Maria Ligório).
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LEITURA ESPIRITUAL
«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar»
Em todos os tempos e em todas as nações, é agradável a Deus aquele que O teme e pratica a justiça (cf Act 10,35). Contudo, aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo, que O conhecesse na verdade e O servisse santamente. Escolheu, por isso, a nação israelita para seu povo. Com ele estabeleceu uma aliança; a ele instruiu gradualmente, manifestando-Se a Si mesmo e ao desígnio da própria vontade na sua história, e santificando-o para Si.
Mas todas estas coisas aconteceram como preparação e figura da nova e perfeita Aliança que em Cristo havia de ser estabelecida, e da revelação mais completa que seria transmitida pelo próprio Verbo de Deus feito carne. «Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança. Porei a minha lei nas suas entranhas e a escreverei nos seus corações, e serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Todos Me conhecerão, desde o mais pequeno ao maior, diz o Senhor» (Jer 31,31-34).
Esta nova aliança foi instituída por Cristo no novo testamento do seu sangue (cf 1Cor 11,25), chamando o seu povo de entre os judeus e os gentios, para formar um todo, não segundo a carne mas no Espírito, e fazer dele o Povo de Deus: «raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo conquistado, que outrora não era povo, mas agora é povo de Deus» (1Ped 2,9-10). Mas, assim como Israel segundo a carne, que peregrinava no deserto, é já chamado Igreja de Deus (cf 2Esd 13,1; Nm 20,4; Dt 23,1ss), assim o novo Israel, que ainda caminha no tempo presente e se dirige para a futura e perene cidade (cf Heb 13-14), se chama também Igreja de Cristo (cf Mt 16,18), pois que Ele a adquiriu com o seu próprio sangue (cf Act 20,28), a encheu com o seu espírito e a dotou dos meios convenientes para a unidade visível e social. (Concílio Vaticano II, Constituição dogmática sobre a Igreja «Lumen gentium», 9).





