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Artigo de Luís Miguel Condeço—Bom Ambiente

 

 

Autor

Luís Miguel Condeço

Professor na Escola Superior de Saúde de Viseu

 

Foi em 1972, que a Organização das Nações Unidas (ONU) começou a alertar para a problemática ambiental, na sua Assembleia Geral realizada em Estocolmo sob o tema do Ambiente Humano.

Passados mais de cinquenta anos, esta temática não poderia estar mais atual. As cheias no Brasil, o calor na Índia ou o degelo glaciar são preocupações reais, da população mundial e que atribui cada vez mais significado ao Dia Mundial do Ambiente. Este ano, a ONU quer realçar as preocupações com o restauro da terra, a resiliência à seca e à desertificação.

 Hoje, nem só o Chile, a Arábia Saudita ou a Etiópia enfrentam problemas relacionados com a degradação, desertificação e seca, também na Europa há países com esse risco, e um deles é Portugal (segundo a Quercus, 36% do território nacional já está a sofrer com a desertificação). Este é um sério desafio ao desenvolvimento sustentável e à capacidade de sobrevivência de vários povos nas regiões mais remotas do planeta.

O Homem necessita de terras capazes de produzir alimento para a sua população, contudo, a crescente perda de terrenos férteis causada pela ação humana e pelas alterações climáticas têm o potencial de alterar a forma como milhares de milhões de pessoas irão viver, tanto agora como no final deste século. O aquecimento global significa que a desertificação representa um desafio não só na Europa ou em África, mas em todo o mundo, especialmente nas terras secas existentes. O crescimento exponencial da população mundial permite o aumento das áreas dedicadas à agricultura intensiva, que geralmente acaba por destruir os solos, quer pela irrigação excessiva, quer pelo desaparecimento dos aquíferos (como tem vindo a acontecer no nosso país).

A United Nations Convention to Combat Desertification (Convenção para o combate à desertificação da ONU) tem promovido a adoção de medidas que evitem, reduzam e invertam a desertificação, de acordo com os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável estabelecidos na Agenda 2030 das Nações Unidas.

Atualmente, crises climáticas e/ou ambientais como a destruição da natureza, a perda da biodiversidade, a poluição e a problemáticas dos resíduos, devem servir de mote à evocação do Dia Mundial do Ambiente. Mas não só, pois sabemos, que o restauro da natureza permite aumentar os meios de subsistência e reduzir a pobreza, além de aumentar o armazenamento de carbono, retardando as alterações climáticas. Segundo a ONU, as ações de restauro da natureza de pelo menos 15% têm a capacidade para evitar a extinção cerca de 60% de espécies ameaçadas, constituindo um apelo à proteção e revitalização de ecossistemas em todo o mundo. Podem ser restaurados milhares de milhão hectares de terras.

Perto de 500 milhões de pessoas vivem em regiões que sofrem de desertificação há mais de 40 anos, e são afetadas negativamente pelas alterações climáticas, que trazem consigo os problemas económicos, sociais e ambientais já existentes (agravamento dos problemas de saúde, escassez de água, défice alimentar, perda de biodiversidade catástrofes naturais).

O combate à desertificação delineado pela ONU, exige estratégias integradas a longo prazo que se centrem em:

– Melhorar as terras já degradadas;

– Reabilitar e conservar os terrenos férteis e onde se pratique agricultura sustentável;

– Gerir de forma sustentável os recursos terrestres e hídricos.

A degradação das terras deve ser abrandada, cabendo aos governos e instituições governamentais promover a vigilância e monitorização de práticas que podem contribuir para as alterações climáticas. Todos nós, produtores ou consumidores temos de alterar comportamentos, pois só temos um planeta.

Deve ser um desígnio conjunto, aconselhar e apoiar o desenvolvimento, a adoção e a avaliação de políticas concebidas para garantir que todos os ecossistemas terrestres do mundo não só sobrevivem, como prosperam, apoiando o bem-estar das gerações presentes e futuras.

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