Artigo de opinião de Sara Morais- A Hipnoterapia e as férias: porque o descanso favorece a mudança
A Hipnoterapia e as férias: porque o descanso favorece a mudança
Este período do ano é, para muitos, um dos mais aguardados. Não apenas pela intensidade do sol, cuja presença parece influenciar o humor, os ritmos biológicos e a disposição psicológica, mas também porque representa aquilo que milhões de pessoas anseiam ao longo de meses de trabalho: as férias.
Se pudéssemos perscrutar os pensamentos dos leitores nesta altura do ano, provavelmente encontraríamos uma mente repleta de expectativas, imagens e pequenas regras internas que alimentam a motivação para chegar às férias – heurísticas – atalhos mentais que nos ajudam a antecipar o futuro e a atribuir significado às experiências. Expressões como “ vale a pena esperar”, “depois de tanto esforço, mereço descansar” funcionam como verdadeiros motores que sustentam a esperança, organizam o comportamento e ajudam a suportar períodos prolongados de esforço.
Curiosamente, este período encarado como pausa representa uma oportunidade privilegiada para interromper automatismos, recuperar recursos físicos e emocionais e criar as condições necessárias para consolidar novos hábitos.
Do ponto de vista biológico, quando deixamos de viver em constante antecipação de prazos, reuniões, responsabilidades e decisões sucessivas, o organismo recupera um equilíbrio mais adaptativo entre o sistema de ativação de resposta ao stress e de recuperação. A qualidade de sono melhora, a frequência cardíaca estabiliza, a tensão muscular diminui e o cérebro dispõe de mais recursos para funções como a criatividade, a memória, a capacidade de concentração e a regulação emocional.
Paralelamente, se pensarmos no cérebro como uma máquina de previsão que ao longo dos meses aprende que determinado contexto ( trabalho, trânsito, notificações, horário de almoço, sofá ao fim do dia) exige determinadas respostas. Nas férias, esse modelo preditivo deixa de encaixar na realidade e quebra o ciclo automático entre o contexto e o comportamento. E, é precisamente nesta fase que se abre uma janela de oportunidade para interromper muitos dos comportamentos que acontecem no chamado piloto automático, como por exemplo: comer por ansiedade ao final do dia, verificar constantemente o telemóvel, adiar atividade física, uma vez que deixam de ser desencadeados com a mesma intensidade devido à mudança da realidade ainda que temporária.
A Hipnoterapia pode potenciar e auxiliar este momento de transição. Um cérebro menos sobrecarregado, com maior flexibilidade cognitiva, encontra-se mais disponível para aprender novas formas de responder às emoções, reinterpretar experiências e consolidar padrões comportamentais mais saudáveis. Em vez de encarar as férias apenas como uma pausa, podemos entendê-las como um período de reorganização mental e emocional: um momento em que o descanso não serve apenas para recuperar energia, mas também, para criar um espaço para desenvolver novas escolhas e novos hábitos.
Sara Morais
Hipnoterapeuta





