A carregar agora
×

Artigo de Opinião- Terapia da Fala na Neonatologia

Artigo de Opinião- Terapia da Fala na Neonatologia

Nas últimas décadas, os progressos ao nível da medicina foram evidentes e proporcionaram a sobrevivência de recém-nascidos de baixa idade gestacional, de muito baixo peso, bem como com doenças embrionárias e genéticas, malformações e lesões encefálicas.

O prognóstico de desenvolvimento destas crianças tem mostrado uma grande incidência de sequelas do desenvolvimento global. As disfunções são múltiplas e incluem desde dificuldades na função alimentar, de aprendizagem, comportamentais e alterações neuromotoras.

A intervenção do terapeuta da fala na neonatologia já é uma realidade em muitos serviços. Esta intervenção visa aspetos relacionados com a alimentação, com a relação pais/bebé e com o desenvolvimento da comunicação/linguagem. A intervenção tem um caráter preventivo primário e secundário, pois envolve a orientação e o aconselhamento aos pais, como também a deteção e intervenção direta.

As principais situações que requerem intervenção do terapeuta da fala são: alterações do padrão de sucção – deglutição – respiração; utilização de sonda; sucção débil; apneia durante a alimentação; recusa do alimento; perda de peso; reflexos orais ausentes ou exacerbados; alterações da sensibilidade oral e facial; preocupação com possível aspiração do alimento; letargia durante a alimentação; períodos longos de alimentação; engasgos excessivos ou tosse recorrente durante a alimentação; refluxo nasal e gastroesofágico e dificuldades na amamentação.

A primeira abordagem é efetuada em três momentos distintos, sendo eles: a observação do bebé de risco em repouso e enquanto manipulado pela equipa de enfermagem, o segundo momento consiste na avaliação específica do Terapeuta da Fala, ou seja, a avaliação da motricidade orofacial e da alimentação, de posturas e padrões de movimento, dos padrões respiratórios; dos estados de consciência; da prontidão para a alimentação e habilidade de atenção e da resposta à estimulação propriocetiva; da habilidade de regulação e da observação da interação pais – bebé; e o terceiro momento será após a alimentação. Para além da intervenção direta junto ao recém-nascido, cabe ao Terapeuta promover competências comunicativas e de vínculo afetivo entre o bebé e família; cooperar na otimização do ambiente da unidade de cuidados intensivos neonatais e trabalhar em intrínseca parceria com a restante equipa e família, promovendo o bem-estar do bebé e contribuindo assim para a sua alta hospitalar.

65188180_1462119193931321_8676151151319580672_n-194x300 Artigo de Opinião- Terapia da Fala na NeonatologiaAna Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA e na Clínica Nossa Srª da Graça