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Avisos e Liturgia do Domingo Pentecostes- Ano B

Durante cinquenta dias celebrámos, com todo o júbilo e exultação, a Páscoa da Ressurreição, a maior festa dos cristãos. Encerramos este Tempo Pascal com o Domingo de Pentecostes. Jesus viveu cada momento com grande intensidade, anunciando a Boa Nova da bondade e do amor de Deus, confirmada com a sua morte e ressurreição. Com a Solenidade de Pentecostes, fica bem clara uma certeza: Jesus continua a estar presente e a agir com o seu Espírito.

Para viver necessitamos do ar que respiramos e que nos revigora. Mas, há brisas suaves ou ventanias que tudo destroem. Pode faltar o ar como também pode faltar o fôlego por causa do cansaço ou de ânimo. Podemos usar as palavras “ar, vento, fôlego” para exemplificar vários momentos da nossa vida, sem esquecer aqueles que brotam de experiências espirituais. De certeza que já passámos por momentos de fraqueza espiritual em que não sentimos alegria e generosidade. Então, podemos perguntar: onde está a fonte da esperança? Onde podemos procurar o fôlego para renovar a vida?

Na nossa tradição judeo-cristã, desde sempre, está presente o alento de Deus, em hebraico “Ruah” e em grego “pneuma”, entendido como o Espírito de Deus, como força criadora, impulsiva e vivificadora. A Solenidade de Pentecostes, com as suas leituras e seus simbolismos, fala-nos do Espírito de Deus que habita em nós e derrama um dinamismo de afecto e de serviço. Ao entardecer da Páscoa, soprando sobre os seus discípulos trancados em casa com medo dos judeus, Jesus disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo”. Sobre eles derrama a paz e envia-os a abrir caminhos de perdão e de reconciliação, de comunhão e de fraternidade, de justiça e de paz (Jo 20, 21-23).

Segundo a narração do livro dos Actos dos Apóstolos, é na festa de Pentecostes que aparecem mais nitidamente os efeitos da presença do Espírito Santo. “Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam” (Act 2, 1-11). Um vento impetuoso capaz de remover as inercias e as passividades, de levantar o desânimo, de entusiasmar para a acção missionária, de motivar para continuar a construção do Reino de Deus. “Viram aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles”. A chama de um fogo que aquece e conforta o coração e o dispõe para amar, que purifica e queima muitas fragilidades e misérias humanas, que ilumina as trevas da vida. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem”, de tal maneira que as pessoas de diversas nacionalidades entendiam tudo: “a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua…ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus”. O Espírito de Deus fomenta a comunhão fraterna, respeitando a diversidade, e ensina-nos a falar a linguagem do amor.

O Espírito de Deus ilumina e vivifica na comunhão. Esta ideia está bem clara em S. Paulo quando se dirige à comunidade dos coríntios (1Cor 12,3b-7.12-13), que estava dividida por causa dos diferentes dons, serviços e responsabilidades: “há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”. Todos somos agraciados e abençoados com a nossa especificidade (singularidade), repleta de muitos dons ou carismas que nos enriquecem. E estes dons do Espírito Santo serão postos a render ao serviço da vida da comunidade: “todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito”.

Hoje, encerramos o Tempo Pascal, dando graças porque todos recebemos o Espírito Santo. Tenhamos o nosso coração em sintonia com o Espírito Santo para removermos e sacudirmos com a força do seu vento tudo o que nos afasta de Deus e para sentirmos sempre entusiasmo para lutar e vencer a vida.

Elo de Comunhão 23-05-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Sete semanas após a ressurreição, no 50.º dia, os discípulos estavam reunidos com as mulheres e Maria, a Mãe de Jesus (cf Act 1,14); «de repente, ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam» (Act 2,1-2).

O Espírito desceu sobre este grupo de cento e vinte pessoas, e apareceu sob a forma de línguas de fogo porque vinha pôr-lhes palavras na boca, luz na inteligência e fogo no coração. Todos se encheram do Espírito Santo e começaram a falar diversas línguas, conforme o mesmo Espírito lhes inspirava. Ele ensinou-lhes toda a verdade, inflamou-os com um amor perfeito e confirmou-os na virtude. Auxiliados pela sua graça, iluminados pela sua doutrina e fortificados pelo seu poder, ainda que simples e pouco numerosos, eles «plantaram a Igreja ao preço do seu sangue» (Breviário Romano) em todo o mundo, quer através de discursos inflamados, quer através de exemplos perfeitos, e ainda por meio de prodigiosos milagres.

Esta Igreja purificada, iluminada e conduzida à perfeição pela virtude do mesmo Espírito Santo tornou-se amável ao seu Esposo, aparecendo bela e admirável nos seus ornamentos variados, mas também terrível, qual exército em ordem de batalha, para Satanás e os seus anjos. (São Boaventura, 1221-1274, franciscano, doutor da Igreja, «A Árvore da Vida»).

 

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Ano B - Tempo Pascal - Pentecostes - Boletim Dominical II

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