NATAL DO SENHOR – ano C
No primeiro Natal da história, e nos seguintes, nasceu, e nasce, novamente, o Salvador. Exultemos de alegria! Celebremos o Natal cheio de ternura e de esperança. Os povos e culturas de tradição cristã celebram a solenidade do nascimento de Jesus de Nazaré, centrada não só em fazer memória do nascimento de Jesus, mas também na importância deste nascimento: no menino que nasce em Belém, Deus está no meio de nós e faz-se irmão de todos os homens e mulheres. Assim “se manifestou a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens”. Não é somente recordar o nascimento de Jesus, mas é a celebração de um mistério que começa no presépio e ganha sentido estando relacionado com a Páscoa. Todos os anos, no Natal, expressam-se os mesmos sentimentos: paz, amor, união, fraternidade. Parecem já sentimentos gastos, rotineiros, de circunstância, porque não reinam à nossa volta. Apesar disso continuam a ser sentimentos actuais, pertinentes, importantes para a nossa vida e para a nossa sociedade. Cada Natal é um dom. Contemplemos o Menino de Belém, levemos a sua alegria aos nossos irmãos, guardemos as lições que Ele nos dá. Com o Natal, Jesus continua a vir ao nosso presépio, ou seja, a renascer na nossa vida. Deixemos que Ele toque as nossas pobrezas, as nossas fragilidades, os nossos pecados, para sentirmos a Sua presença. Com o Natal todo o universo louva o Senhor: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. O profeta Isaías anuncia o Messias com estas palavras: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz”. É a luz do Natal. É a luz que ajuda a descobrir o Menino que nasce. A luz de Jesus é a luz do mundo e convida-nos a sermos candeias desta luz num mundo que teima viver nas trevas. É uma luz que não cega, mas que nos ajuda a ver as pessoas com uma visão renovada, mais transparente, com mais bondade. Quando os anjos anunciam aos pastores o nascimento de Jesus dizem: ”nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor”. Ao Menino, envolto em panos e deitado numa manjedoura, chamaram-no “Salvador”. Maria deu à luz a Luz, o Menino Jesus. Nós somos convidados a levar a Luz a todos os nossos irmãos. O Natal é a festa da humanização de Deus em tantas expressões de bondade e de misericórdia, e é a festa da divinização da humanidade em tantas expressões de comunhão fraternal. O Natal recorda-nos que a salvação é como uma semente que deve ser acolhida com humildade. Uma semente de vida, de compromisso, de esperança e de solidariedade. Diz-nos S. Paulo: “Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”. Como sentir a presença do Menino Jesus nas nossas famílias e nas nossas comunidades paroquiais? Que prenda posso oferecer ao Menino Jesus? Transforma a tua vida, segundo a vontade de Deus, vive a bondade, a ternura, a paz, o amor, a partilha com quem te rodeia. Então, sim, será Natal hoje e todos os dias.
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LEITURA ESPIRITUAL
«Deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» Deus na terra, Deus entre os homens! Desta vez, Ele não promulga a sua Lei no meio dos relâmpagos, ao som da trombeta, numa montanha fumegante, na obscuridade de uma tempestade aterradora (Ex 19,16s), mas recria-Se, de forma mansa e pacífica, num corpo humano, com os seus irmãos de raça. Deus encarnado ! Como pode a divindade viver na carne? Como o fogo subsiste no ferro, não deixando o local onde arde, mas comunicando-se. Com efeito, o fogo não se lança sobre o ferro mas, permanecendo no seu local, comunica-lhe o seu poder. Ao fazê-lo, não fica minimamente diminuído, mas preenche plenamente o ferro ao qual se comunica. Da mesma forma, Deus, o Verbo que vive entre nós, não saiu de Si mesmo: o Verbo que Se fez carne não foi submetido à mudança; o Céu não foi despojado daquele que contém, e no entanto a Terra acolhe no seu seio Aquele que está no Céu. Apreende este mistério: Deus está na carne de forma a destruir a morte que nela se esconde. Quando se «manifestou a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2,11), quando «brilhou o sol de justiça» (Ml 3,20), «a morte foi tragada pela vitória» (1Cor 15,54), porque não podia coexistir com a verdadeira vida. Ó profundidade da bondade de Deus e do amor de Deus pelos homens! Demos glória com os pastores, dancemos com os coros dos anjos, porque «hoje nasceu o Salvador que é o Messias Senhor» (Lc 2,11-12). «O Senhor é Deus; Ele tem-nos iluminado» (Sl 118,27), não sob a sua aparência de Deus, para não assustar a nossa fraqueza, mas sob a forma de um servo, a fim de conferir a liberdade àqueles que estavam condenados à servidão. Só quem tiver o coração adormecido e indiferente não exultará de alegria, não irradiará felicidade, perante este acontecimento. É uma festa comum a toda a Criação. Todos devem contribuir para ela, ninguém se deve mostrar ingrato. Elevemos nós também a voz para cantar o nosso júbilo! (São Basílio, c. 330-379, monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja, Homilia sobre a santa concepção de Cristo, 2).
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