Artigo de opinião – Grupo de Reforço de Ataque Ampliado (GRUATA)
Bombeiros das Beiras e Serra da Estrela demonstram capacidade de reforço sem fragilizar resposta no território
O Grupo de Reforço de Ataque Ampliado (GRUATA) das Beiras e Serra da Estrela tem vindo a demonstrar no terreno uma significativa capacidade de mobilização e projeção operacional, reforçando teatros de operações de elevada exigência sem comprometer, em momento algum, o dispositivo que permanece assegurado na sub-região.
Maioritariamente constituído por Bombeiros dos Corpos de Bombeiros do Distrito da Guarda, o GRUATA integra igualmente meios e operacionais dos Corpos de Bombeiros pertencentes ao Distrito de Castelo Branco, mas integrados na Sub-Região das Beiras e Serra da Estrela.
Esta força tem sido mobilizada para diferentes teatros de operações, atuando em diversos
pontos do país, maioritariamente na zona Norte, sempre que a dimensão, a complexidade ou a
evolução das ocorrências exige capacidade adicional de reforço. A sua mobilização tem
evidenciado a capacidade de organização, interoperabilidade e projeção dos Bombeiros das Beiras
e Serra da Estrela para operações de elevada exigência.
Importa, porém, sublinhar uma realidade essencial: a mobilização do GRUATA não
compromete o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) das Beiras e Serra da
Estrela.
Mesmo perante a projeção desta força para apoio a outras regiões, mantém-se no território um
dispositivo operacional capaz de assegurar a resposta às populações. O GRUATA representa, por
isso, uma capacidade adicional, avançada e complementar, permitindo reforçar operações de
maior dimensão sem fragilizar a resposta de proximidade.
Não se retira capacidade ao território para responder fora dele. Acrescenta-se capacidade
àquela que já se encontra garantida.
Esta realidade volta a demonstrar o papel determinante dos Corpos de Bombeiros no sistema
de proteção e socorro português. Pela sua implantação territorial, pela disponibilidade
permanente, pela diversidade das missões que asseguram e pela capacidade de mobilizar
rapidamente recuros, os Bombeiros continuam a constituir a verdadeira coluna vertebral da
proteção civil portuguesa.
Num período em que o país tem vindo a criar e reforçar diferentes estruturas públicas
relacionadas com a prevenção e resposta aos incêndios rurais, importa igualmente olhar para
aquilo que os Corpos de Bombeiros conseguem entregar diariamente ao País e refletir sobre a
forma como o investimento público é distribuído.
Os resultados operacionais demonstram que o investimento nos Corpos de Bombeiros tem uma capacidade multiplicadora particularmente relevante. Reforçar um Corpo de Bombeiros significa reforçar simultaneamente a resposta aos incêndios rurais, à emergência pré-hospitalar, aos acidentes rodoviários, aos incêndios urbanos e industriais, aos salvamentos e a muitas outras missões de proteção e socorro.
É, por isso, legítimo defender que uma parte cada vez mais significativa do investimento
público seja direcionada para o reforço dos Corpos de Bombeiros, estruturas que já existem, estão
implantadas no território, conhecem as suas populações e demonstram diariamente capacidade
para responder.
Viaturas, equipamentos, formação, qualificação e valorização dos operacionais não
representam apenas despesa. Representam capacidade instalada que permanece disponível 24
horas por dia, todos os dias do ano.
O GRUATA das Beiras e Serra da Estrela constitui um exemplo concreto dessa capacidade:
recursos humanos e materiais podem ser projetados para reforçar ocorrências de elevada
dimensão e exigência, enquanto o dispositivo territorial continua a garantir a necessária
capacidade de resposta às populações.
É esta capacidade de estar, responder, reforçar e continuar disponível que deve ser
reconhecida.
Os Bombeiros não pretendem substituir outras entidades nem diminuir o contributo de
ninguém. Pretendem que o investimento público reconheça adequadamente aquilo que
representam, aquilo que fazem e a extraordinária capacidade que colocam diariamente ao serviço
das populações.
Reforçar os Bombeiros não exige criar uma nova estrutura. Significa investir numa capacidade
que já existe, está implantada no território, responde todos os dias às populações e continua disponível quando o país precisa de reforço.
Federação dos Bombeiros do Distrito da Guarda





