Projeto Educativo e Ano Letivo 2026/2027 da Escola Profissional de Trancoso
Em modo de conversa, Américo Carvalho Mendes, Diretor Pedagógico, da Escola Profissional de Trancoso, falou sobre o novo Projeto educativo e do novo ano letivo que está a chegar e das ofertas que pode encontrar nesta escola.
A Escola Profissional de Trancoso inicia um novo ano letivo no ano em que celebra 37 anos. Que momento é este para a escola?
É um momento muito especial para a Escola Profissional de Trancoso (EPT). Celebrar 37 anos é reconhecer um percurso construído por várias gerações de alunos, pelo pessoal docente e não docente, pelas famílias e por muitas empresas, instituições e parceiros que têm caminhado connosco. A história da EPT é, antes de mais, a história das pessoas que fizeram e continua a fazer esta escola.
A EPT nasceu em 1989, sendo uma das primeiras escolas profissionais do país, com uma missão muito clara: qualificar jovens, responder às necessidades das empresas e contribuir para o desenvolvimento da região.
Passados 37 anos, essa identidade mantém-se. Temos, no entanto, a responsabilidade de continuar a evoluir, acompanhar as transformações sociais, tecnológicas e profissionais e criar novas oportunidades para os nossos jovens.
Entramos em 2026/2027 com novos desafios, mas também com condições muito interessantes para continuar esse percurso: uma oferta formativa diversificada, novos ciclos de formação, o Centro Tecnológico Especializado de Informática, novas possibilidades de prosseguimento de estudos e uma rede de parcerias que queremos continuar a consolidar.
É nesse sentido que estamos a trabalhar, orientados pelo Projeto Educativo 2025–2028, que define aquilo que somos, a escola que queremos ser e os objetivos que pretendemos alcançar nos próximos anos.
Que escola pretende ser hoje a EPT e quais são as grandes prioridades do Projeto
Educativo 2025–2028?
Queremos ser uma escola exigente na qualidade da formação, mas simultaneamente próxima, inclusiva e atenta a cada aluno.
O Projeto Educativo é o documento que orienta a ação da escola neste ciclo. Não queremos que seja apenas um documento formal; queremos que os objetivos e as metas que ali definimos tenham tradução concreta na vida da EPT.
Entre as nossas prioridades estão a qualidade das aprendizagens e o sucesso educativo, a inovação pedagógica, a inclusão, a relação com as empresas e instituições, o envolvimento das famílias e a melhoria contínua.
Quando falamos de inclusão, falamos da capacidade de reconhecer que os alunos têm percursos, características, interesses, ritmos e necessidades diferentes e de procurar criar condições para que cada um possa aprender, participar, desenvolver as suas capacidades e concluir o seu percurso com sucesso.
Mas a inclusão é também um valor que procuramos trabalhar através das experiências proporcionadas aos alunos. Iniciativas ligadas à cidadania, ao voluntariado, ao desporto, à solidariedade e à intervenção na comunidade permitem trabalhar o respeito pela diferença, a participação e a responsabilidade social. O Plano Anual de Atividades concretiza esta dimensão através de iniciativas como a Semana Paralímpica e atividades de intervenção junto
de diferentes públicos da comunidade.
Estes objetivos estratégicos traduzem-se depois em objetivos operacionais, indicadores e metas. Queremos melhorar resultados, prevenir o abandono, adequar a oferta formativa,
reforçar e diversificar as parcerias e criar melhores condições para a integração profissional e para o prosseguimento de estudos.
O Projeto Educativo não é um documento para ficar no papel; tem de orientar aquilo que fazemos e a escola que queremos construir.
Que cursos vão iniciar um novo ciclo de formação em 2026/2027?
Para o novo ciclo de formação de 2026/2027, a EPT apresenta uma oferta de 10 cursos profissionais, distribuídos por áreas bastante diversificadas:
Técnico/a de Mecatrónica Automóvel;
Técnico/a de Manutenção Industrial/Mecatrónica;
Técnico/a de Sistemas Eólicos e Fotovoltaicos;
Técnico/a de Instalações Elétricas;
Técnico/a de Desenvolvimento de Software;
Técnico/a de Sistemas de Computação e Redes;
Técnico/a de Comunicação, Marketing, Relações Públicas e Publicidade;
Técnico/a de Animação e Mediação Comunitária;
Técnico/a de Comércio;
Técnico/a de Logística.
