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Avisos e Liturgia do Domingo V de Páscoa – ano B

O texto do evangelho deste Domingo recorda-nos que se o ramo não estiver unido à videira não recebe dele a vida, não pode dar fruto. É mais que evidente que temos necessidade de viver unidos a Jesus, a verdadeira videira. Sem Ele, a nossa vida será estéril, vazia, sem sentido, sem horizontes…

Como fazer a descoberta de nós próprios? Na relação com os outros. A nossa vida tem sentido graças à família, aos amigos, àquelas pessoas que nos abordam, às nossas motivações, aos nossos projectos e ambições salutares. Podemos afirmar que estamos enxertados numa vida em relação, em caminho, com muitas potencialidades e limitações. Tudo o que partilhamos, em espírito e verdade, com as pessoas que nos acompanharam ou acompanham, amando-nos, é comunhão fraternal e vida frutífera. Precisamos uns dos outros e completamo-nos uns aos outros. Sendo assim, como me relaciono com os outros? Sou afável, delicado, paciente, dedicado, prestável? Ou sou carrancudo, indiferente, grosseiro? Quando é que me sinto mais unido às pessoas que me rodeiam nas diversas circunstâncias da minha vida?

O profeta Isaías cantava o amor apaixonado de Deus pelo seu povo. É belíssimo o seu cântico da vinha (5,1-7): “Sobre uma fértil colina, o meu amigo possuía uma vinha. Cavou-a, tirou-lhe as pedras, e plantou-a de bacelo escolhido (boas cepas)”. Trata-se de uma vinha cultivada com esmero e amada. “Depois esperou que lhe desse boas uvas, mas ela só produziu agraços”. “A vinha do Senhor do universo é a casa de Israel; os homens de Judá são a sua cepa predilecta. Esperou deles a justiça, e eis que só há injustiça; esperou a rectidão e eis que só há lamentações”. Apesar da instabilidade humana, Deus continua a amar. E do coração da humanidade surgirá a verdadeira vide que nos dará vida: Jesus Cristo.

Em oposição à “vinha estéril” Jesus afirma no evangelho: “Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor”. É com esta força robusta e proactiva que Jesus se apresenta e também nos apresenta como seus “ramos”, cuidados zelosamente pelo “lavrador” sublime: Deus Pai. Ele cuida amorosamente de todos nós. A comunhão, em espírito e verdade, com Jesus ressuscitado, pode saciar-nos a vida: “Deus permanece em nós” onde quer que estejamos, para que tenhamos vida e produzamos bom fruto. Sem Ele, onde estaríamos? Que poderíamos fazer? Aquilo que, aos nossos olhos, é impossível ou difícil, para Deus é possível. O Pai-lavrador cuida de nós; se for necessário, poda-nos; com a vida pascal, enxerta-nos para que possamos dar fruto em abundância e de qualidade. Assim podemos afirmar: graças à “poda divina” cortam-se os ramos inúteis e as folhas secas e assegura-se a produção frutífera. Isto também vale para a nossa vida.

Mas, que frutos têm de dar os cristãos e as comunidades cristãs? A primeira leitura deste domingo diz-nos que a “Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e vivendo no temor do Senhor e ia crescendo com a assistência do Espírito Santo”. As comunidades iam tomando forma através de um espírito de acolhimento, de convivência, de presença, de abertura e de entusiasmo para originar outras comunidades. Viviam unidos a Cristo-Videira: viver na presença do Senhor e sentir a proximidade Dele é o terreno ideal para dar fruto. Mas qual é o fruto que devemos dar? A resposta encontramos em S. João, na segunda leitura: “Não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade”. Se amarmos, com obras e em verdade, podemos ter a certeza de que Deus está connosco.

Elo de Comunhão 02-05-2021

LEITURA ESPIRITUAL

«Aprouve [a Deus] que nele [em Cristo] habitasse toda a plenitude» (Col 1,19); Ele está adornado de todos os dons que acompanham a união hipostática; porquanto nele habita o Espírito Santo com tal plenitude de graças, que não se pode conceber maior. A Ele foi dado poder sobre a carne (cf Jo 17,2); Dele provém ao corpo da Igreja toda a luz que ilumina divinamente os féis, e toda a graça com que se fazem santos como Ele é santo.

É ele que infunde nos féis a luz da fé; Ele que aos pastores e doutores, e sobre todos ao seu vigário na Terra, enriquece divinamente com os dons sobrenaturais de ciência, entendimento e sabedoria, para que conservem fielmente o tesouro da fé, o defendam corajosamente, piedosa e diligentemente o expliquem e valorizem; é Ele enfim o que, invisível, preside e dirige os concílios da Igreja.

Cristo é o autor e o operador da santidade, já que nenhum acto salutar pode haver que dele não derive como fonte soberana: «Sem Mim nada podeis fazer» (Jo 15,5). Se nos sentimos movidos à dor e contrição dos pecados cometidos, se com temor e esperança filial nos convertemos a Deus, é sempre a sua graça que nos comove. A graça e a glória brotam da sua inexaurível plenitude.

E quando, com rito externo, se ministram os sacramentos da Igreja, é Ele que opera o efeito correspondente nas almas. É Ele também que, nutrindo os fiéis com a própria carne e o próprio sangue, serena os movimentos desordenados das paixões; é Ele que aumenta as graças e prepara a futura glória das almas e dos corpos.

Cristo faz que a Igreja viva da sua vida sobrenatural, penetra com a sua divina virtude todo o corpo e cada um dos membros, segundo o lugar que ocupa no corpo, nutre-o e sustenta-o do mesmo modo que a videira sustenta e torna frutíferas as vides aderentes à cepa (cf Jo 15,4-6). (Pio XII, 1876-1958, papa, Encíclica «Mystici Corporis», 47-53).

 

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Ano B - Tempo Pascal - 5º Domingo - Boletim Dominical II

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