Barragem de Girabolhos – Posição dos Vereadores do PS de Gouveia
Em comunicado, os Vereadores do PS na Câmara Municipal de Gouveia, referem a sua posição sobre a Barragem de Girabolhos salientando que: “Nos últimos dias, a Barragem de Girabolhos voltou ao centro da discussão pública.
Este regresso ao debate surge num momento em que o país ainda avalia os danos causados pelas tempestades e exige respostas sólidas, fundamentadas e responsáveis.
A forma como o tema foi reintroduzido no debate nacional revela-se inoportuna, desviando o foco das questões
verdadeiramente urgentes numa altura de grande fragilidade para as populações afetadas: a avaliação da resposta às intempéries, a eficácia da preparação do território para fenómenos extremos e a necessidade de
reforçar a resiliência das comunidades.
É importante esclarecer que a barragem de Girabolhos, prevista no plano nacional de barragens com elevado potencial hidroelétrico, tinha como objetivo principal a produção de energia, e não a regulação de caudais, e que a empresa Endesa desistiu da sua construção em 2016 devido à falta de rentabilidade económica.
Além disso – e conforme diversos especialistas têm sublinhado – esta barragem não constitui, por si só, uma solução milagrosa e imediata para os problemas das cheias no Mondego, simplificando um problema muito complexo. A grande distância a montante a que situará a barragem, e a sua incapacidade de gerir o caudal de rios como o Alva
e o Ceira, limitam o seu papel direto na mitigação das inundações no Baixo Mondego.
Ou seja, esta solução estrutural teria sempre de ser articulada com a conclusão e modernização do projeto hidroagrícola do Baixo Mondego e complementada com o recurso a soluções baseadas na natureza, tais como: a criação de bacias de retenção, recuperação do coberto florestal com espécies autóctones e o restauro ecológico dos
cursos de água.
É, por isso, importante que as populações tenham acesso a esta informação: projetos desta dimensão não podem ser apresentados com base em simplificações ou ilusões diversas, sob pena de criarem expectativas junto das populações que não correspondem à realidade.
Importa igualmente sublinhar que ainda não existem estudos atualizados, nem projeto definido, nem calendário realista para a concretização desta barragem. Processos deste género são morosos e complexos, podendo estender-se por mais de uma década.
Quando um tema tão complexo regressa ao debate sem bases sólidas, numa altura tão sensível, é legítimo que as populações questionem se o objetivo é informar com rigor… ou desviar atenções.
O concelho de Gouveia e a nossa região merecem respeito. Merecem verdade. Merecem rigor técnico.
Ao mesmo tempo, é importante reafirmar algo que todos conhecem: a região da Serra da Estrela e municípios vizinhos sempre foram profundamente solidários com o país, e fazem-no sem pedir protagonismo.
A Serra da Estrela é a maior reserva de água doce do país, é o sustento do litoral através dos seus diversos recursos naturais – minerais, energéticos, agrícolas, vitivinícolas, florestais e agropecuários – essenciais para a economia e o
desenvolvimento do país e para a preservação do património natural nacional.
Esta solidariedade, no entanto, reciprocidade. Não é admissível que o Interior só entre no debate nacional quando a crise chega ao litoral.
A região tem necessidades urgentes que continuam adiadas:
● acessibilidades rodoviárias (IC6, IC7, IC37 e IC12);
● fibra ótica estável e universal;
● preço justo da água em alta;
● investimento em proteção civil e prevenção contra incêndios;
Se existem recursos financeiros por parte do Estado para assumir rendas futuras, indemnizações ou investimentos indiretos ligados a esta barragem, então também têm de existir recursos para responder às necessidades que as populações reivindicam — incluindo a concretização do Programa de Revitalização da Serra da Estrela (PRPNSE),
aprovado em 2024, e que continua por implementar devido à falta de financiamento, apesar de 25% do Parque Natural ter ardido nos incêndios de 2022.
A barragem de Girabolhos poderá, eventualmente, ter o seu papel no futuro, mas não substitui o investimento estrutural e urgente que esta região exige.
As populações deste território merecem que o país as trate com o mesmo respeito, a mesma prioridade e solidariedade que sempre demonstraram para com o país”.
Os vereadores eleitos pelo Partido Socialista,
Joana Viveiro
Conceição Salvador
Ruben Figueiredo





