Pensar jogo a jogo
Fomos conversar com o técnico Jorge Cardoso, que se mantém no comando técnico do Clube Desportivo de Gouveia que depois de ter sido campeão distrital, está agora a militar no Campeonato de Portugal Prio, onde venceu este domingo , o Nogueirense, por 1-0.
Magazine Serrano — Depois da subida mais um desafio no Nacional, agora como principal? Como encara esse desafio?
Jorge Cardoso-Um campeonato em que vamos pensar jogo a jogo para pontuar, um campeonato em que o mínimo pormenor de inexperiência pode fazer a diferença no resultado, pois existem muitos jogadores com muitos anos nos campeonatos superiores nesta série.
MS–Sem deslocação às ilhas o campeonato mais fácil?
JC– Sem a deslocação às ilhas é mais fácil pois só a deslocação para o aeroporto implica ir a Lisboa ou ao Porto e o mínimo são 190 km ou 315 km, e depois o horário dos aviões para estas equipas implica sair de madrugada, imagine a viagem de noite e o regresso a Gouveia as 6 da manhã de Segunda-feira.
MS–A nível de plantel satisfeito com os reforços?
JC– Ainda gostava de contar com mais reforços pois o plantel é demasiado jovem e a inexperiência paga-se caro numa competição como esta em que os resultados são pela diferença mínima, para já a base assenta da equipa que ganhou o campeonato distrital da Guarda, gostava de contar com mais um lateral experiente, um central com características diferentes dos 3 jogadores que neste momento disponho, um médio organizador que saiba os momentos do jogo e um ponta de lança.
MS–A interioridade pode prejudicar o trabalho da sua equipa?
JC– Claro que sim, já deu para ver que somos vistos, por alguns imbecis, como e
quipas do terceiro mundo, temos de demonstrar dentro do campo que somos superiores em tudo, infelizmente continua a existir um tipo de racismo com as equipas do interior que lutam contra tudo e contra todos em diversos momentos, nós já sem grandes condições de treino ainda temos a desvantagem de ser vistos como aqueles que só tem pedras, mas somos muito acolhedores para quem nos quer visitar, diferença de mentalidades.
MS- Na Taça de Portugal vai receber o Beira Mar é resultado de casa cheia?
JC- Espero bem que sim pois a Taça de Portugal pode significar algum desafogo financeiro para o Clube.
MS–Ainda procura algum reforço de última hora?
JC– Como já referi atrás um lateral, central, um estratega e uma ponta de lança eram bem-vindos desde que tenham qualidade e experiência, eram essenciais para uma prestação de mais qualidade, pois poderiam transmitir experiência aos muito jovens que neste momento possuímos.
MS—O Jorge é muito querido pelos gouveenses, que palavra deixa aos adeptos?
JC – Aos adeptos deixar a vontade de dar o melhor pelo C.D.Gouveia, apesar das enormes dificuldades, pois todos os dias a deslocarmo-nos para treinar fora de casa, pois o relvado infelizmente só pode ser pisado para os jogos, assim temos de treinar em instalações de outros clubes e restringidos a horários desses mesmos clubes que também têm os seus treinos e nós acabamos sempre por ser os empecilhos pois o treinador tem de esperar que o Gouveia saia para conseguir treinar melhor a sua equipa, infelizmente temos treinos feitos à pressa em que temos uma hora e 10 para treinar e depois temos de dar lugar à equipa da casa, portanto tudo feito em pressing e muito difícil existir um trabalho bem feito, depois não temos condições para banhos de gelo, massagens nesses campos pois só existe uma única sala para esse efeito, neste momento treinar o Gouveia é extremamente difícil pois temos menos condições que na época passada, a direção tenta arranjar soluções mas muitas vezes encontra-se com as mãos atadas pois não existem infra estruturas disponíveis para o C D Gouveia.
Reportagem de António Pacheco
Magazine Serrano A Voz Serrana para o Mundo