Bancada PSD-CDS “Mangualde Para Todos” decidiu abster-se na votação relativa à Prestação de Contas/Gerência Municipal de 2025
Em comunicado, a Bancada PSD-CDS “Mangualde Para Todos” refere que: decidiu abster-se na votação relativa à Prestação de Contas/Gerência Municipal de 2025, assumindo uma posição de responsabilidade política perante a situação financeira apresentada.
Esta posição segue, aliás, uma linha de coerência política com o sentido de voto já assumido em reunião de Câmara pelo Vereador eleito pela Coligação, reforçando a consistência da nossa análise e da nossa atuação institucional.
As contas agora analisadas voltam a evidenciar um resultado negativo, à semelhança do que tem ocorrido nos últimos quatro exercícios, contrastando com o resultado positivo registado em 2021. Importa recordar que, à data, o Executivo justificava esse desempenho com a adoção de “boas práticas orçamentais do Partido Socialista”. Perante
a evolução verificada nos anos seguintes, impõe-se questionar a consistência dessa linha de gestão.
Ao longo deste período, foram sendo apresentadas diferentes justificações para os resultados negativos. Em 2022, foi apontado o impacto da guerra na Ucrânia, a inflação e o aumento das taxas de juro como fatores determinantes, tendo o próprio Executivo reconhecido falhas e assumido o compromisso de apresentar resultados positivos no
ano seguinte — compromisso esse que não se concretizou.
Mais recentemente, a explicação tem recaído sobre alterações contabilísticas relacionadas com a vida útil dos ativos e o consequente aumento das amortizações.
Contudo, trata-se de um enquadramento legal em vigor há vários anos, cujos efeitos são previsíveis e devem ser devidamente acautelados na gestão financeira municipal, não podendo justificar, de forma recorrente, os resultados negativos verificados.
Paralelamente, a análise detalhada das contas revela um conjunto de indicadores preocupantes: baixa execução do investimento previsto, elevada dependência de transferências externas, aumento de encargos correntes, deterioração de indicadores financeiros e acumulação de saldos de tesouraria que não são canalizados para o
desenvolvimento do concelho.
Importa ainda sublinhar que esta posição não pode ser confundida com uma rejeição do investimento realizado no concelho, nomeadamente no âmbito dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cuja aplicação consideramos essencial para o desenvolvimento de Mangualde e que não podemos, de forma responsável,
inviabilizar.
Perante este cenário, a Bancada PSD-CDS “Mangualde Para Todos” não pode validar o atual percurso financeiro do Município, marcado pela ausência de uma estratégia clara e consistente que permita inverter este ciclo de resultados
negativos.
Ainda assim, reconhecemos o trabalho desenvolvido e o contexto exigente em que o mesmo ocorreu. É precisamente nesse equilíbrio entre exigência e responsabilidade que assenta a nossa posição.
A abstenção agora assumida não representa neutralidade. É, antes, um sinal político claro de vigilância, de exigência e de compromisso com uma gestão mais rigorosa, sustentável e transparente no futuro.





