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Avisos e Liturgia do 12º Domingo do Tempo Comum – ano B

A liturgia deste Domingo coloca-nos diante do tema da limitação da natureza humana. Os relatos de Job, na primeira leitura, e da tempestade acalmada, no texto do evangelho, são exemplos que nos ajudam a tomar consciência desta realidade que, por vezes, nos deixa um pouco incomodados e inseguros. Jesus deixa a margem de Cafarnaum para passar para a outra margem, ou seja, para a costa ocidental do lado da Galileia, que na época era território pagão, não pertencia ao povo judeu. No meio da travessia do mar, levanta-se um forte temporal. Na nossa vida, também se levantam tantas tempestades!

A primeira leitura faz referência à “tempestade” na vida de Job. Deus colocou-o à prova. Job perde todos os seus bens materiais, perde a sua saúde ficando leproso, o seu casamento entrou em crise e perdeu a sua boa reputação. Como reagiu Job perante todas estas tormentas? Continuou a confiar em Deus, apesar de no início sentir que Ele não lhe respondia à sua oração e, aparentemente, não lhe ajudava. Parece que Deus tinha abandonado Job, mas ele continuou a confiar Nele. A barca da vida de Job estava ancorada no seu Deus. Por isso, nenhuma tempestade podia afastá-lo de Deus. Quando tudo estava perdido na vida de Job, ficou somente Deus e ele, o próprio Job. Esta provação e tormenta gerou entre Job e Deus uma íntima comunhão, originando um final feliz e triunfal, a tal ponto de Job afirmar: “quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro ou gravadas em bronze com estilete de ferro, ou esculpidas em pedra para sempre! Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a terra. Eu O verei, meus olhos O hão-de contemplar”.

Também os Apóstolos fizeram a experiência da tempestade na barca, estando Jesus com eles. “Levantou-se uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água”. Todos corriam perigo de vida. A barca podia afundar-se a qualquer instante. Apesar de toda esta aflição, “Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada”. Jesus não se sente ameaçado, não entrou em pânico, estava em sereno e tranquilo! Porém, os discípulos estavam aflitos, gritavam, corriam de um lado para o outro…e Jesus continuava a dormir! Como é possível esta despreocupação de Jesus? Então, eles acordaram Jesus e disseram em forma de protesto e de desespero: “Mestre, não te importas que pereçamos?”. Depois de Jesus ter acalmado a tempestade, disse-lhes: “Porque estais assustados? Ainda não tendes fé?”. Jesus ensina-nos a viver na certeza de que na tempestade e na bonança da nossa vida estamos nas mãos de Deus. Vivendo assim, não só ficam reduzidas as nossas dificuldades, mas também aprendemos a ser discípulos de Jesus.

Perante isto, como enfrentar as tempestades da nossa vida e as tempestades da Igreja? Dois mil anos de Cristianismo recheados de tantas tormentas! Quando parece que tudo está perdido e a desabar, quando começamos a duvidar e a ficar inseguros, levanta-se sempre uma voz que parece despertar de um longo sono a dizer: “Não tenhais medo. Porque estais assustados? Ainda não tendes fé?”. E o mar acalma-se novamente; a barca de Pedro, que é a Igreja, continua o seu rumo através dos séculos. Cristo não está longe de nós; dorme na barca da nossa vida, para que quando a nossa fé desfalecer, quando estivermos tristes e angustiados, Ele tomar o governo da nossa vida. Tantas tempestades na nossa vida: incompreensões, crises familiares, desânimos, difamações, problemas de saúde…e tantas outras! Tantas tempestades na Igreja: perseguições aos cristãos, a falta de vocações, pecados escandalosos, tantas pessoas que se afastaram da Igreja!

Apesar disto, Jesus está presente e atento. Ele quer continuar a construir algo de novo em nós e connosco. Perante um momento difícil da nossa vida, sem solução aparente, quando parece que Deus não nos fala nem nos ajuda, coloquemo-nos nas suas mãos, porque iremos experimentar, mais cedo ou mais tarde, o seu conforto e a sua paz. Não sejamos homens e mulheres de pouca fé! Tenhamos uma fé firme, alimentada pela oração, pelos sacramentos e pelas nossas boas obras. Só assim encontraremos a força e a coragem para enfrentar as tempestades da vida, para, de seguida, sermos mensageiros da bonança e da tranquilidade de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

20-06-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Os discípulos aproximam-se dele, despertam-No e dizem: «Senhor, ajuda-nos que perecemos!». Ó bem-aventurados, ó verdadeiros discípulos de Deus, tendes convosco o Senhor, vosso Salvador e temeis? A Vida está convosco e inquieta-vos a vossa morte? Tirais do sono o Criador, como se Ele não pudesse, mesmo dormir, acalmar as ondas, fazer cessar a tempestade!

Que respondem a isto os discípulos bem-amados? Somos criancinhas ainda fracas. Ainda não somos homens vigorosos. Ainda não vimos a cruz; a Paixão do Senhor, a sua ressurreição, a sua ascensão aos céus, a descida do Espírito Santo Paráclito ainda nos não tornaram sólidos. O Senhor tem razão ao dizer-nos: «Porque temeis, homens de pouca fé?» Porque estais sem força? Porquê essa falta de confiança? Porquê tão pouca temeridade quando tendes a Confiança convosco? Mesmo que a morte irrompesse, não deveríeis suportá-la com grande constância? Em tudo aquilo que acontece, dar-vos-ei a força necessária, em todos os perigos, em todas as provas, incluindo a saída da alma do seu corpo. Se, nos perigos, a minha força é necessária para tudo suportardes com fé, como homens, quanto mais necessária não será ela para não cairdes nas tentações desta vida!

Porque vos perturbais, gente de pouca fé? Sabeis que tenho poder sobre a terra; porque não acreditais que tenho também poder sobre o mar? Se Me reconheceis como verdadeiro Deus e Criador de tudo, porque não acreditais que tenho poder sobre tudo o que criei? Então, «falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: “Cala-te e fica quieto”. O vento cessou e fez-se grande bonança.» (Homilia grega antiga, erradamente atribuída a Orígenes, c.185-253, presbítero, teólogo).

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano B - Tempo Comum - 12º Domingo - Boletim Dominical II

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