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Avisos e Liturgia do 13º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

a)         A narração evangélica deste Domingo é muito interessante. Narra-nos dois milagres de uma maneira surpreendente e isto acontece em todos os três evangelhos sinópticos. As “beneficiárias” dos milagres são duas mulheres em situações diferentes, mas que simbolizam a debilidade e a necessidade extremas. Uma é já adulta com uma doença que, segundo a lei, a considerava impura e tornava impuros todos aqueles que lhe tocassem. Cheia de vergonha por uma doença da qual não tinha culpa, aproxima-se discretamente de Jesus. A outra é uma menina que acabava de morrer, expressão de situação de debilidade extrema, que origina um sofrimento atroz e quase sem consolo e também que provoca, por vezes, perguntas angustiantes sobre o porquê e o sentido destas situações. Como em todos os milagres, estas duas mulheres são um exemplo de todos os que eram abandonados e marginalizados; são a expressão da nossa humanidade débil e mortal, apesar de todos os avanços da modernidade. Em ambos os casos, há uma aproximação, quase desesperada, a Jesus que fala da fé, da paz, da liberdade, da vida. À mulher, diz-lhe: “Minha filha, a tua fé te salvou”. Ao pai da menina, diz-lhe: “Não temas; basta que tenhas fé”.

 

b)        Que lição a tirar destes milagres? Há uma frase no evangelho que causou escândalo: “A menina não morreu; está a dormir”. Disse o mesmo, quando Lázaro estava morto (Jo 11, 11). Jesus olha para lá do nosso horizonte. A morte visível não é a morte autêntica. A verdadeira morte é aquela da qual já não se pode recuperar, a “segunda morte”, segundo o Apocalipse. A menina está a dormir; por isso, pode ser acordada. É assim que Jesus olha para a humanidade que é débil, sujeita a toda a espécie de dificuldades e de indignidades, mas que se pode recuperar; está somente adormecida. É o olhar mais nobre que se pode ter sobre o nosso mundo débil e terrível. O alvoroço das pessoas que choravam e gritavam em casa da menina é a voz daqueles que têm uma visão negativa, dizendo que o homem não tem solução e ainda se riem de quem diz o contrário. São a expressão da nossa pós-modernidade, tão decepcionada por sublimes ideologias e estilos de linguagem e tão insegura, olhando para um futuro incerto e ameaçador; são os “profetas das calamidades”, como dizia João XXIII. Jesus dá a paz e a esperança. Esta humanidade não está morta, só está adormecida. Ele vem para a despertar. S. Marcos salienta este despertar com uma das poucas expressões aramaicas do Evangelho: “Talitha Kum”, que significa: “Menina, eu Te ordeno: levanta-te”. Jesus veio para dar a mão e levantar a mulher marginalizada e oprimida por todos, veio ao encontro dos fracos e da humanidade rendida ao desespero e ao beco sem saída.

27-06-2021

c)         A narração da menina morta e ressuscitada recorda-nos a morte e a ressurreição de Jesus. A frase “Não temas; basta que tenhas fé”, recorda-nos a oração no Jardim das Oliveiras, na noite da agonia. Tanto na casa da menina como na noite da agonia, Jesus leva consigo os mesmos três discípulos. Na casa da menina e na cruz, riram-se dele. Mas, o resultado final é a vida. É esta a grande novidade do Evangelho. Jesus recupera pessoalmente a vida e entrega-a aos outros: na cruz, dá-se totalmente a Deus e aos homens, fazendo, assim, a passagem para a ressurreição. “Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza” (2ª Leitura). A humanidade débil e deprimida levanta-se pela fé. Jesus, vítima até à morte, encontrou a vida com o seu perdão e com a sua doação amorosa ao Pai. A imagem de Jesus dando a mão e levantando a menina morta é o sinal de Jesus dando à humanidade deprimida a única coisa que a poderá recuperar: a fé. Acreditar em Deus, Senhor da Vida e do Amor, é o único caminho para nos erguermos, para perder o medo e encontrar a liberdade, a paz e a vida. Jesus, “adormecido” na Cruz, despertou para a vida e desperta-nos para o amor, para a paz e para a esperança.

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano B - Tempo Comum - 13º Domingo - Boletim Dominical II

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