Avisos e Liturgia do VI Domingo da Quaresma- ano A Domingo de Ramos
Com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa, na qual celebraremos o âmago da nossa fé: o Mistério Pascal da morte e da ressurreição de Jesus Cristo. Hoje, celebramos um dia com “duas caras” muito contrastantes: em primeiro lugar, celebramos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pela multidão, como Aquele que vem em nome do Senhor, como rei de Israel; de seguida, ouviremos a proclamação da paixão e da morte do Senhor.
No contexto da bênção dos ramos, o texto evangélico é de São Mateus. Jesus faz a sua entrada em Jerusalém, montado num jumentinho e aclamado pelo povo. Em Jesus, cumprem-se as profecias, até ao momento crucial da sua morte na cruz. Aclamamos Jesus como nosso Salvador, nosso Rei, nossa vida. Oxalá que o estilo da nossa vida corresponda a esta aclamação que brota dos nossos lábios!
Os textos bíblicos deste dia são de grande beleza e profundidade. Em primeiro lugar, Isaías, no canto do Servo de Javé, diz que foi incapaz de resistir ao chamamento de Deus e a tudo o que isso implica de sofrimento, na certeza de que o Senhor Deus vem em seu auxílio e não o abandona, porque Deus é o seu refúgio e a sua força. O salmo é um dos mais impressionantes de todo o saltério. Na cruz, Jesus clamou com voz forte: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes”? Na vida, de certeza que já tivemos momentos em que nos apeteceu gritar deste modo! A 2ª leitura, de São Paulo, afirma claramente que Jesus Cristo, sendo Deus, fez-se homem e morreu na cruz. Por isso, Deus O exaltou e todos os povos se ajoelharão diante Dele, professando que Ele é o Senhor, para glória de Deus Pai. Finalmente, o relato da Paixão, segundo São Mateus, é precedido pela Última Ceia, onde Jesus já anuncia a entrega do seu Corpo e do seu Sangue, que acontecerá plenamente na cruz. Este é o maior gesto de amor do Senhor: entregar-se por nós, para nossa salvação. Podemos pensar: que fiz por ele? Que faço por ele? Que irei fazer por ele?
Neste dia, contemplamos a história humana de Jesus, ao lado das nossas histórias. História de êxito, da entrada em Jerusalém, história de aparente fracasso, na cruz. Também nós experimentamos o êxito e o fracasso, a alegria e a tristeza, a vida e a morte. Quantas mortes desnecessárias: acidentes, doenças, epidemias, desnutrição, violência doméstica, egoísmo! Histórias de morte, como a que escutamos neste dia, a de Jesus na cruz.
A Paixão de Cristo não é uma história que nos convide a pensar que já não se pode fazer nada, que será sempre assim. As celebrações dos próximos dias revelam-nos que no meio das trevas, há luz; no meio do ódio, há amor; no meio do egoísmo, há generosidade. Uma generosidade como a do dono do jumentinho, do dono da casa da Última Ceia, de Simão de Cirene, das mulheres de Jerusalém, de José de Arimateia. Nesta história de injustiça, de violência e de morte, a Paixão de Jesus, encontramos pequenas histórias de generosidade, acompanhamento, compromisso, ajuda. Ouvir a Paixão de Jesus ajuda-nos a descobrir o espírito de Deus na nossa história pessoal, sendo generosos e próximos daqueles que hoje vivem a sua paixão na vida. Neste ano, Jesus também nos diz: “é em tua casa que Eu quero celebrar a Páscoa”; na casa da nossa vida, repleta de esperança e de amor.
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LEITURA ESPIRITUAL
Cristo Deus e Homem
Talvez alguém se pergunte, com espanto, como é que Cristo, nosso Salvador, sendo verdadeiro Deus, igual ao Pai omnipotente, conheceu a tristeza, o sofrimento e a dor. Tal não poderia acontecer, evidentemente, se, sendo Deus, Ele fosse apenas Deus, sem ser ao mesmo tempo homem. Na verdade, porém, uma vez que Ele era tão verdadeiramente Deus como verdadeiramente homem, parece-me que não é de espantar que tenha passado pelos vulgares sentimentos do género humano (contando ausente o pecado) enquanto homem, como não é de espantar que tenha feito milagres imensos enquanto Deus. Com efeito, se nos espantamos por Cristo ter tido medo, sofrimento e dor, sendo Deus, também deveríamos espantar-nos por Ele ter tido fome, por ter tido sede, por ter dormido. Pois não era menos Deus por Se sujeitar a estes constrangimentos. Cristo veio dar testemunho da verdade. Não faltava quem negasse que Ele era verdadeiramente homem. E, para remediar esta doença tão mortal, o nosso excelente e doce médico quis mostrar que era verdadeiramente homem. (São Tomás Moro, 1478-1535, inglês, mártir, «A tristeza de Cristo»).



