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Artigo de Sara Morais— Depressão, Personalidade Depressiva e a Hipnose Clínica

Artigo de Sara Morais— Depressão, Personalidade Depressiva e a Hipnose Clínica

Depressão é comummente conhecida como uma perda de energia e vitalidade, tanto a um nível físico como psicológico, que condiciona o quotidiano do leitor no âmbito da concretização das várias tarefas, sendo estas percecionadas como depauperantes.

Em contraste, a personalidade depressiva é caracterizada não por uma perda, mas por um défice de investimento no próprio “eu”, que vive paredes meias com a baixa-autoestima.  Neste caso em concreto, o leitor é dominado por um sentimento permanente de frustração fruto da não concretização dos seus desejos e ambições mais profundas.

Em contraposição, o cérebro humano tem a capacidade de transformar o mundo real, de injetar a felicidade, de inventar o prazer e de potenciar a sensação de realização através dos vários neurotransmissores: dopamina, serotonina, endorfinas e adrenalina. Por exemplo, quando o leitor come um determinado alimento calórico, automaticamente, sente prazer, ou simplesmente quando faz exercício físico sente uma maior sensação de energia e vitalidade. Assim, também, acontece quando o leitor conquista uma determinada ação, comportamento ou objetivo, que em resultado acaba por sentir maior confiança e sensação de auto concretização.

Contudo, na depressão este sistema de recompensa e de construção do mundo real fica desregulado, a vida fica empobrecida e tudo o que acontece ao seu redor é percecionado como eventos ilógicos e sem relevância. O leitor experiência, então, a lentificação das capacidades cognitivas e físicas, o que cumulativamente, instala o desinteresse pela procura do prazer e da felicidade.

Na personalidade depressiva, o sistema de recompensa não existe porque não há uma perda, propriamente, dita. Há, contudo, uma construção de crenças limitantes, alimentadas pelas várias deceções sofridas no passado, que alicerça a falta do desejo. Na verdade, é como se existisse um reconhecimento “inato” da impossibilidade da concretização do sonho / objetivo. Esta delimitação autoimposta marca uma constante insatisfação e, por consequência, a sua resposta comportamental e emocional.

É neste enquadramento que surge a Hipnose Clínica enquanto ferramenta terapêutica não convencional, mas complementar e natural. O estado de Hipnose, por si só, caracteriza-se por um estado neurofisiológico natural que altera a perceção cognitiva, do exterior para o interior, permitindo a libertação natural dos neurotransmissores que restabelecem o equilíbrio neuro-químico. Neste alinhamento, o leitor começa a sentir mais energia e o pensamento fica menos disperso. Numa fase posterior, o leitor vai desenvolver uma maior consciência sobre o seu “eu” interior e sobre as suas emoções, compreendendo um reajuste nos vários comportamentos e hábitos no role play no seu quotidiano, devolvendo assim o bem-estar e a qualidade de vida ao leitor.

No próximo boletim de saúde poderá saber mais sobre como a mudança do tempo influencia os nossos comportamentos e estados emocionais e a respetiva intervenção da Hipnose Clínica.

Sara Morais

Hipnoterapeuta