Procurámos construir uma oferta diversificada, com uma forte componente prática e ligação ao mundo do trabalho, mas sobretudo capaz de responder aos diferentes interesses dos jovens e às necessidades de qualificação das empresas e do território.
Mais do que termos muitos cursos, interessa-nos que a formação seja adequada, atualizada e capaz de criar oportunidades reais para os jovens.
Como é definida a oferta formativa da EPT?
É uma decisão que resulta da conjugação de vários fatores.Temos de ouvir as empresas e as instituições, perceber como estão a evoluir as profissões e as qualificações e, simultaneamente, conhecer as expectativas dos jovens e das famílias.
Temos também de valorizar as competências que a EPT foi construindo ao longo dos anos: os nossos recursos humanos, as oficinas, os laboratórios, os equipamentos e a rede de parceiros.
A oferta formativa não pode ser estática. Uma escola profissional tem de responder ao presente, mas também procurar antecipar as competências que serão necessárias no futuro.
Há novidades na área da Informática?
Sim. Na sequência da revisão do Catálogo Nacional de Qualificações, há uma atualização das qualificações nesta área.
A partir de 2026/2027, passamos a ter Técnico/a de Desenvolvimento de Software e Técnico/a de Sistemas de Computação e Redes, acompanhando a evolução dos perfis profissionais ligados às tecnologias de informação.
É uma atualização importante, que acompanha a evolução dos perfis profissionais e das competências exigidas numa área em permanente transformação.
O Centro Tecnológico Especializado de Informática será uma das grandes novidades do novo ano letivo?
Sim. É, naturalmente, um investimento muito importante para a escola. O projeto representa um investimento elegível aprovado de 1.083.566,69 euros, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, destinado à modernização dos espaços, equipamentos e recursos tecnológicos da EPT.
Mas não gostaria de reduzir o Centro Tecnológico Especializado (CTE) de Informática à dimensão do investimento ou aos equipamentos adquiridos. O mais importante é aquilo que estes recursos nos vão permitir fazer do ponto de vista pedagógico.
O CTE vai proporcionar ambientes de aprendizagem tecnologicamente mais avançados, onde os alunos poderão experimentar, desenvolver projetos, resolver problemas e trabalhar com ferramentas e tecnologias mais próximas daquelas que irão encontrar no ensino superior e no contexto profissional.
A aprendizagem prática, experimental e baseada em projetos já faz parte da forma como procuramos trabalhar na EPT. O CTE vem reforçar e criar melhores condições para aprofundarmos esse modelo, permitindo-nos acompanhar a evolução tecnológica e preparar os alunos para competências cada vez mais exigentes.
Há também um desafio que considero fundamental: garantir que este investimento é plenamente aproveitado e tem continuidade no tempo. Isso implica integrar efetivamente os novos recursos nas práticas pedagógicas, promover a atualização dos professores e formadores e acompanhar a permanente evolução tecnológica. Não estamos apenas a investir em tecnologia; estamos a investir na qualidade das aprendizagens e na preparação dos nossos jovens para o futuro.
Que equipamentos e espaços estarão disponíveis no CTE?
O Centro integra computadores e estações de trabalho de elevado desempenho, equipamentos portáteis, servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos de redes e comunicações e software especializado.
Passamos também a dispor de recursos para trabalhar áreas como robótica, Arduino, Internet das Coisas, inteligência artificial e impressão 3D, bem como sistemas de projeção e videocolaboração.
Foram igualmente modernizados e equipados diferentes espaços destinados à formação na área da Informática.
Mas, mais uma vez, o mais importante é a utilização pedagógica destes recursos. Queremos que os alunos possam experimentar, criar, desenvolver projetos, trabalhar colaborativamente e resolver problemas, aproximando as aprendizagens da realidade tecnológica e profissional.
Que importância têm o pessoal docente e não docente na concretização deste projeto?
São fundamentais. Podemos definir bons projetos, investir em equipamentos e criar excelentes
condições, mas são as pessoas que, todos os dias, dão vida à escola.
