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Avisos e Liturgia do Domingo Santíssima Trindade – ano B

 

Só o amor pode dar sentido e sustentar a nossa vida. Só o amor nos salva da solidão. Só uma criança que se sente desejada e amada crescerá harmoniosamente e sentir-se-á feliz e confiante. Para se falar de Deus, a melhor palavra humana é “amor”. Afirmamos e sentimos que Deus é bom e que nos ama apaixonadamente. No decorrer da nossa vida cristã temos de ir descobrindo como Deus se torna presente na nossa vida e cuida de nós. Quando sentimos que não somos amados pelos nossos amigos invade-nos a tristeza e o desânimo. Se não nos sentirmos amados por Deus a nossa fé é inútil. O afecto dos outros e para os outros tira-nos do isolamento e leva-nos a pensar que é Deus que estimula este fogo que nos faz viver. Deus ama-nos com um amor profundo que vai até ao íntimo do nosso ser e torna-se presente no amor dos outros. Porque temos certeza disto? Porque quando nos sentimos amados verdadeiramente apercebemo-nos de que não é uma permuta de favores. Sentimos que somos amados como somos, gratuitamente.

Deus é amor. Neste domingo, celebramos o amor trinitário de Deus que está entre nós e no nosso coração. Celebramos um mistério que se experimenta na nossa mais profunda intimidade. Deus não ficou nem está numa solidão que podemos somente apreciar de longe, mas fez-se um de nós em Jesus, para que com Ele e por Ele possamos sentir o seu abraço paterno/materno, sentindo, desta forma, o Espírito do seu amor que tudo envolve e renova.

Como podemos conhecer Deus? Através de Jesus! Nele conhecemos os sentimentos de Deus, a sua ternura, a sua misericórdia, e sabemos que é Seu desejo que vivamos como seus filhos e como irmãos uns dos outros. É esta certeza que nos entusiasma na vida, é como fogo que nos habilita para amar, é como mestre interior que nos leva ao conhecimento da verdade da nossa vida e do sentido da história e do universo. “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: ‘Abbá, Pai’ (Rm 8, 14-16).

Mas não podemos esquecer que os outros são rostos de Cristo. Este mistério que celebramos é um mistério de comunhão pessoal, fonte de vida e de amor que nos envia para os outros. Temos a missão de ajudar os outros a descobrirem o rosto amoroso deste Deus que “nos visita”, como pinta Rublev no seu ícone que se encontra em tantos lugares de oração silenciosa e contemplativa. Entrar na intimidade de Deus contemplando um belo ícone, fruto do silêncio criativo e amoroso do artista, não leva ao afastamento da realidade do mundo e da vida, mas a aproximar-se dela de uma maneira nova, a partir da misericórdia compassiva, a partir de olhar o outro como o rosto de Cristo.

A criação é também ícone da Trindade, como nos mostrou o Papa Francisco na sua encíclica “Laudato si”, na sua diversidade e na sua unidade integrada e integradora. Toda a criação é fruto deste amor de Deus e canta os seus louvores: “Deus escreveu um livro precioso, cujas letras são a multidão das criaturas que existem no universo”. “O sol, a água, as montanhas, tudo é carícia de Deus”. Por isso, S. Francisco de Assis tratava os seres vivos como irmãos; por isso, temos de valorizar e acarinhar a natureza como sinal da presença de Deus.

Maria de Nazaré é também ícone e espelho da Trindade, porque ela acolheu a vontade do Pai e concebeu o Filho com a ternura do Espírito Santo. Por isso, ela é também o caminho para chegar a este mistério de amor e de serviço (deixou tudo e foi visitar e ajudar a sua prima Isabel). Celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade é celebrar o amor de Deus que nos ama profundamente; é celebrar o testemunho que Jesus dá deste amor imenso, derramando-o nos nossos corações; é celebrar o Espírito Santo que nos concede a força de amar. Toda a nossa vida está construída neste mistério de amor que se espalha através das relações humanas, do serviço solidário, da criação, da arte, da alegria de viver e de comunicar que somos fruto do amor. Deus ama-nos e convida-nos a amar sem medida.

30-05-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Eis a ordem da nossa fé, o fundamento do edifício e a base da nossa conduta: Deus Pai, incriado, incircunscrito, invisível, único Deus, criador do universo. Tal é o primeiro e principal artigo da nossa fé. O segundo é o Verbo de Deus, Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor, que apareceu aos profetas segundo o desígnio da sua profecia e segundo a economia disposta pelo Pai; por meio dele foi criado o universo. E no fim dos tempos, para recapitular todas as coisas, (o Verbo) fez-se homem entre os homens, visível e palpável, para destruir a morte, para manifestar a vida e restabelecer a comunhão entre Deus e o homem. E como terceiro artigo, o Espírito Santo, de cujo poder os profetas profetizaram, os Padres foram instruídos no que se refere a Deus, os justos foram guiados no caminho da justiça, e que no fim dos tempos foi difundido de um modo novo sobre a humanidade, por toda a terra, renovando o homem para Deus.

Por isso, o baptismo, o nosso novo nascimento, tem lugar nestes três artigos, e concede-nos renascer para Deus Pai por meio do seu Filho no Espírito Santo, porque os portadores do Espírito de Deus são conduzidos ao Verbo, isto é, ao Filho, que os acolhe e os apresenta ao Pai, e o Pai dá-lhes a incorruptibilidade. Sem o Espírito, é, pois, impossível ver o Verbo de Deus, e sem o Filho, nada pode aproximar-se do Pai, porque o Filho é o conhecimento do Pai, e o conhecimento do Filho se obtém por meio do Espírito Santo. Mas o Filho, segundo a bondade do Pai, concede como ministro o Espírito Santo a quem quer, e como o Pai quer. (S. Ireneu de Lião, Demonstração da pregação apostólica, 6-7)

 

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Ano B - Tempo Comum - Santíssima Trindade - Boletim Dominical II

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