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Artigo de Sara Morais—Ansiedade vs Homeostasia

1º Eixo Somático: Alterações Fisiológicas

Ansiedade é atualmente um termo corriqueiro, uma sensação de mal-estar físico e psicológico, cada vez mais frequente numa sociedade em que o ritmo e as exigências são cada vez maiores. Denota-se como uma reação natural, uma espécie de sensor, que alerta para a presença do stress persistente.

A ansiedade é natural quando é positiva, ou seja, quando é caracterizada pela célebre sensação de “borboletas na barriga” face à exposição de experiências e processos adaptativos.

No entanto, a agudização da intensidade e frequência do mal-estar físico e psicológico, transforma a naturalidade em patologia sendo desencadeada por diversos fatores:  endógenos, no que diz respeito a disfunções hormonais ou desenvolvimento de outras doenças; e exógenos que destacam o contexto pessoal, profissional, familiar e, até mesmo, social enquanto catalisadores de emoções negativas.

A ansiedade apresenta-se de forma diversificada assente num eixo somático de alterações a nível comportamental, cognitivo, social, físico e fisiológico. Numa primeira análise é importante identificar os vários sintomas físicos e adquirir consciência sobre as respetivas respostas fisiológicas.

Ao compreender o corpo como uma máquina, em constante funcionamento, a trabalhar para manter um equilíbrio sobre os vários organismos, desde os multicelulares, neurais, musculares, aos órgãos e tecidos; qualquer força contrária vai, seguidamente, produzir respostas adaptativas para restabelecer a homeostasia.

Uma das reações físicas, mais associadas, é a taquicardia, também compreendida como o aumento dos batimentos cardíacos. Este aumento ocorre quando existe exposição ao stress, a glândula adrenal vai libertar norepinefrina em maior quantidade. Seguidamente, o sistema simpático é estimulado com o objetivo de preparar o organismo para reagir a situações repentinas e de maior stress, aumentando, consequentemente, a frequência cardíaca aumenta.

A dificuldade respiratória é, também, um dos sintomas mais frequentes desta patologia. Se concluir que a respiração saudável mantém um equilíbrio entre a inspiração de oxigénio e a expiração de dióxido de carbono, então, quando a frequência cardíaca aumenta existe uma dilatação das vias respiratórias e, por conseguinte, a taxa de  dióxido de carbono é reduzida no organismo – Hiperventilação. A redução de dióxido de carbono, é também responsável por outros sintomas como tonturas e dormência que ocorrem devido à contração dos vasos sanguíneos.

Um outro sintoma é a tensão abdominal (sensação de nó no estômago) acontece porque quando o sistema simpático é ativado, os músculos abdominais são forçados a contrair e apertar os órgãos, reduzindo o funcionamento dos demais processos fisiológicos como a digestão e a urina com a finalidade de preparar o organismo para uma resposta de emergência.

Em adição, o stress aumenta a secreção de cortisol e norepinefrina o que provoca, por sua vez, a libertação do ácido do suco gástrico em excesso, surge de imediato a irritação do trato digestivo o que causa as náuseas e vómitos que são tão característicos da ansiedade.

Como anteriormente referido, a ativação do sistema nervoso simpático leva ao aumento da secreção da adrenalina que é responsável pela vasoconstrição, tendo como um dos objetivos direcionar o fluxo sanguíneo para as zonas do corpo que carecem de maior irrigação, como o sistema músculo-esquelético. Esta redução da irrigação, promove a contração de determinadas células, nomeadamente aquelas  localizadas nas glândulas salivares, a produção da saliva é diminuída, assim como, também, contrai os vasos de superfície da pele levando à queda da temperatura , induzindo  característico suor frio.

Estes sintomas e respostas fisiológicas surgem do jogo antagônico entre o sistema simpático e o parassimpático que colaboram entre si numa coordenação para manter a Homeostasia.

Para concluir, a Hipnose Clínica assume um papel preponderante no processo de Homeostase. A própria ação indutiva do transe hipnótico permite o relaxamento do tônus muscular, favorecendo a libertação da serotonina e dopamina para diminuir os níveis elevados de cortisol e norepinefrina no organismo. Esta atuação promove o controle da amígdala favorecendo uma resposta parassimpática e, por conseguinte, reduz atividade simpática.

No próximo boletim de saúde serão abordadas as reações comportamentais.

Sara Morais – Hipnoterapeuta

Consultas 912 583 244

sfilipa.morais@gmail.com

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