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Avisos e Liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum- ano B

A mulher e o homem são chamados a viver em harmonia, em mútua companhia. Sim, é verdade, são chamados. A Bíblia não é um livro de ciência, mas um livro religioso, o qual faz uma interpretação religiosa da realidade, sempre complexa, da relação entre o homem e a mulher. Diz-nos como devem ser as nossas relações: entre vizinhos, entre amigos, entre os esposos. E em todas as relações temos de ter bem presente os seguintes verbos: amar, respeitar, acolher, perdoar. Em primeiro lugar, temos de constatar o seguinte: é importante viver em relação porque isto enriquece-nos. A primeira leitura deste domingo é muito clara: “não é bom que o homem esteja só”. Em segundo lugar, é importante não esquecer que todos temos a mesma dignidade, que todos somos da mesma espécie, porque todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou-os homem e mulher”. Temos a mesma dignidade, completamo-nos uns aos outros. A primeira leitura recorda-nos isto da seguinte forma: “Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne”. O homem e a mulher unem-se para serem uma só carne, ou seja, um só eu, um só tu, uma só família, uma só comunidade.

Todavia, bem sabemos que este chamamento à harmonia, a “uma só carne”, não é fácil, porque muitas vezes nos esquecemos que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, ou seja, deixamos dominar a “dureza do nosso coração”, como Jesus nos diz no Evangelho. A “dureza do coração” são as nossas resistências que prejudicam as nossas relações, mesmo no casamento. Portanto, é fundamental que todos tenhamos uma ideia clara de como somos. Recordemos a célebre sentença grega do templo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”. É importante saber como posso enriquecer a minha relação com o outro, no casamento ou noutra forma ou situação da vida. É importante saber de que maneira estou a ser causa de conflitos e obstáculos no relacionamento com os outros. Tantas vezes ouvimos estas frases: “eu sou assim”, “já sabes que sou assim”, “comigo é assim”, “quem quer que se mude”, “quem não está bem que se mude”. Isto é o mesmo que dizer “não esperes que abandone o meu comodismo, o meu conforto, o meu sofá, o meu mundo, as minhas ideias”. Se não quero mudar para melhorar, se não quero crescer como pessoa para ser mais semelhante a Deus, estou a revelar a dureza do meu coração. Desta forma estou a resistir viver o espírito das bem-aventurança, que é a “selfie” que Jesus faz de si mesmo: simplicidade de coração, construtor da paz, aceitação da minha fraqueza e pobreza e de tudo o que me falta para ser um digno filho de Deus.

Nas suas palavras, Jesus recorda o que foi dito no princípio da criação: “Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu”. Temos de realçar este aspecto: “o que Deus uniu”. Se não houver uma sinceridade inicial absoluta, uma entrega total, uma vontade de ser melhor e de ajudar o outro a ser melhor, uma vontade de viver o casamento com critérios evangélicos, não sei se podemos dizer que foi unido por Deus! Se não acolho o outro como um dom que Deus me concede, com a simplicidade de uma criança que acolhe o Reino de Deus, não viverei uma relação própria de alguém que foi criado à imagem e semelhança de Deus.

Será que estamos a colocar a fasquia muito alta? Bem, Deus é que nos chama a ser perfeitos e santos! Todavia, temos consciência das nossas limitações. Para viver o amor, precisamos, muitas vezes, de rever e de recomeçar. Peçamos a Deus que nos acompanhe nesta aventura de amar como o Seu Filho Jesus Cristo nos amou.

03-10-2021

Orientações CEP 30.09.2021_1

LEITURA ESPIRITUAL

Na Bíblia encontrarmos uma imagem estritamente metafísica de Deus: Deus é absolutamente a fonte originária de todo o ser; mas este princípio criador de todas as coisas — o Logos, a razão primordial — é, ao mesmo tempo, um amante com toda a paixão de um verdadeiro amor. Deste modo, o eros é enobrecido ao máximo, mas simultaneamente tão purificado que se funde com a agape.

A primeira novidade da fé bíblica consiste na imagem de Deus; a segunda, essencialmente ligada a ela, encontramo-la na imagem do homem. A narração bíblica da criação fala da solidão do primeiro homem, Adão, querendo Deus pôr a seu lado um auxílio. Dentre todas as criaturas, nenhuma pôde ser para o homem aquela ajuda de que necessita, apesar de ter dado um nome a todos os animais selvagens e a todas as aves, integrando-os assim no contexto da sua vida. Então, de uma costela do homem, Deus plasma a mulher. Agora Adão encontra a ajuda de que necessita: «Esta é, realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne» (Gn 2, 23). Na base desta narração, é possível entrever concepções semelhantes às que aparecem, por exemplo, no mito referido por Platão, segundo o qual o homem originariamente era esférico, porque completo em si mesmo e auto-suficiente. Mas, como punição pela sua soberba, foi dividido ao meio por Zeus, de tal modo que agora sempre anseia pela outra sua metade e caminha para ela a fim de reencontrar a sua globalidade. Na narração bíblica, não se fala de punição; porém, a ideia de que o homem de algum modo esteja incompleto, constitutivamente a caminho a fim de encontrar no outro a parte que falta para a sua totalidade, isto é, a ideia de que, só na comunhão com o outro sexo, possa tornar-se «completo», está sem dúvida presente. E, deste modo, a narração bíblica conclui com uma profecia sobre Adão: «Por este motivo, o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). (Bento XVI, encíclica Deus Caritas Est, 9-11).

 

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Ano B - Tempo Comum - 27º Domingo - Boletim Dominical II

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