Avisos e Liturgia-XXIV Domingo do Tempo Comum – ano B
Celebração do XXIV Domingo do Tempo Comum – ano B
EU SOU…TU ÉS…
[pdf-embedder url=”https://magazineserrano.pt/wp-content/uploads/2024/09/15-09-2024.pdf”]“O que dizem de mim as outras pessoas”? “Será que gostam de mim”? “Que ideia tem a minha entidade patronal sobre mim”? Perguntas tão habituais na sociedade de hoje!
Certamente, quando Jesus iniciou a sua vida pública e percorria as povoações, pensou, muitas vezes, nestas perguntas, e divertia-se a perguntar aos discípulos: “Quem dizem os homens que Eu sou”? Algumas pessoas dariam a resposta certa; outras, estariam muito longe da realidade. Quando interroga os discípulos sobre a sua identidade, a questão toma outras proporções. É uma forma de fazer a seguinte interpelação: “O que vistes em mim?”, “Por que andais comigo?”, “Sabeis qual é a minha missão” De imediato, Pedro respondeu correctamente: “Tu és o Messias”. Talvez, alguns dos outros discípulos tenha pensado do seguinte modo: “ainda bem que não me perguntou a mim!”.
Como Pedro, todos podemos afirmar que Jesus é o Messias. E acrescentar que é o Salvador, o Filho de Deus feito homem. Podemos afirmar o mesmo que Pedro, graças ao dom da fé que nos foi transmitido ao longo das gerações e que hoje podemos professar com textos belíssimos, como o Credo que proclamamos todos os Domingos. Quando um amigo me pergunta, “Quem sou eu?”, não espera que eu lhe responda, dizendo o seu nome, a sua morada, o seu número de telemóvel ou o seu perfil no Instagram. Na verdade, ele pergunta-me: “quem sou eu para ti? O que represento na tua vida? É assim tão fácil responder à pergunta: quem é Jesus, para mim? É um líder que admiro? É um recurso nos maus momentos, quando sinto que tudo parece desabar e preciso de um refúgio seguro? É um sábio que tem sempre as melhores respostas para as minhas perguntas? É um companheiro de viagem que nem sempre está, mas, quando menos espero, volto a encontrá-lo? É alguém com quem não me atrevo a falar, porque penso que sou indigno dele? É a única pessoa que confio, e com quem posso revelar o que sou? É o amigo que nunca me falha? É alguém que me defraudou e, agora, custa-me voltar a confiar nele? Na verdade, dizer a Jesus quem Ele é para mim, com as minhas próprias palavras, pode ser muito importante para aprofundar a minha relação com Ele.
Mas, ainda falta a outra parte, que é a mais importante: deixar que Jesus me fale de Si mesmo e rectifique a visão que tenho Dele. Foi isto o que se passou com Pedro. Para ele, o Messias tinha de ser um triunfador, alguém que viesse restaurar a Aliança de Deus com o seu povo e os sacerdotes e os escribas reconheceriam a sua autoridade. Não lhe passava pelo pensamento que Jesus iria ser rejeitado e que iria morrer e, talvez, já tenha tapado os ouvidos quando Ele falava de ressurreição! Foi por causa disto que Pedro, com toda a sua fé e franqueza, enfrentou Jesus. Porém, Jesus corrige Pedro com palavras muito duras, para que ele desse conta que estava a recusar o plano de Deus.
É muito bom dizer a Jesus o quanto Ele é importante para mim, o que Ele é para mim, o lugar que tem na minha vida. Mas, também é importante fazer silêncio e ouvir a sua palavra para que Ele corrija os meus erros e se revele tal como Ele é. Só assim iremos escutar, novamente, o seu convite: “Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”. Por outras palavras, diz-nos: Eu vou para o Pai. Se queres salvar a tua vida, és tu que tens de vir comigo, porque Eu sou o caminho que conduz à vida. E o meu caminho passa pela cruz, porque tens de enfrentar e vencer o mal deste mundo. Não tenhas medo de perder a vida, porque quando estiveres disposto a entregá-la é quando te salvarás para sempre.
Leitura Espiritual
«Se alguém quiser seguir-Me, tome a sua cruz e siga-Me»
Como exprimir o que a minha alma sentiu quando, da boca dum santo prelado, ouviu o que é já a minha loucura, o que me torna absolutamente feliz no meu exílio: o amor da cruz! Que bom seria ter a eloquência do rei David para poder exprimir as maravilhas do amor à cruz! A cruz de Cristo! Que mais posso dizer? Não sei orar, não sei o que é ser bom, não tenho espírito religioso, pois estou cheio do mundo. Só sei uma coisa, uma coisa que enche a minha alma de alegria, apesar de me ver tão pobre de virtudes e tão rico em misérias; sei apenas que tenho um tesouro que não trocaria por nada nem por ninguém: a minha cruz, a cruz de Jesus, essa cruz que é o meu único repouso.
Como explicar isto? Quem não experimentou, não pode suspeitar do que se trata. Ah, se todos os homens amassem a cruz de Cristo! Se o mundo soubesse o que é abraçar plenamente, verdadeiramente, sem reservas, em loucura de amor, a cruz de Cristo! Tanto tempo perdido em conversas, devoções e exercícios, que são santos e bons, mas que não são a cruz de Jesus, não são o que há de melhor. Pobre homem, que não prestas para nada, que não serves para nada, que arrastas a tua vida, seguindo como podes as austeridades da regra, contentando-te em esconder no silêncio os teus ardores: ama até à loucura o que o mundo despreza por não conhecer, adora em silêncio essa cruz, que é o teu tesouro, sem que ninguém se aperceba.
Medita em silêncio diante dela nas grandezas de Deus, nas maravilhas de Maria, nas misérias do homem. Prossegue a tua vida sempre em silêncio, amando, adorando e unindo-te à cruz. Que queres mais? Saboreia a cruz, como disse hoje de manhã o senhor bispo. Saborear a cruz! (São Rafael Arnaiz Barón, 1911-1938, monge trapista espanhol, Escritos espirituais 03/04/1938).
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