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AF Viseu – António Loureiro desiste da candidatura

AF Viseu – António Loureiro desiste da candidatura

Em Comunicado, António Loureiro apresenta as razões de não seguir em frente com a sua candidatura à liderança da AF Viseu.

“Quando, no início de Fevereiro, anunciei publicamente a candidatura à Associação de Futebol de Viseu (AFV), no próximo ato eleitoral para o quadriénio 2024-2028, fi-lo porque um reduzido grupo de pessoas influentes na sociedade civil, outras ligadas ao futebol, ao futsal, ao futebol de praia e alguns amigos, me incentivaram a dedicar algum do meu tempo empresarial e pessoal a favor de uma causa maior no distrito o futebol e tudo o que a esse desporto está ligado. Entendi fazê-lo, porque consegui reunir uma equipa de gente capaz, competente, com imensas provas dadas na AFV e na região, mulheres e homens que entendem que o desporto deve ser um fator de inserção, de igualdade, de participação na vida social, de tolerância, de ética, de aceitação das diferenças e de respeito pelas regras.
Com essa equipa de pessoas elaborámos um programa para o futebol, futsal e futebol de praia distrital, que acreditamos que seria capaz de catapultar a pobreza do panorama atual para excecionais níveis de referência nacional.
Finalmente, fi-lo, porque adoro e vivo intensamente o futebol como desporto de todos para todos.
Porém, no decurso do processo administrativo da candidatura, fui confrontado com uma série de obstáculos, de interesses pessoais, de motivações políticas e de chantagem emocional com as quais não quero e não posso pactuar, razão pela qual, nesta data, manifesto publicamente a minha desistência da candidatura à AFV.
Faço-o, no respeito das minhas convicções pessoais e princípios éticos pelos quais sempre me pautei,
contrariamente a alguns dos supracitados “influentes” na sociedade que, tão insistentemente, me motivaram a assumir o desafio. Faço-o, porque aqueles que me impulsionaram para a mesma, com o argumento de que era necessária uma alternativa ao atual estado da arte, em particular dois conhecidos dirigentes partidários distritais, defensores da necessidade de uma limpeza política da AFV, são hoje, ao que consta categoricamente, membros candidatos aos órgãos sociais da lista adversária. Sven-Goran Eriksson, que luta contra um cancro e que ainda vai este mês, aos 75 anos, conseguir cumprir o sonho de orientar o Liverpool num jogo de lendas, dizia que “há mais política no futebol do que na política” e, pelos vistos, na AFV, continuará a haver mais interesses políticos que vontade de promover o desporto no distrito.
Não faço tal afirmação sobre esses “influentes”, que a seu tempo serão conhecidos, de ânimo leve, até porque detenho em minha posse mensagens escritas, onde esses dirigentes do PSD e PS tanta crítica negativa expressaram à atual direção da AFV, para agora integrarem a lista opositora. São visíveis na página da candidatura “Transparência-Dedicação-Proximidade” várias fotografias onde o candidato surge ao lado de um Presidente de Câmara PSD ou de um Vice-presidente de Câmara PS, ilação suficiente para que se entenda da promiscuidade futebol-política que, esses mesmos que agora promoveram esse encontro, antes o condenavam por ética e desportivamente inaceitáveis. Por continuar a manter esse princípio de valor de que essa relação é tóxica para o desporto onde queremos formar os nossos jovens, não serei capaz de lidar com essa situação e, sobretudo, com os interesses pessoais que estarão por detrás dessa relação. A seu tempo saberemos o porquê e não demorará muito para se perceber a razão de tal casamento por procuração.