A EPT conta com professores e formadores experientes, muitos deles com um conhecimento
muito próximo do ensino profissional, dos alunos e das áreas em que desenvolvem a sua
atividade. Essa experiência é particularmente importante num modelo de ensino que exige uma
articulação permanente entre conhecimento, prática, acompanhamento pedagógico e ligação
ao mundo do trabalho.
Mas a escola não se faz apenas dentro da sala de aula. O pessoal não docente desempenha
igualmente um papel essencial, quer no funcionamento quotidiano da EPT, quer no
acolhimento, na proximidade e no acompanhamento dos alunos.
Um jovem é acompanhado em diferentes espaços e momentos da sua vida escolar e, por isso,
todos os profissionais da escola contribuem, com funções e responsabilidades distintas, para o
seu percurso educativo.
Quando falamos da qualidade da EPT, falamos também da experiência, do compromisso e da
dedicação do nosso pessoal docente e não docente.
E temos igualmente a responsabilidade de continuar a investir na sua formação e atualização.
Uma escola que quer acompanhar a mudança tem também de proporcionar às suas equipas
condições para continuarem a aprender, evoluir e inovar.
A EPT assinou um protocolo com a Universidade Politécnica da Guarda e o Município de Trancoso. O que representa esta parceria?
Representa um passo importante na criação de percursos de qualificação mais articulados no nosso território.
Esta parceria traduz uma visão comum de proximidade, cooperação e compromisso com a educação, a qualificação e o desenvolvimento regional.
Para a EPT, representa uma oportunidade de aproximar o ensino profissional, o ensino superior e o tecido empresarial, criando novas oportunidades para os jovens.
Mas queremos olhar para esta relação numa perspetiva mais ampla e duradoura. Os CTeSP são uma primeira concretização importante, mas esperamos que este seja o primeiro de muitos projetos que possamos desenvolver em conjunto.
Quando uma instituição de ensino superior, um Município e uma Escola Profissional partilham uma visão comum, criam-se condições para construir respostas educativas mais fortes e mais articuladas.
Qual é a importância dos CTeSP em Cibersegurança e em Manutenção e Reparação Automóvel?
No âmbito desta parceria, a EPT vai acolher os Cursos Técnicos Superiores Profissionais em
Cibersegurança e em Manutenção e Reparação Automóvel, da Universidade Politécnica da
Guarda.
É importante esclarecer que são cursos da Universidade, acolhidos nas instalações da Escola Profissional de Trancoso no âmbito da parceria estabelecida com a Universidade e o Município.
São duas novas possibilidades de qualificação e de prosseguimento de estudos em Trancoso, em áreas que complementam competências que a EPT já desenvolve.
O que considero particularmente importante é podermos criar novas oportunidades para que os jovens possam continuar a qualificar-se e construir o seu percurso académico e profissional no território.
Que papel têm as empresas neste projeto educativo?
Um papel fundamental. As empresas não são apenas locais onde os nossos alunos realizam a Formação em Contexto
de Trabalho; são parceiros do próprio projeto educativo da escola.
Queremos ouvi-las, perceber como estão a evoluir as profissões, identificar necessidades de
qualificação, promover visitas, sessões técnicas e projetos conjuntos e aproximar cada vez
mais os contextos de aprendizagem da realidade profissional.
Mas a relação da EPT com o tecido empresarial é muito mais ampla e faz parte da própria
identidade do ensino profissional. Uma Escola Profissional tem de estar próxima das empresas, mas essa relação deve ser de diálogo e de construção conjunta.
O ensino profissional prepara apenas para o mercado de trabalho ou também para o prosseguimento de estudos?
Prepara para ambas as possibilidades. Uma das grandes características do ensino profissional é a preparação para uma integração qualificada no mercado de trabalho. Mas isso não significa fechar portas ao prosseguimento de
estudos.
A formação técnica é fundamental, mas a nossa missão educativa é mais ampla. Queremos formar jovens autónomos, responsáveis, capazes de trabalhar com os outros, de resolver problemas, de se adaptar à mudança e de participar ativamente na sociedade.
Procuramos também apoiar os alunos nesse momento de decisão, seja na preparação para a entrada no mercado de trabalho, seja na orientação daqueles que pretendem prosseguir estudos. O Plano Anual de Atividades contempla, por exemplo, ações de orientação vocacional para os alunos finalistas.
