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Avisos e Liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

As leituras deste Domingo podem ser apresentadas como um guião para uma melhor compreensão de Deus. Em primeiro lugar, o belíssimo texto evangélico salienta o desejo que todos temos de sermos fiéis ao amor de Deus. “Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?”, ou seja, para viver o amor de Deus. A resposta de Jesus é muito clara e perspicaz: vive a vida que Deus te propõe, procura ser imagem viva de Deus. O que fazer? Pois, ama os outros. Respeita a sua vida, a sua dignidade, a sua integridade e cuida dos teus pais e de todos que te são mais próximos. Porém, Jesus diz ainda o seguinte: não dependas das tuas próprias seguranças, não sonhes ser rico para te sentires seguro e robusto, não permitas que a riqueza seja o mais importante para ti. Confia em Deus e Deus será o teu tesouro: “terás um tesouro no Céu”. Também não podemos esquecer dois gestos de Jesus: “Jesus olhou para ele (o jovem rico) com simpatia”, ou seja, com afecto. Jesus olha-me, com afecto, com amor. Como é bom sentir-me amado por Jesus, por um Jesus que me fala pessoalmente. O segundo gesto é o chamamento: “Depois, vem e segue-me”. É verdade, Jesus diz-me: “Segue-me”. Jesus faz-nos um convite pessoal para ir com Ele. É um convite amável, quase íntimo, que me convida a segui-Lo com plena confiança. Ele ensinar-nos-á que não ninguém melhor que Deus.

Este Deus ama-me tanto que escutará a minha súplica de querer ser sua imagem. Recordemos aquela frase de Jesus: “quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!” (Mt 7,11). A primeira leitura diz-nos claramente o que devemos pedir a Deus: prudência e Espírito de sabedoria. Foi bom Jesus ter-nos convidado a deixar as nossas seguranças para obter a Sabedoria, o próprio Deus; diante Dele as riquezas não são nada. A Sabedoria é mais valiosa do que as pedras preciosas e do que todo o ouro e a prata do mundo. É mais valiosa do que a saúde e a beleza. Como é bom ter esta sabedoria! A segunda leitura convida-nos a acolher a Palavra de Deus que é viva e eficaz, “e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração”, é uma palavra que me conhece melhor do que eu mesmo, uma palavra que toma uma forma humana na pessoa de Jesus de Nazaré. Através da sabedoria, através da Palavra, Deus chama-me pelo meu nome, mas, muitas vezes, nada respondo, ou seja, não quero ser sábio, faço-me surdo a tudo o que Deus me quer dizer. Cada um bem sabe as resistências que coloca ao chamamento de Deus! Deus chama-me pelo meu nome, porque me conhece, mas muitas vezes não o quero ouvir.

A resposta de Jesus ao jovem rico deixou-o desconcertado. Aquele jovem queria seguir Jesus! Os discípulos também ficaram surpreendidos, porque tinham deixado tudo para seguir o Mestre. Por isso, comentavam entre si: “Quem pode então salvar-se?”. Eles falavam em nosso nome, porque pensamos como eles, e também nos perguntamos como se pode viver com o desprendimento que Jesus propõe. Sentimos que somos incapazes de sermos tão santos! Talvez tenhamos esquecido que Deus, que tudo pode, também me pode libertar do desejo de seguranças e de ter dinheiro. Ama-me tanto que me leva como água ao seu moinho. Mas Pedro insiste: “Vê como nós deixámos tudo para Te seguir”. Na nossa vida, está bem presente a resposta de Jesus a Pedro: recebemos muito mais do que damos, deixámos de ter muitas coisas para seguir Jesus, espera-nos a perseguição e a incompreensão por causa da nossa opção de viver o que nos é proposto pelo Evangelho. Se Deus tudo pode, também me pode converter para estar disponível a escutar as palavras de Jesus: “Falta-te uma coisa: vai vender tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me”. Na minha vida, o que devo vender? O que tenho de dar aos pobres? Onde está o meu tesouro?

10-10-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Há uma riqueza que semeia a morte por onde quer que domine: libertai-vos dela e sereis salvos. Purificai a vossa alma, tornai-a pobre para poder escutar o apelo do Salvador que vos repete: «Vem e segue-me!» Ele é o caminho por onde segue quem tem o coração puro: a graça de Deus não penetra numa alma cheia de empecilhos e atormentada por uma multidão de posses.

O que olha a fortuna, o ouro e a prata ou as casas, como dons de Deus, esse testemunha a Deus o seu reconhecimento, indo em auxílio dos pobres com os seus bens, pois sabe que os possui mais para os seus irmãos do que para si mesmo, tornando-se, assim, mestre das suas riquezas, em vez de seu escravo. Não as guarda em sua alma, nem encerra nelas a sua vida, mas prossegue sem se cansar numa obra tão divina. E, se algum dia a sua fortuna vier a desaparecer, aceita essa ruína com um coração livre. A esse homem, Deus declara-o bem-aventurado, «pobre em espírito», herdeiro do Reino dos Céus (Mt 5, 3).

Em contrapartida, há o que esconde a riqueza em seu coração, em vez do Espírito Santo. Esse, guarda para si as terras; acumula sem fim a fortuna e não se preocupa senão com ajuntar sempre mais; nunca levanta os olhos para o céu; preocupa-se com as coisas temporais, porque ele não é senão pó e em pó se tornará (Gn 3, 19). Como é que pode experimentar o desejo do Reino aquele que, em vez do coração, leva em si um campo ou uma mina, e a quem a morte o surpreenderá no meio das suas paixões? «Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração». (Mt 6, 21). (São Clemente de Alexandria, 150-c.215, teólogo Kephas III, p. 753-754).

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano B - Tempo Comum - 28º Domingo - Boletim Dominical II

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