Artigo de Opinião–Mutismo Seletivo e Terapia da Fala
O mutismo seletivo é considerado uma Perturbação de Ansiedade caracterizada pela recusa em falar em determinadas situações sociais (ex: na escola), embora a criança o faça noutras situações. Apesar destas crianças terem capacidades de linguagem satisfatórias, não iniciam o discurso ou não respondem quando os outros lhes falam. Habitualmente surge em crianças tímidas, introvertidas e ansiosas que falam apenas com a família mais próxima.
Os traços comportamentais associados ao Mutismo Seletivo incluem timidez excessiva em ambientes não familiares, evitamento social, isolamento, baixa autoestima, birras ou alguns comportamentos de oposição. É uma problemática que envolve principalmente crianças em idade escolar, comprometendo o seu desempenho escolar e a comunicação no geral. O facto de recusarem falar na escola interfere no seu rendimento, uma vez que os professores têm dificuldade em avaliar as suas capacidades (ex. leitura).
Que sintomas podemos observar nestas crianças?
- Dificuldade em manter contato visual;
- Ausência de sorriso perante pessoas desconhecidas ou permanecem com expressões vazias;
- Movimentam-se de forma rígida;
- Dificuldade em concretizar interações sociais (ex. saudações, despedidas ou agradecimentos);
- Sensibilidade ao ruído e a locais com muitas pessoas;
- Dificuldade em falar sobre si ou em expressar sentimentos.
Se tiver um filho com esta perturbação:
- Não force a criança a falar;
- Elabore formas alternativas de comunicação através de símbolos, gestos ou escrita;
- Evite que a criança seja o centro das atenções;
- Favoreça a prática de atividades desportivas que permitam a interação social e o aliviar de algumas tensões;
- Responsabilize a criança por pequenas rotinas domésticas que estimulem competências de autonomia e de interação;
- Reforce sempre que houver um aumento no seu comportamento verbal (elogios, abraços, passeios, etc.).
Se tiver um filho com esta perturbação:
- Permita que a criança comunique não-verbalmente, e gradualmente solicite um aumento da comunicação oral;
- Reforce positivamente todas as interações sociais, orais ou não, com reforços que sejam significativos para a criança;
- Peça a colaboração dos colegas para que ajudem a criança a sentir-se feliz e aceite no grupo;
- Responsabilize a criança por pequenas tarefas que promovam competências de autonomia e de organização e gestão de sala-de-aula (ex. distribuir materiais, recolher trabalhos de casa, tirar fotocópias);
- Não torne a criança o centro das atenções, visto que tal aumenta a sua ansiedade.
Disponha a sala em grupos e desenvolva atividades em pequeno grupo;
Desenvolva atividades e jogos de movimento e comunicação (ex. mímica, imitação, adivinhas).
O diagnóstico precoce é sempre o mais aconselhável e deve ser realizado por uma equipa multidisciplinar que permitirá elaborar o perfil da criança e implementar processos de modificação comportamental.
Ana Carolina Melo Marques C-046322175
Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu






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