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Avisos e Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Depois de tudo o que aconteceu na Galileia, ou seja, a falta de fé de algumas pessoas, o abandono de muitos dos que O seguiam e a aversão, cada vez maior, dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas, Jesus toma consciência da sua paixão e morte. “Tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito”. É vontade do Pai que Jesus entregue a vida e Ele está disposto a iniciar este caminho. A vontade do Pai era revelada nas suas palavras, “era um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia” (1ª leitura). Depois da profissão de fé de Pedro, “Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos…”. Talvez, estivesse a precisar de sentir o apoio e o afecto dos seus discípulos; por isso, faz-lhes esta confidência e prepara-os, para que possam assumir e compreender o escândalo da cruz à luz da ressurreição: “tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”.

Jesus tinha perguntado aos seus discípulos sobre a sua identidade: “Quem dizem os homens que Eu sou?”. Pedro, como verdadeiro discípulo, confessou a sua fé, afirmando que Jesus é o Messias. Mas, agora, a sua atitude é diferente, deixa de ser discípulo, convencido que é capaz de ensinar o próprio mestre. Toma a iniciativa de tomar Jesus à parte para o contrariar. Pedro estava ainda fascinado pela ideia de um messianismo terreno caracterizado pelo poder. “Tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!”. Ainda não entende o sofrimento que supõe a entrega da vida por amor. A atitude de Pedro é totalmente humana. Gosta tanto de Jesus que não quer que Ele sofra por nada deste mundo. Ainda não descobriu que Jesus está a cumprir a vontade do Pai e não entende um Messias como servo a entregar a vida por amor. A tentação aborda Jesus através de uma pessoa próxima e amiga.

30-08-2020

“Jesus voltou-se para Pedro” e mudou o semblante e o tom de voz. Agiu com dureza porque sentiu a presença próxima do tentador. Aquele que antes se tinha revelado como um bom discípulo recebendo de Deus a novidade do messianismo de Jesus, agora é utilizado por Satanás para tentar Jesus a afastar-Se do plano que o Pai Lhe tinha confiado. Jesus pede a Pedro que ocupe novamente o seu lugar como discípulo. Com amor, quer arrancar Pedro da influência do Maligno e colocá-lo nas mãos de Deus, na rota do discipulado. Para Jesus, Pedro estava a ser um obstáculo porque ainda não tinha entrado no pensamento de Deus. Pensar como Deus, discernir a sua vontade, é fruto da graça e da aprendizagem. Paulatinamente, o discípulo vai fazendo uma conversão da sua mentalidade, como afirma S. Paulo, na segunda leitura: “Transformai-vos pela renovação espiritual da vossa mente”. Reflectindo e conhecendo Jesus pelo Evangelho, vamos descobrindo e acolhendo o seu modo de pensar e de agir, adquirindo gratuitamente o modo de pensar de Deus.

Finalmente, Jesus diz-nos que o sofrimento não é só para o mestre, mas que será um companheiro fiel de quem quiser seguir o Mestre. Viver em doação por amor aos outros supõe este incómodo mas fecundo companheiro de viagem: “Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”. Neste domingo, S. Paulo recorda-nos que ser discípulo de Jesus supõe uma vida de sofrimento. Somos convidados a viver uma liturgia existencial, na qual, como vítimas agradáveis a Deus, nos oferecemos a Ele.

 

«Não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens»

 

Quando o Senhor impõe ao homem que quer segui-Lo que renuncie a si mesmo, achamos que os seus mandamentos são difíceis e duros de ouvir. Mas, se aquele que ordena nos ajuda a cumprir o que ordena, então esses mandamentos deixam de ser difíceis e penosos. É igualmente verdadeira aquela outra palavra saída da boca do Senhor: «O meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mt 11,30). Com efeito, o amor suaviza o que os preceitos podem ter de penoso. Conhecemos todas as maravilhas que o amor pode realizar. Que dificuldades não enfrentaram os homens, que condições de vida indignas e intoleráveis não suportaram para atingirem o objecto do seu amor! Porque nos admiramos se aquele que ama Cristo e quer segui-Lo renuncia a si mesmo para O amar? Porque, se o homem se perde amando-se a si mesmo, deverá sem dúvida alguma encontrar-se renunciando a si mesmo.

Que homem se recusaria a seguir Cristo até à morada da felicidade perfeita, da paz suprema e da tranquilidade eterna? É bom segui-Lo até aí; mas é preciso conhecer o caminho para lá chegar. O caminho parece-te cheio de asperezas, repugna-te, não queres seguir a Cristo. Vai atrás dele! O caminho que os homens traçaram é pedregoso, mas foi aplanado quando Cristo o percorreu ao voltar ao Céu. Que homem se recusaria, pois, a avançar em direcção à glória?

Todos gostamos de nos elevar até à glória, mas temos de o fazer pela escada da humildade. Porque levantas o pé acima da tua própria altura? Quererás cair em vez de subir? Começa pelo primeiro degrau: já começaste a subir. Os dois discípulos que diziam: «Senhor, permite-nos que, no teu Reino, nos sentemos, um à tua direita e outro à tua esquerda» não deram atenção à escada da humildade. Visavam o cume, mas não viam os degraus. Mas o Senhor mostrou-lhos. Na verdade, o que foi que Ele respondeu? «Podeis beber do cálice que Eu vou beber? (Mc 10,37-38) Vós que desejais atingir o cume das honras, podeis beber o cálice da humildade?» Foi por isso que Ele não Se limitou a dizer, de uma maneira genérica: «Renuncie a si mesmo e siga-Me», mas acrescentou: «Tome a sua cruz e siga-Me». (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona, norte de África, doutor da Igreja, Sermão 96)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

 Ano A - Tempo Comum - 22º Domingo - Boletim Dominical II

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