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Artigo de Ana Carolina Marques—-Rastreios Auditivos – Importância destes no desenvolvimento das crianças

Quando fechamos os olhos, são vários os sons que nos rodeiam e imensos os que têm importância na nossa vida. Como seria se tivéssemos de viver sem acesso aos sons? E se esta realidade afetasse o seu filho ou alguém que lhe é querido?

A audição é um dos sentidos mais importantes. É considerada a chave para a linguagem oral e um motor para se sentir o mundo. Quando não existe exposição à linguagem nos primeiros anos de vida, a criança vai apresentar discrepâncias ao nível do desenvolvimento linguístico. A prevenção da perda auditiva é uma das medidas a adotar e consequentemente impedir que a falta de estimulação auditiva influencie a linguagem.

Os primeiros dois/três anos de vida são cruciais para o desenvolvimento da audição e da linguagem e por isso são denominados como “período crítico” devido à maior plasticidade neuronal. Nesta fase, podemos efetuar modificações (positivas ou não) que variam com a quantidade e qualidade dos estímulos fornecidos. Uma audição normal é essencial para uma correta aquisição e desenvolvimento da linguagem, daí a importância da deteção precoce da perda auditiva e consequente reabilitação (antes dos seis meses de idade).

Atualmente já são conhecidos alguns fatores de risco que podem levar a perdas auditivas/surdez, nomeadamente os antecedentes familiares com surdez, as infeções congénitas (eg. citomegalovírus e rubéola), as malformações craniofaciais, a meningite bacteriana, as síndromes, as convulsões neonatais, as otites médias recorrentes e o APGAR de 0 a 4 no 1º minuto ou de 0 a 6 no 5º minuto.

A deteção e intervenção precoce na perda auditiva permite que melhores resultados sejam obtidos e que a criança aproveite o seu potencial ao nível da fala, linguagem mas também das competências sociais. Esta deteção precoce é possível através do Rastreio Auditivo Neonatal Universal (nas primeiras 12 horas de vida) que pretende identificar eventuais perdas auditivas nos recém-nascidos através das Otoemissões Acústicas. Estas emissões testam a reação do ouvido interno ao som, sem implicar uma resposta por parte do bebé que está a ser rastreado. É um teste simples, rápido, não invasivo, de grande sensibilidade e especificidade.

A perda auditiva é responsável pelo atraso no desenvolvimento da linguagem e tem graves consequências no desempenho académico da criança. Com o diagnóstico efetuado precocemente, as consequências podem ser minimizadas com intervenção precoce e com a utilização das ajudas técnicas disponíveis. Portanto, a deteção precoce, imediatamente após o nascimento tem grandes possibilidades de melhorar a qualidade de vida dos bebés e respetivas famílias.

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

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