Artigo de opinião de Augusto Falcão—- A esperança de um dia seguinte melhor
Hoje, quando vos escrevo isto, é 25 de abril; dia da nossa liberdade, da nossa revolução, dos cravos; faz hoje 51 anos que alguns, poucos militares conquistaram a nossa liberdade, o fim da ditadura, o início da passagem à Democracia; o fim da guerra colonial, que tantos jovens portugueses levou a fugirem, a tombarem ou a ficarem estropiados pelo ideal “Deus, Pátria, família” que Salazar perpetuou durante a sua ditadura, foi o fim da repressão da PIDE-DGS; a libertação dos presos políticos; um turbilhão de mudanças anunciava-se na aurora daquele dia já longínquo, mas que todos nós relembramos ano após ano, a passamos esta memória aos nossos filhos e esperamos que eles a passem às gerações vindouras, para que eles nunca se esqueçam que a liberdade é algo que nunca é garantida, portanto devemos todos os dias, lutar para a manter entre nós;
O meu filho, já nasceu no século 21, portanto filho pleno da liberdade, e a consciência que tem da liberdade, do 25 de abril, dos cravos, do “Grândola, vila morena”, de Salgueiro Maia, é aquela que eu, lhe irei passar.
Eu, por outro lado, nasci 2 anos após a Revolução; o meu Pai, ainda esteve no Ultramar, assim como outros familiares meus; aquele a quem a gente carinhosamente chamava de “padrinho” esteve em Peniche quase 1 ano (nem o filho viu nascer) por ser membro do PCP; cresci a ouvir as histórias de Salazar, da fome, da miséria, da guerra colonial, e algumas (poucas) passagens das celas e corredores de Peniche; aquele Homem, não falava muito disso; era conversa de almoços de família, quando nos juntávamos em que as lembranças daqueles dias tristes e cinzentos vinham ao de cima; e eu cresci a ouvir isto; o preço da liberdade, o quanto custou a luta contra a ditadura, e todos aqueles que tendo sido presos, por professar um ideal politico diferente, foram mortos, torturados e ficado com mazelas para o resto da vida, nos calabouços da PIDE.
O povo, esse na manhã do 25 de abril, ao aperceber-se que algo estava em marcha, foi perdendo o medo aos poucos, e saiu às ruas a apoiar os militares que aos poucos fizeram cair o regime, que Marcelo Caetano teimava em manter inalterado;
Havia esperança que a partir dali tudo seria diferente; que tudo seria melhor, que nós, coletivo e povo, iriamos ter a partir daquele momento, uma nova oportunidade de construir um País melhor, para eles e para os vindouros; o povo votou pela primeira vez, de forma livre, depois do 25 de abril; com a esperança, que aquele momento fosse o momento da libertação total, e que o caminho de construção de algo melhor tivesse início; todos eles tinham a esperança que o dia seguinte fosse melhor;
Passou-se 51 anos; e todos mantemos esse mesmo sonho; construir algo melhor para as gerações vindouras;
E todos temos a mesma esperança; que o dia seguinte seja melhor; foi essa esperança que os nossos avós nos passaram e deixaram; ousemos, pelo menos ser iguais; deixarmos aos nossos filhos essa mesma esperança; que o dia seguinte seja melhor.
Augusto Falcão





