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Liturgia de Natal- ano A

No dia de Natal, todos estamos à espera de ouvir a narração do nascimento de Jesus. Além desta narração, aparece-nos em grande destaque um outro texto: o prólogo de São João, ou seja, o primeiro capítulo do evangelho de São João, um texto agreste, duro, difícil de entender à primeira vista. Todavia, damos conta que este texto é como uma torrente que desagua descontroladamente na seguinte frase: “E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós”. Este é o fundamento para dizermos uns aos outros: Feliz Natal!

Deus quis montar a sua tenda mesmo ao nosso lado, aqui mesmo! José e Maria vão a uma hospedagem e não há lugar para eles, conformam-se com um estabulo, e João diz que Deus veio morar entre nós. Deus quer estar no meio de nós, não se importa de ir e vir, esperando que, um dia, lhe abramos a porta da nossa vida; não se importa se está calor ou frio, se é recebido numa casa digna ou numa tenda, ou num curral, ou numa arrecadação. Cristo acomoda-se, instala-se, todo um Deus se acomoda à nossa realidade, por mais pobre que seja. É isto que faz o Natal ser feliz! Não é somente famílias reunidas, muitas prendas, refeições alegres e abundantes. Mas tu que estás a passar um mau momento, a morte próxima de um familiar, a doença de alguém, alegra-te, porque junto de ti, está Ele. Os nossos pecados não são impedimento para Jesus; Ele quer somente estar connosco e fazer-nos companhia; e isto é que transforma a nossa vida!

Nós não estamos a festejar somente um momento ocorrido há muitos séculos, mas também a celebrar a presença de Jesus ao nosso lado, sendo solidário com todos. É uma tal solidariedade, é um tal amor que Aquele que hoje é um bebé nos braços de uma jovem mãe, será, anos mais tarde o Senhor das Dores, morto no regaço da sua mãe: este menino nasce para oferecer a sua vida por todos nós, se porventura lhe quisermos dar guarida.

É assim que os cristãos devem viver o Natal. Por isso, tende cuidado, porque somos tentados a viver outro natal, outros hoje vivem outro natal. Nem todos olham para o presépio, que fica abafado com tantas prendas à sua frente. Há pessoas que vivem o Natal sem ver o Menino Jesus no presépio, que juntam a família em nome da família e não em nome de Jesus. Mas, Jesus teima em nascer todos os anos e a ser Emanuel, Deus Connosco. É quase obrigatório fazer e contemplar o presépio. Porquê? Porque no presépio, não reina o “faça-se o que eu quero”, mas “faça-se segundo a tua vontade”, não reina a superficialidade e a facilidade, mas a perseverança e a confiança. Diante de uma gravidez inesperada, reina o discernimento para não haver decisões precipitadas.

Que prenda dar ao Menino Jesus? Mas Ele já tem tudo! Este ano, Jesus deseja encontrar em cada pessoa um coração novo para nascer, para O acolher; um coração agradecido porque o Amor de Deus ajuda-nos a vencer as nossas dificuldades; um coração disponível para dizer “Eis-me, aqui; faça-se segundo a tua vontade”; um coração desprendido das coisas que nos afastam de Deus.

É Natal, e continua a ser Natal quando Deus quer e quando o homem quiser, ou seja, enquanto houver homens e mulheres que acolham o Verbo de Deus nas suas vidas, montando, assim, Deus a sua tenda entre nós, a sua morada no meio de nós.

 

25-12-2022

LEITURA ESPIRITUAL

«E o Verbo fez-Se carne»

 

Cristo veio do Pai, veio do Verbo, veio do Espírito Santo, dado que toda a Trindade operou a sua concepção e a sua encarnação. Com efeito, vir do extremo da Trindade significa ter sido concebido por acção desta mesma Trindade. É por isso que está dito: «Ele vem do extremo do Céu» (cf Sl 18,7). O Filho único, gerado do Pai na eternidade, saiu de sua Mãe gerado no tempo; permanecendo invisível junto do Pai, viveu visível entre os homens. Para Ele, sair do Pai foi entrar na história, aparecer visivelmente e tornar-Se aquilo que não era naturalmente pela sua relação com o Pai.

Porém, coisa admirável! Ele veio daquele de que não Se afastou, saiu daquele em quem permaneceu, de tal maneira que permaneceu inteiramente na eternidade e inteiramente no tempo. Estava por inteiro no Pai e ao mesmo tempo por inteiro na Virgem; por inteiro na sua majestade e na de seu Pai, ao mesmo tempo que por inteiro na nossa humanidade.

Podes percebê-lo com uma comparação: a palavra inicialmente gerada pelo coração passa por completo para a voz, de tal maneira que chega na perfeição aos outros, não deixando por isso de permanecer por inteiro no teu coração; da mesma maneira, o Verbo de bondade, que brotou do coração do Pai, saiu para fora dele sem deixar o Pai. (Santo Amadeu de Lausana, 1108-1159, monge cisterciense, bispo, Homilia mariana, III, SC 72).

Foto:Elo de Comunhão

 

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