Avisos e Liturgia do V Domingo de Páscoa – ano A
Todos desejamos ser felizes. Neste aspecto, estamos todos de acordo. Sim, desejamos, porque não o somos como desejávamos. Somos eternos insatisfeitos e medrosos. Tememos perder o pouco de felicidade que vamos tendo. Tememos tomar a decisão errada e ser impossível voltar atrás. Tememos que a felicidade não exista e que todo o nosso esforço tenha sido em vão. Uma das características da nossa geração é a incapacidade de tomar decisões definitivas. Tudo é tão duvidoso e tudo muda tão depressa que não nos atrevemos a pôr as mãos no fogo por nada, nem por ninguém. Podemos ser despedidos da noite para o dia; alguns, ontem, diziam uma coisa e hoje dizem totalmente o contrário. Como se pode, assim, assumir um compromisso para toda a vida? Há uma crise de instabilidade. Somos uma “sociedade líquida”, até mesmo “gasosa”; uma sociedade sem vínculos nem forças de coesão.
Então, onde encontraremos a solução? Há alguma receita? Alguma terapia para recuperar o norte, a confiança, a segurança? Temos conhecimento de pessoas que, com esperteza, procuram alcançar uma felicidade que, mau grado, cada vez é mais incerta. Ambicionam um corpo perfeito, sucesso nas redes sociais, o homem/mulher ideal, a solução dos problemas com técnicas de meditação duvidosas, a alucinação autodestrutiva das drogas…
Mas, e a solução perfeita? Jesus é a resposta a todas as nossas inquietações e ambições. Jesus é o caminho. Não é uma poção mágica que tudo cura de uma só vez. É o caminho que nos permite avançar, pouco a pouco, com esforço, sem saber, previamente, o percurso e a distância. Mas, se há um caminho, há uma meta. Se O seguimos, não nos perdemos nem nos desorientamos. Tudo tem sentido.
Jesus é a verdade. Todas as teorias e correntes ideológicas têm os seus pontos fracos, porque são construções humanas. É evidente que desconfiamos de algumas ideologias. Mas a verdade existe. Não é uma ideia. É uma pessoa. Jesus é a referência sólida para construirmos a nossa vida sobre a rocha. Ele não muda segundo as conveniências, nem passa de moda.
Por isso, Jesus é, também, vida. Não é o “vai-se vivendo”. É a vida com letras maiúsculas, a plenitude que desejamos, a felicidade que sonhamos. É uma vida ao alcance de todos. Na sociedade de hoje, há pessoas exploradas e escravizadas pelo sistema, para que outras possam viver melhor. Como também, há pessoas “descartáveis”: não são úteis e o sistema abandona-as e não quer saber delas. Porém, na casa do Pai há lugar para todos. Não há marginalizados, nem “descartáveis”. Todos são acolhidos e bem-vindos.
Filipe diz a Jesus que está tudo muito bem, mas “mostra-nos o Pai e isto nos basta”. Que se coloque tudo de lado e que o Pai venha, de uma vez por todas e nos leve para Si. Que nos dê tudo feito e não nos peça o esforço da fé e do trabalho de todos os dias. Jesus responde claramente. Ele é o único caminho de acesso ao Pai. Não estejamos à espera de outras revelações. Não há outro caminho nem outra sabedoria senão Jesus. Só Ele é a vida. Se não O conheceste, não te preocupes, Ele encontrará maneira de vir ao teu encontro. Na casa do Pai há também lugar para ti. Se O conheceste, não vás atrás das novidades. Em Jesus, encontrarás tudo o que necessitas. Ele é a novidade e a plenitude da vida.
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LEITURA ESPIRITUAL
«Eu sou o caminho, a verdade e a vida»
Ouçamos o Senhor: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida». Se procuras a verdade, segue o caminho; porque o caminho é também a verdade; ele é o teu destino e o teu percurso. Não é por outra coisa que vais a outra coisa; não é por outra coisa que vens a Cristo: é por Cristo que vens a Cristo. E como vais a Cristo por Cristo? Vais ao Cristo Deus pelo Cristo homem; pelo Verbo feito carne, vais ao Verbo que estava, no começo, em Deus; por aquilo que o homem comeu àquilo que os anjos comem todos os dias.
Com efeito, está escrito: «Deu-lhes a comer do pão do Céu; o homem comeu o pão dos anjos» (Sl 77,24-25). O que é o pão dos anjos? «No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava em Deus e o Verbo era Deus» (Jo 1,1-3). Como foi que o homem comeu o pão dos anjos? «O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós» (Jo 1,14).






