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Liturgia do II Domingo do Tempo Comum – ano C

“Por amor de Sião não me calarei”.

Esta é a primeira frase da primeira leitura deste Domingo, do profeta Isaías. Por amor do seu povo, Deus não se quer calar. Não quer ficar em silêncio e afastado da condição humana. Não repousará, “enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente”. É desta forma que o profeta Isaías faz referência a Deus. O texto do evangelho narra-nos o primeiro milagre de Jesus, transformando a água em vinho num casamento em Caná da Galileia. Neste domingo, as leituras bíblicas apresentam Deus zeloso com o seu povo. O texto evangélico, que a Igreja nos propõe para este domingo, é a carta de apresentação de Jesus, segundo o evangelista João. Antes de entrar no texto, e para nos situarmos, devemos recordar e compreender que no capítulo primeiro deste evangelho encontramos um precioso prólogo teológico que fala do mistério da encarnação, mistério que celebramos recentemente durante o tempo do Natal. No texto deste domingo, não é a primeira vez que encontramos Jesus neste evangelho; no final do primeiro capítulo é apresentado por João Batista como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e dois dos seus discípulos deixaram-no para seguir Jesus. A narrativa do texto leva-nos, no capítulo segundo, a Caná da Galileia, onde, pela primeira vez, Jesus realizou um milagre. Assim, uma vez apresentado Jesus, começamos a conhecê-Lo através do seu primeiro milagre, manifestação da acção salvífica de Deus. Não é fácil perceber o diálogo entre Maria e o seu Filho. Parece que o evangelista quer enquadrar o milagre num contexto misterioso. Nesta conversação, a mãe de Jesus revela-se como uma mulher atenta, porque, segundo o relato, foi ela que deu conta que o vinho tinha acabado. Não é difícil pressentir aqui a atenção que Maria tem por cada um de nós. Não nos podemos esquecer que estamos no evangelho onde Jesus entrega a sua mãe ao discípulo amado. A partir daquele momento, Ela cuidará dele como se fosse seu filho, e a sua preocupação nas bodas de Caná não deixa de ser uma prefiguração deste aspecto. Porém, a resposta de Jesus surpreende-nos pela sua dureza com a sua mãe. Mas temos de entender esta atitude. Ele não veio para satisfazer as necessidades pontuais de um casamento. Apesar da resposta dada à sua mãe, que num primeiro momento dá a entender que não tem intenção de fazer nada, dispõe-se a intervir e, desta maneira, anuncia, num pormenor normal do quotidiano, como Deus é capaz de agir em favor dos homens e das mulheres. Neste relato, a Igreja sempre viu o papel intercessor de Maria e que o Senhor transformará a nossa vida se formos obedientes às suas recomendações. É Maria que diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Fascina o leitor a sobriedade com que o evangelista descreve o milagre: “o chefe da mesa provou a água transformada em vinho”. Ninguém fica surpreendido, nem maravilhado. Somente o chefe de mesa expressa admiração pela qualidade do vinho, mas desconhece o que tinha acontecido. Então, o que nos quer dizer este milagre? Na tradição bíblica, o vinho é sinal de aliança. Todos sabemos o que aconteceu na Última Ceia. Será que para o evangelista existe uma ligação entre este vinho, o melhor do casamento, e o vinho que se converterá no sangue de Cristo na Última Ceia? O chefe de mesa afirma que o noivo guardou o melhor vinho para o final da boda. Jesus voltará a fazer o mesmo: guardará o melhor vinho, o seu próprio sangue, o único capaz de redimir o mundo. “Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele”. Até àquele momento os discípulos seguiram Jesus por recomendação de João Baptista, mas, a partir daquele momento, seguirão Jesus porque acreditaram n’Ele. Nós já conhecemos Jesus a partir da perspectiva da ressurreição. Por isso, a sua glória é-nos manifestada na Eucaristia que celebramos, onde comungamos o melhor vinho da nossa vida, o sangue de Jesus.

16-01-2022

LEITURA ESPIRITUAL

A água transformada em vinho

O milagre pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo transformou a água em vinho não surpreende os que sabem que Deus é o seu autor. Efectivamente, aquele que, nas bodas de Caná, produziu vinho naquelas seis talhas é o mesmo que, todos os anos, renova essa transformação nas nossas vinhas. Pois assim como o que os servos deitaram nas talhas foi transformado em vinho por obra do Senhor, do mesmo modo, a chuva que cai das nuvens é transformada em vinho por obra do Senhor. Não nos admiramos com esse fato, por ele acontecer todos os anos: o costume anula em nós o assombro. E no entanto, esse fato é mais digno de espanto do que aquilo que aconteceu nas talhas cheias de água. Com efeito, quem se detém a considerar a acção de Deus, que conduz e governa o mundo inteiro, enche-se de assombro com tantos milagres. Basta-nos considerar o poder que se encerra numa semente, para descobrirmos nela uma imensa realidade, capaz de maravilhar o observador. Mas os homens, alheados noutras coisas, tornaram-se insensíveis ao espectáculo das obras de Deus, que de outra maneira os faria louvar diariamente o Criador. Por isso, Deus achou por bem realizar certos prodígios invulgares, a fim de despertar os homens da sua letargia e os levar a louvá-lO. (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona, norte de África, doutor da Igreja, Sermões sobre São João, n° 8, 1).

 

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