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Religião

XXIII Encontro Diocesano de Alunos de EMRC em Pinhel

O Agrupamento de Escolas de Pinhel vai acolher o XXIII Encontro Diocesano de Alunos de Educação Moral Religiosa Católica (EMRC), nesta terça-feira, iniciativa que conta com o apoio do Município.

Com o tema “Desafia-te a ser o rosto da alegria”, o programa tem início às 10.00h, com a chegada de alunos e professores provenientes de vários agrupamentos, incluindo o de Pinhel.
A receção oficial vai ter lugar em frente à Câmara Municipal, estando prevista a presença do Presidente da Câmara Municipal de Pinhel, do Diretor do Agrupamento de Escolas de Pinhel e do Bispo da Guarda.
Daqui, os cerca de 600 participantes seguem para o Largo dos Combatentes, onde terão lugar várias atividades, incluindo insufláveis, demonstrações de Falcoaria e Cinotécnica, assim como animação musical.

Em caso de chuva ou condições atmosféricas adversas, as atividades serão transferidas para o Centro Logístico de Pinhel.

Participam:
– Agrupamento de Escolas de Almeida – Vilar Formoso
– Agrupamento de Escolas Afonso de Albuquerque – Guarda
– Agrupamento de Escolas Gardunha e Xisto – Fundão
– Agrupamento de Escolas de Seia
– Agrupamento de Escolas de Trancoso
– Escola Regional Dr. José Dinis da Fonseca – Cerdeira
– Agrupamento de Escolas de Pinhel

Liturgia do III Domingo de PÁSCOA – ano C

 

Na parte final do evangelho de João, situa-se o texto deste Domingo que narra a terceira manifestação de Jesus depois da ressurreição. É um texto muito importante, porque frisa alguns pontos importantes, a saber: o que é essencial e que não se vê com os olhos, mas com o coração, e o que é importante ter em atenção, mesmo não sendo a parte mais visível, mas superficial e discreta. Jesus manifesta-se no mar de Tiberíades, aquele mar que tinha sido tão importante para a missão de Jesus e também para a missão dos discípulos. Foi nas margens deste mar que Jesus chamou alguns dos seus discípulos. Foi neste mar que Jesus acalmou a tempestade, fazendo com que os discípulos aprendessem a confiar naquele que dormia na barca. Era este mar que Jesus atravessava para ir às regiões vizinhas e distantes, pagãs, para anunciar uma Boa Nova que era para todo o homem e toda a mulher que quisessem aceitar. É nas margens deste mar, ao amanhecer e não a meio da noite e das trevas que Jesus volta novamente a chamar os discípulos. Não é a noite da cruz, mas a aurora da ressurreição. A noite já tinha passado; agora, é preciso viver o novo dia que Jesus nos concedeu. Convida os discípulos a ir pescar e que o façam num determinado lugar (“à direita do barco”). Convida-os a viver de outra maneira, não imersos na obscuridade da cruz, na decepção ou no fracasso, mas caminhando com a esperança de que a morte não é nem tem a última palavra, porque o amor vence o ódio e o egoísmo. É no meio das nossas próprias tempestades, trevas, desânimos e fracassos que Jesus nos convida a levantar os olhos para Ele e viver com confiança e esperança, escutando-O e seguindo-O.

A rede cheia de peixes, cento e cinquenta e três, não se rompeu. Esta rede é símbolo de uma humanidade que está dilacerada pelas dificuldades, pela intolerância, pelo egoísmo, pela xenofobia, pela violência, pela pobreza. A rede que Jesus confia a Pedro, hoje, é-nos confiada a nós e ao sucessor actual de Pedro, o Papa e a todos os homens e mulheres de boa vontade, sejam quais forem as suas crenças e convicções, para construir um mundo mais fraterno e unido. É importante que a Igreja não olhe somente para o seu umbigo, mas que saia para as periferias da sociedade, a fim de anunciar a Boa Nova da ternura e da bondade. E quando tal acontece, tem de saber trabalhar, custe o que custar, com todos aqueles que querem um mundo mais justo, mais digno, mais humano.