Queremos que os nossos alunos tenham opções. Uns irão diretamente para o mercado de trabalho; outros continuarão a estudar.
Não queremos formar apenas para uma profissão; queremos ajudar cada jovem a construir o seu próprio percurso.
Ainda existe a ideia de que o ensino profissional é uma segunda escolha?
Essa perceção tem vindo a mudar, mas ainda temos trabalho a fazer.
O ensino profissional não é uma escolha menor; é uma escolha diferente.
Tem uma forte componente prática, uma ligação muito próxima ao mundo profissional e
permite desenvolver competências técnicas, mas também autonomia, responsabilidade,
capacidade de trabalhar em equipa, resolver problemas e adaptar-se à mudança.
E não impede o prosseguimento de estudos.
O mais importante é que cada jovem possa escolher o percurso mais adequado aos seus
interesses, capacidades e projeto de vida.
Como prepara a EPT os jovens para aquilo que vem depois do curso?
Essa preparação começa muito antes do final da formação.
Ao longo do curso, procuramos que os alunos desenvolvam competências técnicas, mas
também competências pessoais e sociais fundamentais para a vida profissional.
A Formação em Contexto de Trabalho permite-lhes conhecer ambientes profissionais reais e a
Prova de Aptidão Profissional permite demonstrar a capacidade de aplicar conhecimentos e
desenvolver um projeto com autonomia. Mas procuramos também trabalhar especificamente a transição para aquilo que vem depois: competências de empregabilidade, procura de emprego, elaboração de currículo, carta de
apresentação e portefólio digital.
E apoiamos tanto os jovens que pretendem ingressar no mercado de trabalho como aqueles que querem prosseguir estudos.
Não queremos preparar um aluno apenas para concluir um curso. Queremos ajudá-lo a preparar aquilo que vem a seguir.
A qualidade é uma preocupação central da EPT. O que representa a renovação do selo EQAVET?
Em janeiro de 2025, a EPT viu renovado, por mais três anos, o selo de conformidade EQAVET.
É um reconhecimento importante do trabalho que temos vindo a desenvolver ao nível da
qualidade da educação e da formação profissional.
Mas, para mim, o mais importante é aquilo que está por detrás desse reconhecimento: uma
cultura de avaliação, monitorização e melhoria contínua.
Significa definir objetivos e metas, acompanhar resultados, ouvir alunos, famílias, pessoal
docente e não docente, empresas e outros parceiros e utilizar essa informação para identificar
aquilo que fazemos bem e aquilo que precisamos de melhorar.
A qualidade não é um resultado que se alcança uma vez; é um processo permanente de
avaliação e melhoria.
Que resultados tem a escola alcançado?
Os resultados são importantes porque nos permitem perceber se aquilo que fazemos está
efetivamente a produzir impacto no percurso dos nossos alunos. Procuramos, por isso,
acompanhar não apenas o seu desempenho enquanto estão na escola, mas também aquilo
que acontece depois de concluírem a formação.
Os dados mais recentes, relativos ao ciclo de formação 2022/2025, mostram uma taxa de
conclusão de 88% entre os alunos que iniciaram o 12.º ano. No acompanhamento realizado
aos finalistas de 2025, 39% encontravam-se empregados e 18% tinham prosseguido estudos,
o que significa que, poucas semanas depois de concluírem a formação, 57% já estavam
inseridos no mercado de trabalho ou tinham dado continuidade ao seu percurso académico.
São indicadores que valorizamos, mas que analisamos também com sentido crítico. A
monitorização dos resultados permite-nos perceber aquilo que estamos a fazer bem, identificar
áreas em que precisamos de melhorar e ajustar a nossa intervenção.
Mais do que olhar apenas para os números, interessa-nos perceber o percurso de cada jovem.
Para nós, o sucesso significa que um aluno conclua a sua formação com competências, autonomia e capacidade para construir o seu futuro, seja através da integração no mercado de
trabalho, seja através do prosseguimento de estudos.
É também essa lógica de acompanhamento, avaliação e melhoria contínua que queremos continuar a reforçar na EPT.
Que importância têm os pais e encarregados de educação no projeto educativo da EPT?
