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Liturgia do Domingo de PÁSCOA – ano C

Liturgia do Domingo de PÁSCOA – ano C

z-igreja-AB-300x200 Liturgia do Domingo de PÁSCOA – ano CAs palavras de Pedro, na primeira leitura, dizem-nos que a experiência pascal muda a vida dos discípulos. A morte de Jesus deixou-os desorientados, com medo, sem nada compreender. Aquele que tinham seguido, que passou a vida a fazer o bem, tinha sido condenado como um delinquente. A experiência da Páscoa destrói o medo e abre os olhos. Agora, já não só tem sentido terem seguido Jesus, mas também têm de ser suas testemunhas. Para eles, e também para nós, a história de Jesus vai mais além dos limites do espaço e do tempo para iluminar todos os tempos e todos os lugares. Já não é uma história que afecta aqueles homens e mulheres que conheceram Jesus. Cada um de nós está tocado por aquela história. Cada uma das nossas histórias pessoais e sociais está atravessada pela vida, morte e ressurreição de Jesus. A ressurreição não é uma história do passado, está no hoje da nossa vida e anima-nos para um amanhã melhor.

A ressurreição é luz no meio das trevas. Iluminou os momentos mais difíceis da vida de Jesus. A sua morte violenta não foi um fracasso nem a última palavra. A ressurreição de Jesus tem de iluminar as trevas da nossa vida. Ilumina os nossos desânimos, aqueles momentos em que nos sentimos perdidos, as dúvidas, as doenças, a solidão…todos estes momentos não têm a última palavra. Ilumina também as trevas da humanidade, o drama das guerras, da fome e da pobreza, dos atentados terroristas, das catástrofes naturais e dos acidentes, da violência doméstica, da violência a mulheres e crianças, dos casos de pobreza de famílias à nossa volta em grandes dificuldades, do ressurgir da xenofobia em tantos locais…Em todas estas situações, a luz da Páscoa diz-nos que estes momentos não têm a última palavra.

Será que no Calvário tudo foi trevas? Penso que não. Também aconteceram momentos de generosidade, de ajuda, de compromisso, de serviço, como o testemunho de Simão de Cirene, das mulheres que acompanharam Jesus, do centurião junto à cruz, do bom ladrão, de José de Arimateia…pessoas que, no meio das trevas, acenderam pequenas luzes de esperança. Na nossa sociedade, para além de tantas situações de trevas, sempre encontramos pessoas generosas, acolhedoras, com espírito de serviço ou de ajuda que acendem pequenas luzes de esperança.

O que Jesus nos revela com a sua vida é que a luz que ilumina as nossas trevas somente se encontra no amor. É amando que vivemos na luz. Não há outros caminhos misteriosos ou secretos. Numa das suas cartas, S. João afirma: “Quem ama o seu irmão permanece na luz…, mas quem despreza o seu irmão permanece nas trevas”. Foi a mesma ideia que Pedro quis transmitir quando definiu Jesus como aquele que “passou fazendo o bem”. Por isso, o nosso testemunho da ressurreição só pode passar pelo amor concreto para com todos.

A Eucaristia é a expressão de tudo isto. O pão e o vinho convertem-se no corpo e no sangue de Cristo, não no passado, na quinta-feira santa, mas aqui e agora, hoje. É o alimento que nos fortalece para que amemos com mais intensidade, à maneira e ao jeito de Jesus. A Eucaristia da Páscoa, e todas as celebrações eucarísticas, enviam-nos a ser testemunhas do amor ao estilo de Jesus. Sejamos valentes como aqueles primeiros cristãos que foram as primeiras testemunhas a proclamar em todo o lado, por palavras e por obras, que Jesus ressuscitou e, assim, foram luzes de esperança no meio das trevas.

 

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LEITURA ESPIRITUAL

Dia da Ressurreição, dia da nossa alegria!

«Eis o dia que fez o Senhor; nele exultemos e rejubilemos!» (Sl 117,24). Porquê? Porque o sol recuperou o seu fulgor e tudo se ilumina; porque o véu do Templo já não está rasgado: a Igreja foi revelada; porque já não temos na mão os ramos de palmeira, mas rodeamos os novos baptizados. «Eis o dia que fez o Senhor!» Eis o dia em sentido próprio, o dia triunfal, o dia dedicado a festejar a ressurreição, o dia em que nos revestimos de graça, o dia em que partilhamos o Cordeiro espiritual, o dia em que se realiza o plano da Providência em favor dos pobres.

«Exultemos e rejubilemos neste dia!» Eis o dia em que Adão foi devolvido à liberdade, em que Eva foi libertada da sua pena, em que a morte selvagem estremeceu, em que o poder das pedras se quebrou, em que os ferrolhos dos túmulos foram arrancados, em que as leis imutáveis dos poderes infernais foram anuladas, em que os céus se abriram e Cristo, Nosso Senhor, ressuscitou.

Eis o dia em que, para bem dos homens, a planta verdejante e fértil da ressurreição multiplicou os seus rebentos em todo o universo como num jardim, em que os lírios dos novos baptizados desabrocharam, em que a multidão dos crentes rejubila, em que as coroas dos mártires reverdejam. «Eis o dia que fez o Senhor; nele exultemos e rejubilemos!» (Homilia atribuída a São João Crisóstomo, c. 345-407, presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja).

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