A segunda parte do evangelho narra a tríplice pergunta de Jesus a Pedro, recordando-nos a tríplice negação, ocorrida há bem pouco tempo. Pedro é o discípulo entusiasmado, que não tem medo de nada, que tira a espada da bainha para defender o seu mestre, mas é também aquele que o nega três vezes, talvez com medo de se comprometer. Apesar disto, Jesus não lhe fecha a porta; continua a confiar nele, oferece-lhe a oportunidade de lhe dizer, por três vezes, que O ama e convida-o, novamente, a segui-Lo. Jesus ressuscitado também se manifesta na nossa vida, entre os nossos medos e debilidades para que possamos dizer-lhe, como Pedro, que O amamos e que O queremos seguir.

De acordo com o Evangelho, amar não se trata de uma relação que se estabelece entre Jesus e cada um de nós. Amar Jesus quer dizer amar como Jesus e amar os predilectos de Jesus. Amar como Jesus quer dizer amar sem fronteiras, com um amor generoso que não é calculista nem manipulador. Em suma, amar Jesus quer dizer fazer crescer o amor de Deus onde falta o amor. Assim, que resposta temos à pergunta de Jesus: “Tu amas-Me?”. Será que responderíamos, como Pedro: “Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo”?

Senhor, Tu sabes tudo e sabes que na minha vida procuro amar aquele que se cruza no meu caminho e que precisa de mim, seja ele quem for. Sem me fixar na sua origem, na sua identidade, mas na sua necessidade de ser amado. Senhor, dá-me a força necessária para assim proceder. Jesus partiu o pão e o distribuiu, juntamente com os peixes, aos seus discípulos. Hoje, partilha connosco o pão e o vinho, sacramento da sua vida entregue por todos. Que este alimento seja força para o nosso caminho, que nos ajude a amar cada vez mais e melhor.

 

 LEITURA ESPIRITUAL

«Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem»

O mar simboliza o mundo actual, batido pelas ondas tumultuosas das nossas ocupações e pelos turbilhões de uma vida caduca. E a terra firme da margem representa a perpetuidade do descanso eterno. Os discípulos afadigam-se no lago porque ainda estão presos nas ondas da vida mortal, mas o nosso Redentor, depois da sua ressurreição, permanece na margem, uma vez que já ultrapassou a condição da fragilidade da carne.

É como se Ele tivesse querido servir-Se dessas coisas para falar aos seus discípulos do mistério da sua ressurreição, dizendo-lhes: «Já não vos apareço no mar (Mt 14,25), porque já não estou entre vós, no meio da agitação das ondas». Foi no mesmo sentido que, noutro lugar, disse a esses mesmos discípulos após a ressurreição: «Disse-vos essas coisas quando ainda estava convosco» (Lc 24,44). Não lhes disse isto por já não estar com eles – pois o seu corpo estava presente e aparecia-lhes –, mas porque a sua carne imortal Se distanciava muito dos corpos mortais deles; Ele dizia que já não estava com os discípulos e contudo estava no meio deles. (São Gregório Magno, c. 540-604, papa, doutor da Igreja, Homilias sobre o Evangelho, n.º 24).

 

