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Artigo de Opinião- Motricidade Orofacial – Uma área de intervenção desconhecida por muitos

A Motricidade Orofacial é uma das áreas de intervenção da Terapia da Fala, responsável pelo estudo, avaliação, diagnóstico, reabilitação e/ou aperfeiçoamento das alterações ao nível do sistema miofuncional oral e cervical, assim como das funções a este associadas, como a sucção, a mastigação, a deglutição, a respiração e a fala, desde o nascimento e ao longo de toda a vida.

Desde o desenvolvimento embrionário, observa-se o crescimento craniofacial que, em muito, irá influenciar as funções motoras orais, juntamente com os músculos e a sua maturação. Ao longo dos primeiros meses de vida, estas funções vão evoluindo e se maturando, iniciando com reflexos fortes, com a sucção, coordenação sucção/respiração/deglutição, passando pela dissociação de movimentos de lábios, língua e mandíbula, pela alimentação de colher, uso de copo e, posteriormente, a mastigação e movimentos cada vez mais precisos.

A fala diz respeito ao ato motor que é capaz de transmitir sons, palavras e frases. Sendo assim, podemos observar que esta função é diferente de linguagem, porém, não independente, uma vez que a criança para falar, deverá já possuir boas bases linguísticas. O desenvolvimento da fala exige condições estruturais, a nível da laringe, dos lábios, língua e palato, assim como condições sensoriais, ou seja, a criança deverá ser capaz de ver e escutar os sons da fala de forma a que esta os aprenda e os produza corretamente. Ao longo da aprendizagem de todos os sons do Português, com ordem de aquisição específica, a criança vai adquirido competências para juntá-los, formando sílabas, palavras e, por fim, frases. Importa referir que, por volta dos 2 anos, a criança já deve ser compreendida pelos seus familiares e, com cerca de 3/4 anos por estranhos, já aos 6, anteriormente ao ingresso para o 1º ciclo, idealmente a criança já deve ser capaz de produzir todos os sons corretamente. Todavia, cada criança tem o seu desenvolvimento e é importante respeitá-lo.

Alterações ao nível das funções motoras orais (sucção, mastigação, respiração e deglutição) poderão acarretar variações de fala, uma vez que acarretarão alterações no desenvolvimento da musculatura orofacial e cervical, influenciando todas as funções anteriormente referidas. No entanto, importa referir que funções, como a alimentação, mesmo que possam influenciar esta aquisição, têm uma aquisição distinta e, não podemos afirmar que, uma perturbação da alimentação, por exemplo, originará um problema de fala. As alterações de fala também poderão ser provocadas por alterações estruturais ou/e por maus hábitos recorrentes (uso de chupeta, respiração oral, “chuchar no dedo”, roer as unhas, etc.).

Cabe a nós, adultos, estimular a aquisição e desenvolvimento das funções motoras orais e, posteriormente, a fala. Para tal deixamos, de seguida, algumas dicas para esta estimulação:

– Incentivar a produção de sons (do carro, dos animais, do avião, da buzina, etc.);

– Fazer, em modo de brincadeira, movimentos de língua e de lábios;

– Fazer repetições de sílabas (“papapa”, “tatata”, “cacaca”);

– Exagerar na articulação dos sons e incentivar a criança a olhar para si enquanto o faz, de forma a que consiga perceber a forma de produzir o som;

– Utilizar a divisão silábica de forma a corrigir a produção incorreta de palavras.

Cada criança segue o seu ritmo de desenvolvimento, porém, quando surgir dúvidas no que diz respeito às funções referidas, torna-se fulcral procurar um profissional capacitado para o orientar e aconselhar e, neste caso, recorra a um Terapeuta da Fala.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

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