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Avisos e Liturgia do 11º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

O ritmo de vida do nosso tempo é alucinante. O tempo voa! A tecnologia ajuda a este ritmo frenético, o que torna difícil a nossa adaptação. As crianças, ainda de tenra idade, aprendem rapidamente a usar os aparelhos electrónicos com mais destreza do que os adultos. E isto deixa-nos inquietos e perplexos. Não temos tempo para nada. Queixamo-nos que o tempo passa muito depressa sem darmos conta. Muitas vezes dizemos: “Se tivesse mais tempo, ainda ia fazer isto…”. Enquanto nos lamentamos, o tempo continua a correr. Nesta vida apressada, as palavras de Jesus vêm trazer paz e serenidade. Faz-nos cair na realidade do tempo da nossa vida, que está relacionado com o tempo da natureza. Todo o Cosmos (Universo), como sabemos, foi formado ao longo de muitos anos, muito lentamente, e o equilíbrio da natureza foi acontecendo com o tempo. A natureza é a imagem da nossa vida.

Queixamo-nos que não temos tempo. Mas não podemos esquecer que o tempo é um dom de Deus. No texto do evangelho deste Domingo, Jesus diz que a “semente germina e cresce, sem o homem saber como”. Enquanto o tempo vai passando, “o homem dorme e levanta-se, noite e dia”, e a planta vai crescendo. “E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita”. Pois o tempo de cada um de nós é um dom de Deus. A vida de cada um tem um caminho com o seu ritmo, que faz uma história, que se relaciona com as vidas dos outros. E não podemos forçar o tempo de Deus para cada um. Ele tem o seu desígnio providente sobre nós e faz com que o procuremos com confiança e liberdade, o que é bom para a nossa felicidade, em comunhão com os outros. Os projectos de Deus foram encarnados em Jesus. Nele encontramos todas as directrizes que são válidas para todos os tempos se as soubermos escutar no íntimo do nosso coração. O que me pede Deus? O que pretende Jesus de mim? Cada pessoa faz o seu caminho que deve ser respeitado por todos. Temos de amar cada um e convidar cada um a reconhecer o dom de Deus na sua vida, valorizando a humildade e a grandiosidade das pequenas acções. Como o grão de mostarda, a menor de todas as sementes que há na terra, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta. O profeta Ezequiel também convidava a transformar o mundo, seduzido pelas aparências; afirmando Deus pela sua boca: “Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca”.

Na sociedade do nosso tempo, reina o caminho da eficácia, da rentabilidade, do progresso, de aproveitar oportunidades, até os fracassos. Mas estes “valores” nem sempre estão orientados para o bem das pessoas, levando, muitas vezes, a desequilíbrios que provocam vítimas de toda a espécie e a destruição da natureza. As pessoas, os acontecimentos, o trabalho, as responsabilidades, a experiência de cada dia é onde Deus se torna presente, ainda que não O vejamos. E na correria da vida, tantas vezes não damos conta da Sua presença, porque andamos atarefados e acumulamos oportunidades perdidas para amar. Não estará a ser necessário parar e respirar um pouco? Não será altura para escutar o que o nosso corpo e o nosso espírito nos pedem para reencontrar a paz e o caminho da serenidade?

Neste Domingo, somos convidados a viver o tempo de Deus que é o nosso tempo. É importante viver com uma atitude de caminhar com alegria, com vontade de servir os outros, acariciando e contemplando a beleza da natureza, acolhendo e amando todos os que nos rodeiam. Deus pede-nos para semear nos outros as sementes de esperança, pelas quais ficarão cheios do Seu amor. A Eucaristia aproxima-nos do tempo de Jesus, morto e ressuscitado que nos transforma interiormente, nos alimenta e nos encoraja para servir.

13-06-2021

 

 

LEITURA ESPIRITUAL

Irmãos, ouvistes que o Reino dos céus, em toda a sua grandeza, é parecido a um grão de mostarda. É apenas isto que os crentes esperam? É isto que os fiéis aguardam? É isto “o que o olho não viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais veio ao coração do homem”? É isto que o apóstolo Paulo promete, e que está reservado no mistério inexprimível da salvação àqueles que amam? (1Cor 2,9) Não nos deixemos desconcertar pelas palavras do Senhor. Se, de fato, «a fraqueza de Deus é mais forte do que o homem, e a loucura de Deus é mais sábia do que o homem» (1Cor 1,25), essa pequena coisa que é o bem de Deus é mais esplêndida do que a imensidão do mundo.

Possamos nós semear no nosso coração esta semente de mostarda, de modo que ela venha a ser a grande árvore do conhecimento (Gn 2,9), elevando-se em toda a sua altura para elevar os nossos pensamentos para o céu, e desenvolvendo todos os ramos da inteligência.

Cristo é o Reino. Como se fosse um grão de mostarda, ele foi lançado num jardim, o corpo da Virgem. Cresceu e tornou-Se a árvore da cruz que cobre a terra inteira. Depois de ter sido esmagado pela Paixão, o Seu fruto produziu sabor suficiente para dar o Seu bom gosto e o Seu aroma a todos os seres vivos que n’Ele tocam. Pois, enquanto a semente de mostarda está intacta, as suas virtudes permanecem ocultas, mas desenvolvem toda a sua pujança quando a semente é esmagada. Da mesma forma, Cristo quis que o Seu corpo fosse esmagado para que a sua força não ficasse oculta. Cristo é Rei, porque é a fonte de toda a autoridade. Cristo é o Reino, pois n’Ele está toda a glória do Seu reino. (S. Pedro Crisólogo, Sermão 98).

 

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Ano B - Tempo Comum - 11º Domingo - Boletim Dominical II

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