Têm uma importância fundamental. Quando uma família escolhe uma escola para um filho,
está também a depositar confiança nessa escola. Temos consciência dessa responsabilidade.
Queremos que os pais e encarregados de educação saibam que procuramos conhecer e
acompanhar cada aluno, não apenas no seu desempenho escolar, mas também no seu
desenvolvimento pessoal, no seu percurso formativo e na construção do seu projeto de vida.
A educação é uma responsabilidade partilhada e a proximidade entre a escola e a família é
essencial. Nesse acompanhamento, gostaria de destacar o papel de duas estruturas de liderança intermédia particularmente importantes no ensino profissional: o Diretor de Turma e o Diretor de Curso.
O Diretor de Turma assume um papel privilegiado no acompanhamento global do aluno e na
relação de proximidade e diálogo com os pais e encarregados de educação, promovendo a
articulação entre o aluno, a família, os professores e a escola.
O Diretor de Curso desempenha, por sua vez, um papel fundamental na coordenação do
percurso formativo, na articulação entre as diferentes componentes da formação e na ligação
ao mundo do trabalho, nomeadamente através da organização e do acompanhamento da
Formação em Contexto de Trabalho e da relação com as empresas e entidades parceiras.
São funções distintas, mas complementares, que nos permitem acompanhar o aluno de uma
forma mais próxima e integrada, articulando a sua evolução escolar, pessoal, técnica e
profissional.
Procuramos igualmente criar oportunidades de participação das famílias e estabelecer, desde o
acolhimento dos novos alunos, uma relação de proximidade, diálogo e confiança.
Queremos que as famílias sintam que existe uma equipa que conhece e acompanha o
percurso dos seus filhos e que a escola está disponível para trabalhar com elas na procura das
melhores respostas para cada jovem.
. E quando um aluno encontra dificuldades?
Uma escola inclusiva tem de estar atenta aos sinais que cada aluno vai dando. Nem todos os
jovens têm o mesmo percurso e nem todos precisam das mesmas respostas.
Procuramos identificar precocemente situações de dificuldade, acompanhar os alunos, envolver as famílias e mobilizar os recursos existentes na escola.O nosso objetivo é prevenir o abandono e o insucesso, mas sobretudo perceber o que está por detrás das dificuldades e procurar respostas adequadas.
O Projeto Educativo e o Plano Anual de Atividades colocam entre as prioridades da EPT o acompanhamento dos alunos com dificuldades de aprendizagem, a prevenção de comportamentos de risco, o envolvimento das famílias e a promoção da segurança e do bem-estar.
Um aluno não pode ser reduzido a uma dificuldade ou a um resultado escolar. Temos de procurar conhecer a pessoa, reconhecer as suas capacidades e ajudá-la a encontrar um caminho.
A EPT mantém também uma relação de cooperação com São Tomé e Príncipe. Em que consiste essa parceria?
A EPT mantém há vários anos uma relação de cooperação com São Tomé e Príncipe, nomeadamente através do protocolo estabelecido com a ADADER — Associação de Defesa do Ambiente e Desenvolvimento Rural.
Esta parceria tem como objetivo contribuir para a formação e qualificação profissional de jovens são-tomenses, através do desenvolvimento de ações de cooperação no âmbito do ensino e da formação profissional.
Em cada ano letivo, a EPT pode disponibilizar vagas nos seus cursos para jovens provenientes
de São Tomé e Príncipe, criando-lhes a possibilidade de realizarem aqui o seu percurso de
formação e adquirirem uma qualificação profissional.
Há também uma dimensão de acolhimento que considero muito importante. Não se trata
apenas de proporcionar uma formação. Procuramos que estes jovens se sintam acolhidos e
integrados na escola e na comunidade local, assegurando, nas condições previstas no
protocolo, apoios ao nível da alimentação e do alojamento, bem como as condições
necessárias à realização da componente de Formação em Contexto de Trabalho.
Esta cooperação é também enriquecedora para a nossa comunidade educativa. A presença de
jovens provenientes de outros contextos promove a interculturalidade, a partilha de
experiências e o contacto com diferentes realidades.
Uma escola inclusiva é também uma escola capaz de acolher a diferença e de aprender com
ela.
