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Artigo de Luís Condeço—Quente e Frio – cuidados a ter no Inverno

Artigo de Luís Condeço—Quente e Frio – cuidados a ter no Inverno

Autor

Luís Miguel Condeço

Professor na Escola Superior de Saúde do IP da Guarda

Pag.8-foto-para-artigo-Luis-Condeco-587x1024 Artigo de Luís Condeço---Quente e Frio – cuidados a ter no InvernoNo passado dia 21 de dezembro, pelas 21 horas e 47 minutos ocorreu o Solstício de inverno, evento astronómico que marca o início da estação mais fria do ano – o Inverno. Este momento em que o sol se posiciona mais a sul do planeta, também se chama de “inverno boreal” no hemisfério norte, e caracteriza-se pelo dia com a noite mais longa.

Estes factos meteorológicos são do conhecimento geral das populações circundantes da cidade mais alta do país, a Guarda, que além de Farta, Forte, Fiel e Formosa, é também – Fria, registando-se temperaturas médias máximas de 8ºC e mínimas de 1ºC no mês de janeiro, com as noites a rondar os -5ºC de temperatura média.

As temperaturas negativas ou quase negativas do inverno são já habituais para as gentes do distrito da Guarda, contudo vale sempre a pena relembrar que esta variação climática é a causa de agravamento de doenças e problemas de saúde.

A proteção do frio em segurança deve ser uma preocupação de todos, mas com especial cuidado para os grupos mais vulneráveis:

– Adultos com mais de 65 anos;

– Recém-nascidos e crianças com menos de 5 anos de idade;

– Pessoas portadoras de doença crónica;

– Pessoas com carências económicas;

– Grávidas;

– Pessoas com doença mental.

Em geral, devem ser adotados comportamentos preventivos: 1) evitar sair de casa nos períodos em que a temperatura do ar atinge o seu mínimo (no caso dos grupos vulneráveis, estes devem manter-se em locais abrigados e solicitar a familiares a entrega de alimentos, medicamentos e outros bens); 2) adequar o vestuário ao local onde se encontram, usando várias peças de vestuário e que não restrinjam a mobilidade (facilita a circulação sanguínea); 3) utilizar calçado confortável, quente, com boa aderência ao piso (que por vezes pode ser escorregadio) para evitar quedas; 4) proteger adequadamente as extremidades do corpo (a cabeça com gorro e cachecol / as mãos com luvas); 5) hidratar adequadamente a pele mais exposta às baixas temperaturas; 6) reforçar a hidratação corporal com a ingestão de líquidos, preferencialmente líquidos quentes como os chás e as sopas; 7) a ingestão de bebidas alcoólicas deve ser evitada; 8) ingerir por dia pelo menos 5 refeições onde estejam incluídos legumes e frutas; 9) o exercício físico deve ser mantido, desde que não seja intenso e no exterior quando está muito frio.

A adequação de comportamentos e atitudes a adotar devem ter em conta o local onde as pessoas se encontram: se no exterior, e tendo em conta a circulação automóvel, os cuidados devem incidir nas manobras em segurança perante o piso escorregadio devido à neve ou ao gelo, devendo a temperatura dentro do veículo ser amena e confortável; se em um espaço interior, domicílio ou local de trabalho, recomenda-se:

  • O espaço deve ser ventilado e arejado, permitindo a regeneração do ar, nos períodos em que a temperatura exterior é mais elevada. Depois, devem as portas e janelas estar bem fechadas, evitando correntes de ar;
  • Se estiver com pessoas dos grupos vulneráveis, a temperatura ambiente deve se mantida perto dos 18ºC. No caso de indivíduos saudáveis, aceitam-se temperaturas inferiores desde que se sintam confortáveis;
  • Verifique o normal funcionamento dos equipamentos de aquecimento antes de os usar e certifique-se que tem um abastecimento suficiente (lenha, gás, eletricidade ou outros) para estes equipamentos;
  • Mantenha as crianças e idosos, longe dos equipamentos de aquecimento, de modo a evitar queimaduras, assim como, materiais potencialmente inflamáveis de modo a evitar incêndios;
  • Os equipamentos de aquecimento exterior não devem ser utilizados no interior das habitações, ou vice-versa;
  • Se utilizar lareiras, braseiras, ou equipamentos a gás, mantenha o local bem ventilado de modo a evitar a acumulação de gases nocivos como o monóxido de carbono. Segundo o Instituto Nacional de Emergência Médica, a inalação deste gás foi responsável pela morte de 42 pessoas entre 2012 e 2018, em Portugal;
  • Quando aquecer a cama, se utilizar botija de água quente nunca se deite sem a retirar antes, pois o rebentamento das botijas de água quente é responsável por queimaduras nos pés e membros inferiores, com necessidade de hospitalização. Se utilizar cobertores elétricos, deve sempre desligá-lo antes de se deitar;
  • Nunca saia de casa, sem se certificar que desligou todos os equipamentos de aquecimento.

A utilização inadequada de fontes de calor e equipamentos de aquecimento nos períodos de inverno, é por vezes mais nociva e de risco, que a exposição a baixas temperaturas.