Avisos e Liturgia do IV Domingo do Tempo Comum – ano B
a) São Paulo foi o Apóstolo dos gentios, aquele que levou o evangelho aos pagãos, ou seja, directa ou indirectamente a nós. O apóstolo de adopção, Paulo ou nós, é aquele que Deus escolhe para fazer chegar a sua palavra ao mundo, até aos confins da terra. Na história do povo de Israel, Deus já tinha escolhido homens para realizar esta função. Hoje, na primeira leitura, temos a instituição dos profetas. Encontra-se no livro do Deuteronómio, na parte que poderemos chamar o “testamento de Moisés”, porque ele era considerado quase como o primeiro dos profetas, o primeiro que revelou Deus ao seu povo. Como diz a primeira leitura, um profeta ou um apóstolo não falam em nome próprio nem segundo as suas ideias ou preferências, mas falam e transmitem somente aquilo que vem da parte de Deus. A experiência com Israel não foi muito positiva. O povo nem sempre escutou os profetas como mensageiros de Deus. Tantas vezes foram ignorados. Por isso Deus anuncia “que fará surgir no meio de ti, de entre os teus irmãos, um profeta como eu”. Não será Jesus? Deus feito homem, a Palavra de Deus que veio habitar entre nós.
b) Todavia, nem todos reconheceram Jesus como tal; mesmo hoje isto acontece. As pessoas de Cafarnaum (evangelho) podem ser uma expressão daquilo que hoje vivemos. Também nós aceitamos a autoridade de Jesus e que Ele seja mais um profeta, mas interrogamo-nos: “Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda os espírito impuros e eles obedecem-Lhe!”. Deixemos as aparências e valorizemos este detalhe: como é que o espírito impuro daquele homem reconhece Jesus? Ou seja, enquanto as pessoas não se apercebiam e interrogavam-se sobre quem era Jesus, os espíritos (ainda que fossem maus) reconheciam facilmente o Espírito de Deus, em Jesus: “Sei quem Tu és: o Santo de Deus”. Podemos concluir que só podemos conhecer profundamente Jesus Cristo a partir da nossa espiritualidade. As palavras de Jesus não são externas, são Palavra de Deus, são palavras interiores, são palavras que nos libertam por dentro. Foi isto que se passou com aquele homem em Cafarnaum. Muitos séculos depois, a palavra de Jesus não é somente uma palavra de um profeta que existiu na história, mas é uma Palavra viva que chega ao coração, que nos transforma e que nos liberta. É tão importante que também esta Palavra e a força de Jesus cheguem ao coração de muitos e os liberte.
c) Foi esta tarefa que Paulo teve com a comunidade de Corinto, muito influenciada pelas correntes pagãs e por muitas tendências libertinas e dissolutas daquela época (segunda leitura). Fora dos exemplos concretos da leitura, os quais não os devemos valorizar devido à mudança antropológica e cultural que existe entre S. Paulo e nós, podemos destacar os seus conselhos, pois ele, como os profetas de Israel, recebeu na primeira pessoa a revelação de Deus e entende que esta palavra merece uma total dedicação. Paulo reconhece que a sua missão é uma vocação excepcional. Paulo convida-nos a viver com uma certa serenidade, a viver dispostos a servir o Senhor da melhor maneira e a não cair numa angústia excessiva por causa da realidade que nos envolve. Uma vida um pouco mais sóbria sempre nos dará mais liberdade de espírito. Foi esta liberdade que Jesus concedeu àquele homem possuído por um espírito impuro em Cafarnaum.
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Leitura Espiritual
«Vieste para nos perder?»
«Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro». Esse espírito não podia suportar a presença do Senhor; tratava-se do espírito impuro que tinha conduzido os homens à idolatria. […] «Que acordo pode existir entre Cristo e Satanás» (2Cor 6,15); Cristo e Satanás não podem estar associados um ao outro. «Começou a gritar: “Que tens Tu a ver connosco?”» Aquele que assim grita é um indivíduo que se exprime em nome de várias pessoas; isto prova que tem consciência de ter sido vencido, ele e os seus.
«Começou a gritar: “Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus”». Em pleno tormento, e apesar da intensidade do sofrimento que o faz gritar, não abandona a hipocrisia: é forçado a dizer a verdade, o sofrimento a isso o obriga, mas a malícia impede-o de dizer toda a verdade: «Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno?». Porque não reconheces o Filho de Deus? Será de facto o Nazareno quem te tortura, e não o Filho de Deus? […]
Moisés era um santo de Deus. E Isaías e Jeremias também o foram. […] Porque não lhes dizes: «Sei quem tu és: o santo de Deus»? […] Não digas, pois: «Santo de Deus», mas «Deus Santo». Pensas que sabes, mas não sabes; ou, se sabes, calas-te por duplicidade. Porque Ele não é apenas o Santo de Deus, mas o Deus Santo. (São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja, Comentário sobre o Evangelho de São Marcos, 2).
Programação de Celebrações e Missas da Semana, de 31 de Janeiro a 04 de fevereiro da Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.