A formação para a cidadania também faz parte da missão da EPT?
Sem dúvida. Uma escola não pode limitar-se a transmitir conhecimentos técnicos. A educação deve
contribuir para formar pessoas capazes de pensar, participar, respeitar os outros e assumir
responsabilidades. Por isso, procuramos proporcionar experiências ligadas à cidadania, ao voluntariado, à cultura,
ao desporto, à inclusão e à participação cívica.
Temos iniciativas como o Parlamento dos Jovens, que promove o debate, a participação e a
consciência cívica, e atividades de voluntariado e solidariedade que colocam os alunos em
contacto direto com a comunidade.
Queremos que os nossos alunos saiam da EPT com uma qualificação profissional, mas
também com valores, capacidade crítica e consciência do papel que podem desempenhar na
sociedade.
Qual é a importância da EPT para Trancoso e para a região?
A escola tem uma responsabilidade que ultrapassa os seus próprios alunos.
Ao longo de 37 anos, formámos jovens, estabelecemos relações com empresas e instituições,
participámos na vida da comunidade e procurámos contribuir para a qualificação das pessoas e
para o desenvolvimento do território.
O nosso Plano Anual de Atividades assume claramente essa abertura à comunidade, através
da participação em iniciativas locais, da cooperação com instituições e do desenvolvimento de
atividades que envolvem diferentes públicos.
Num território do interior, esta responsabilidade ganha ainda maior importância.
Precisamos de criar oportunidades de formação e qualificação, aproximar educação, ensino superior e economia e contribuir para que os jovens possam construir aqui o seu projeto de vida, se essa for a sua opção.
Uma escola não resolve, sozinha, os desafios de um território. Mas pode e deve fazer parte da resposta.
Depois de 37 anos, que EPT gostaria de ver no final deste ciclo do Projeto Educativo?
Gostaria de ver uma EPT ainda mais reconhecida pela qualidade da formação, pelo sucesso dos seus alunos, pela capacidade de inovar e pela ligação ao território. Uma escola tecnologicamente preparada, aberta à inovação, inclusiva e atenta a cada aluno, próxima das famílias, das empresas, das instituições e do ensino superior, mas, acima de tudo, profundamente humana.
Gostaria que, quando chegarmos ao final deste ciclo do Projeto Educativo, possamos olhar para os objetivos e as metas que definimos e perceber que melhorámos os nossos resultados e, sobretudo, que criámos mais e melhores oportunidades para os jovens.
Podemos ter excelentes instalações, equipamentos tecnologicamente avançados e projetos ambiciosos, mas o maior património de uma escola são sempre as pessoas: os alunos, que são a razão de ser da EPT; os professores, formadores e restantes profissionais, que diariamente ensinam, acompanham e fazem a escola acontecer; e as famílias, que nos confiam uma parte tão importante do percurso dos seus filhos.
É com estas pessoas, e com os nossos parceiros e a comunidade, que queremos continuar a construir uma EPT com 37 anos de história, mas permanentemente voltada para o futuro, onde cada jovem seja reconhecido na sua individualidade e encontre condições, acompanhamento e oportunidades para desenvolver as suas capacidades e construir o seu próprio caminho.
Que mensagem gostaria de deixar aos jovens e às famílias que estão a escolher o seu percurso?
Diria, antes de mais, que conheçam as diferentes opções e façam uma escolha informada. O ensino profissional é um percurso exigente, com uma forte componente prática, uma relação próxima com o mundo do trabalho e possibilidade de prosseguimento de estudos.
Na EPT queremos que cada jovem encontre mais do que um curso. Queremos que encontre uma escola onde possa aprender, experimentar, crescer, ser acompanhado e preparar o seu futuro.
Aos pais e encarregados de educação, diria que venham conhecer a escola, conversem connosco, conheçam os cursos, os espaços, os professores e formadores e o projeto educativo.
Quando uma família nos confia o percurso educativo de um jovem, assumimos essa confiança
com responsabilidade.
E aos jovens deixaria uma mensagem muito simples: cada um tem o seu percurso, as suas capacidades e os seus objetivos. A nossa responsabilidade, enquanto escola, é criar condições, acompanhamento e oportunidades para que possam construir o seu caminho.





