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Produtos da Beira Interior valorizados pelos politécnicos da Guarda e de Viseu e pela Universidade de Coimbra

Águas termais, plantas aromáticas autóctones e subprodutos das indústrias vinícola e olivícola da Beira Interior vão ser transformados para desenvolver suplementos alimentares, cosméticos e dispositivos médicos “com aromas da região”.
Nos laboratórios do IPG, na Guarda, do centro CERES, em Coimbra, e do IPV vão ser desenvolvidos novos produtos. O projeto abrange 18 concelhos e quer combater a desertificação demográfica e promover o conhecimento na região.

Os recursos endógenos da região da Beira Interior vão ser valorizados e
transformados em novos produtos destinados ao bem-estar humano e animal.
Plantas medicinais endémicas, águas de diversas termas do distrito da Guarda
ou resíduos da produção de vinho e azeite vão ser desenvolvidos e dar lugar a
suplementos alimentares ou cosméticos antialérgicos para pessoas, bem como a
coleiras antiparasitas e shampoo para animais, entre outros produtos.
O projeto “BI – Wellness” envolve investigadores e os laboratórios do
Instituto Politécnico da Guarda – IPG, a Faculdade de Ciências e Tecnologia
da Universidade de Coimbra (FCTUC), o Instituto Politécnico de Viseu (IPV)
e o CERES – Engenharia Química e Recursos Renováveis ​​para a
Sustentabilidade, um centro de investigação da FCTUC. Financiado pelo
Programa “FCT – BPI Fundação la Caixa Promove – O futuro do interior”, este
projeto é liderado pelo CERES, em parceria com o IPG e o IPV, contando com
o apoio de diversas entidades e empresas regionais, bem como com a
colaboração da Universidade de Salamanca.
Segundo Hermínio Sousa, coordenador do projeto e docente do
Departamento de Engenharia Química da FCTUC, “o BI-WELLNESS aplica
uma abordagem ‘Uma só saúde’, promovendo simultaneamente a saúde
humana, animal e ambiental. Pretendemos criar produtos de valor acrescentado através da valorização de alguns recursos endógenos da Beira Interior, sob o
conceito de Bioeconomia Circular e do desenvolvimento de tecnologias e de
processos mais sustentáveis, nomeadamente de processos menos intensivos em
termos de energia e de métodos de processamento ‘verdes’, reduzindo o uso de
solventes e de produtos químicos obtidos a partir de fontes não-renováveis”.
Entre os produtos a serem desenvolvidos nesta fase do projeto
encontram-se cosméticos, produtos de higiene pessoal e repelentes de insetos
para animais de companhia e animais de produção. “Pretende-se desenvolver
produtos exclusivos, baseados numa identidade regional ‘Beira Interior’, uma
vez que estes serão coformulados com águas termais e com produtos naturais
obtidos a partir de recursos biológicos endógenos da região, conferindo-lhes
características diferenciadoras no mercado”, acrescenta Hermínio Sousa.
Uma das vertentes inovadoras do projeto, conforme destaca Luís Silva,
investigador e coordenador da equipa do IPG, é a aplicação de técnicas de
deteção remota e processamento digital de imagem para mapear e
georreferenciar plantas aromáticas autóctones ainda pouco exploradas,
presentes nos parques naturais e reservas ecológicas da região.
A Beira Interior é um território de baixa densidade populacional que, nos
últimos dez anos perdeu, em média, cerca de 3 mil habitantes por ano, com
maior incidência nos concelhos de perfil mais rural. Os valores do PIB per
capita da região continuam baixos, com níveis mais elevados de desemprego
do que os de outras regiões NUTS III do país e da Europa. “Torna-se
imperativo combater este panorama, nomeadamente através de medidas
capazes de estimular e desenvolver atividades económicas mais sustentáveis e
de âmbito local, fomentar a criação regional de riqueza multissetorial e
dinamizar o turismo termal e de montanha, bem como combater a
desertificação demográfica e promover o conhecimento e a criação de emprego
qualificado”, salienta Luís Silva.
Numa fase posterior, o projeto pretende alargar o desenvolvimento de
produtos repelentes para animais companhia e de produção, contribuindo para
o controlo de parasitas que, muitas vezes, são vetores de agentes patogénicos,
alguns deles zoonóticos. De acordo com Catarina Coelho, docente da equipa do
IPV, “isto contribuirá não só para a economia regional, dada a importância da
produção animal e de produtos de origem animal na região, mas também para a
saúde pública, ao mitigar o risco de transmissão de doenças entre animais e
humanos”.
Nesta fase de arranque do projeto, a equipa de investigação procura a
colaboração de empresas regionais que tenham interesse no desenvolvimento
conjunto para posterior comercialização deste tipo de produtos. “A colaboração
efetiva de empresas, de preferência regionais, de áreas como cosmética, higiene pessoal e saúde animal, será crucial para o sucesso do projeto uma vez que, sem elas, os objetivos estabelecidos a médio e longo prazo nunca poderão ser alcançados. Acreditamos que, juntos, conseguiremos desenvolver, viabilizar e levar para outras zonas do país os aromas, os benefícios e a
qualidade dos produtos da Beira Interior”, conclui Hermínio Sousa.
São 18 os concelhos abrangidos pelo projeto: Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas, Seia, Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Mêda, Pinhel, Sabugal, Trancoso, Vila Nova de Foz Côa, Penamacor, Monfortinho, Unhais da Serra, Idanha-a-Nova e Castelo Branco.

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