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Liturgia do 5º Domingo da Páscoa – Ano A

Liturgia do 5º Domingo da Páscoa – Ano A

 

t-igreja-300x225 Liturgia do  5º Domingo da  Páscoa – Ano ANa celebração deste Domingo continua a sentir-se a alegria pascal, recordando o Crucificado e o Ressuscitado que continua presente nas primeiras comunidades cristãs, onde vão aparecendo os primeiros conflitos e problemas. Talvez, na nossa caminhada de fé, não sabemos encontrar o equilíbrio necessário entre a liturgia (as celebrações) e o serviço aos pobres. A primeira leitura narra-nos a importância do diálogo na comunidade que faz desenvolver a acção pastoral da Igreja primitiva. Os cristãos gregos começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das viúvas. Convocada a assembleia, decidiram escolher sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para essa missão. São os primeiros diáconos da Igreja. Os Apóstolos continuariam a pregar a palavra de Deus. Como se resolveram os problemas? Com diálogo e colaboração. Hoje, continua a ser o modelo para a Igreja resolver os conflitos e desavenças.

“Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim”. Assim começa o evangelho deste Domingo. Jesus diz estas palavras aos discípulos que estavam incomodados com a oposição dos sumos-sacerdotes e dos fariseus. Estava próxima a paixão de Jesus; por isso, pede-lhes serenidade e calma, porque necessitarão dela. Esta tensão só se pode vencer com confiança em Deus, por Jesus Cristo, porque “em casa do Pai há muitas moradas”. Nunca deveremos perder esta confiança.

Mas Tomé e Filipe expressam a insegurança que reinava entre os Apóstolos. Eles seguiram Jesus, percorreram com Ele os caminhos da Galileia, conviveram com Ele, alegraram-se e sofreram com Ele no anúncio do Reino, depositaram Nele todas as suas esperanças e desejos…mas não o conhecem bem, não sabem bem quem Ele é. Não sabem que Ele é o “caminho, a verdade e a vida”. Só Jesus é o caminho que nos conduz à verdade plena que é o Pai, à vida plena, que é o Espírito Santo. Hoje, perante as nossas dificuldades em anunciar a Boa Nova da Salvação, é importante recordar as palavras de Jesus a Filipe: “Quem Me vê, vê o Pai. Eu estou no Pai e o Pai está em Mim”. Se mantivermos o nosso olhar fixo em Jesus, sentiremos a presença do Pai.

Foi na mesa da Última Ceia que os discípulos, ao tomar o pão e o vinho, foram convidados a experimentar a profunda comunhão com Jesus e, por isso, comunhão com o Pai. Fiéis às palavras de Jesus, “Fazei isto em memória de Mim”, repetimos tantas vezes este momento de comunhão com Jesus e o Pai. Por isso, nunca podemos esquecer estas palavras do evangelho de S. João, colocadas na boca de Jesus: “Não acreditais que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?… Acreditai-Me, acreditai ao menos pelas minhas obras”. Somos convidados a acreditar e a ver. Acreditar é comprometer-se com Ele, ver é amar como Ele. Na Eucaristia, como diz S. Pedro na segunda leitura, aproximamo-nos do Senhor, que é a pedra viva. Sintamos que somos membros da “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores” de Deus que nos chamou das trevas para a sua luz admirável. “Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor”.

«Para onde Eu vou, conheceis o caminho»

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«Eu sou o caminho, a verdade e a vida». O caminho é a humildade, que conduz à verdade. A humildade é o sofrimento; a verdade é o fruto do sofrimento. Poderás perguntar-me: como sabes que Ele fala de humildade, se apenas diz: «Eu sou o caminho»? Porém, Ele mesmo responde quando acrescenta: «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29). Ele apresenta-Se, portanto, como exemplo de humildade e de mansidão. Se O imitares, não andarás nas trevas, mas terás a luz da vida (Jo 8,12). O que é a luz da vida senão a verdade? Ela ilumina todo o homem que vem a este mundo (Jo 1,9), mostrando-lhe o verdadeiro caminho.

Eu vejo o caminho: é a humildade; eu desejo o fruto: é a verdade. E se a estrada for demasiado difícil para que eu possa chegar onde desejo? Escutai a sua resposta: «Eu sou o caminho, quer dizer o viático que te sustentará ao longo desta estrada». Àqueles que se enganam e não conhecem o caminho, Ele exclama: «Sou eu que sou o caminho»; àqueles que duvidam e não acreditam: «Sou eu que sou a verdade»; aos que já estão em marcha mas se fatigam: «Eu sou a vida». Escutai ainda isto: «Eu te bendigo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste isto – esta verdade secreta – aos sábios e aos inteligentes, quer dizer aos orgulhosos, e o revelaste aos pequeninos, quer dizer aos humildes» (Lc 10,21).

Escutai a verdade a falar àqueles que a procuram: «Vinde a Mim, vós que Me desejais, e sereis saciados com os meus frutos» (Ecl 24,19); e ainda «Vinde a Mim, vós todos que sofreis e tombais sob o peso do vosso fardo, que Eu vos aliviarei» ( Mt 11,28). Vinde, diz Ele. Mas para onde? A Mim, a verdade. Por onde? Pelo caminho da humildade. (São Bernard, 1091-1153, monge cisterciense, doutor da Igreja, Tratado sobre os graus de humildade).

 

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