Abdico, agradecendo a todos os Clubes que me manifestaram apoio e incentivaram a fazer diferente do que está e não está a ser feito na AFV, porque não os quero colocar perante um ambiente de pressão institucional, de asfixia financeira ou de chantagens de várias ordens, amordaçados que estão na sua dependência com a política e especialmente, por parte de alguns políticos que os usam como sindicatos de voto. Os Clubes do distrito estão reféns dos interesses pessoais instalados na atual Direção da AFV que os manipula, ilude e engana, usando vários estratagemas de completa desonestidade intelectual e desportiva e a coberto de uma magistratura de influência política.
A “Transparência” que se continua a defender na AFV faz com que, ainda hoje, não sejam conhecidos os contornos do processo de um Clube que se viu privado da participação numa prova nacional e do que daí resultou, se é que resultou algum ato do processo administrativo interno!? Ou que conclusões ou responsabilidades daí foram retiradas!? A Transparência é de tal ordem que, no mesmo dia, em pleno uso de recursos da AFV, no mesmo momento em que assinam contratos-programa com os clubes, aproveitam a ocasião para fazer campanha à candidatura, confundindo o que são serviços associativos com atividades de campanha. Transparência tal que, num momento, defendem a ética junto dos Clubes e, no instante seguinte, o professor da ética posa para a fotografia comprometedora do apoio do clube à candidatura. Transparência até na forma ardilosa e mal-intencionada como comprometeram os Clubes e dirigentes, apresentando a ficha compromisso como sendo uma mera folha de presença, ludibriando assim o processo administrativo e retirando a esses Clubes a necessária liberdade de escolha para as proposituras que desejassem subscrever.
A “Dedicação” também tem que se lhe diga, sobretudo, agora que se sabe que até o cargo do presidente da direção virá a ser remunerado! Tanta dedicação que várias foram as demissões pedidas por elementos da direção ao longo do mandato. Tanta dedicação que o Tribunal, em breve, dirá quanto valeu à AFV o despedimento da funcionária ou o recurso administrativo de um Clube da AFV. Tanta dedicação que até a relva da Academia deixam queimar por falta de rega na altura adequada, revelando a incompetência que ali se instalou. Tanta dedicação que, noutros tempos, um elemento do Conselho de Arbitragem, agora com outras funções diretivas, exigiu que lhe fosse paga a quantia de 200€ para realizar as nomeações que lhe cabiam por voluntária responsabilidade.
O único chavão onde não restam dúvidas é na “Proximidade”. Basta atentar que, depois de tanta dúvida sobre a utilidade da Academia Distrital de Futebol, a última fotografia ali tirada e as declarações dos ilustres visitantes candidatos a deputados socialistas são esclarecedoras da importância da mesma. Proximidade que, em breve com a mais que certa candidatura à FPF do presidente da Liga de Clubes se verá do que valeu.
Proximidade que hoje é inibidora da independência dos Clubes que estão reféns desta promiscuidade. Assim, não há VAR que, no ano da Cidade Europeia do Desporto, seja guardião dos valores da verdade e dos valores maiores do futebol distrital, pelo que não serei eu, o árbitro sacrificado para validar um resultado já combinado nos balneários partidários.
Quero, a finalizar, agradecer à equipa que comigo acreditou e vivenciou mais do que aqui fica dito e reconhece que o nosso trabalho valeu pelo contributo de ideias que preconizámos e que deixamos ao favor dos Clubes e da próxima direção da AFV, se os quiser e souber pôr em prática. Abdico da candidatura porque não devo nem posso colocar a equipa de pessoas que em mim confiou perante este doentio ambiente, onde o que prima é a falta de “coluna vertebral” e a total ausência de valores e de princípios éticos que o futebol deve cultivar, a favor da formação de jovens cada vez mais saudáveis e cidadãos plenos numa democracia madura e séria.
Aos Clubes deixo votos dos maiores sucessos e a esperança de que “ganhem voz” e se consigam livrar das amarras que, no ano em que se comemoram 50 anos de liberdade os mantêm na masmorra dos interesses mesquinhos, pessoais e políticos de uns quantos que não vivem para o futebol, mas sim do futebol”.
António