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01-05-2022

Liturgia do II Domingo de PÁSCOA – ano C

  1. a)        A página evangélica deste Domingo convida-nos a viver com os apóstolos a primeira semana – trabalho e festa – vivida com a novidade trazida pela ressurreição de Jesus. É a primeira semana de uma nova existência. A ressurreição de Jesus nada mudou no ritmo normal da semana, nem transtornou o trabalho nem o repouso. A Páscoa do Senhor faz que tudo se viva de uma maneira nova. No meio da normalidade da vida, os discípulos disseram: “Vimos o Senhor”, porque tinham feito essa experiência e deixaram-se tocar por Ele, pelo dom do seu Espírito e da sua paz. A narração evangélica somente nos fala de dois Domingos, do primeiro e do segundo. Durante a semana, além do encontro com Tomé, nada se escreve sobre algo que tenha sido importante. Neste encontro, encontramos de forma explícita uma maneira de viver e de transmitir a fé em Jesus Ressuscitado. Viver, conviver, partilhar a vida normal na família, no trabalho, etc.; momentos, onde não há nenhuma transcendência aparente.
  1. b)        Os discípulos estão reunidos no mesmo lugar. É uma maneira de dizer que são uma comunidade eclesial. O “Domingo” – as duas aparições acontecem no Domingo – também nos fala de Igreja: é o dia em que nos reunimos para fazer o mesmo: celebrar o Ressuscitado que está no meio de nós. O primeiro dos dois Domingos tem uma característica que não tem o segundo: estão fechados com medo dos judeus (esta expressão não tem sentido étnico; refere-se aos dirigentes religiosos do povo). Razões para tal não lhes faltavam. O evangelista João já nos tinha narrado que os seguidores de Jesus tinham “medo dos judeus”, por exemplo, na cura do cego de nascença. Eram tempos difíceis. Mas tanto naquela ocasião como nesta, ter visto o Senhor faz mudar as coisas: o cego, quando O viu perdeu o medo; com os discípulos fechados passa-se o mesmo: no segundo Domingo, não se fala de medo. O medo e a fé são, pois, opostos. Como é oportuno fazer um exame de consciência sobre o estado de saúde da fé da Igreja actual! Haverá sintomas de medo e de isolamento? Estaremos, talvez, a viver tempos difíceis que originam tantos obstáculos à nossa confissão de fé em Jesus Cristo! Além do exame de consciência colectivo, que bom seria fazer um exame de consciência pessoal: hoje, como professo a fé na minha vida? Ver o Senhor, anima-nos? Apesar dos discípulos estarem fechados, o Ressuscitado visita-os, toma a iniciativa e aparece no meio deles. É a partir daqui que devemos fazer a nossa reflexão pessoal e comunitária: a Igreja só será construída com o ânimo de Jesus.
  1. c)         “Assim como o Pai Me enviou”. O discípulo é convidado a deixar-se modelar por Jesus, da mesma forma que ele se deixou modelar pelo Pai. O que define o discípulo de Jesus é a missão, ser “enviado”. Os seus discípulos e a Igreja serão definidos pela missão que Jesus lhes dá. A missão evangelizadora e o próprio Evangelho têm sentido com a bem-aventurança que o Ressuscitado proclama: “Felizes os que acreditam sem terem visto”. A finalidade da evangelização é fazer “felizes” os que não conhecem Jesus, conhecendo-O; que sejam “felizes” na fé.
  1. d)        Neste encontro alegre dos discípulos com o Senhor, tanto no primeiro como no segundo, ocupa um lugar de destaque o mostrar as mãos e o lado, onde estão as marcas da morte na cruz. O Ressuscitado é o próprio Crucificado. A eucaristia é celebrar isto mesmo. Não celebramos uma coisa qualquer, sobretudo não nos celebramos a nós próprios; o que celebramos é a Páscoa do Senhor, porque deste acontecimento vem a fé que nos liberta.
  1. e)         Estamos na Páscoa. Oito dias depois, a celebração eucarística deve ser solene, a igreja ornada de flores, a água benta pronta para o rito da aspersão (que substitui o acto penitencial). O rito da aspersão dá às nossas celebrações um “tom” pascal. Para preparar a homilia, o mais importante é contemplar a Palavra de Deus e depois contemplar a vida da comunidade e das pessoas que a formam. Só depois deste duplo exercício, é que poderemos actualizar a Palavra de Deus que nos é proposta nas leituras deste Domingo.

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24-04-2022

 

Fornos de Algodres acolhe os símbolos da JMJ 2023

Com o raiar do sol, os símbolos da JMJ (Jornadas Mundiais da Juventude) , a Cruz Peregrina e o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani chegaram aos Paços do Município de Fornos de Algodres, onde após a receção pelas entidades oficiais, seguiu para ao Agrupamento de Escolas e ao longo do dia percorrem , os locais na vila serrana.

Cruz peregrina

Com 3,8 metros de altura, a Cruz peregrina, construída a propósito do Ano Santo, em 1983, foi confiada por João Paulo II aos jovens no Domingo de Ramos do ano seguinte, para que fosse levada por todo o mundo. Desde aí, a Cruz peregrina, feita em madeira, iniciou uma peregrinação que já a levou aos cinco continentes e a quase 90 países. Tem sido encarada como um verdadeiro sinal de fé.

O ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani

Desde 2000 que a cruz peregrina conta com a companhia do ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani, que retrata a Virgem Maria com o Menino nos braços. Este ícone foi introduzido ainda pelo Papa João Paulo II como símbolo da presença de Maria junto dos jovens. Com 1,20 metros de altura e 80 centímetros de largura, o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani está associado a uma das mais populares devoções marianas em Itália. É antiga a tradição de o levar em procissão pelas ruas de Roma, para afastar perigos e desgraças ou pôr fim a pestes. O ícone original encontra-se na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, e é visitado pelo Papa Francisco que ali reza e deixa um ramo de flores, antes e depois de cada viagem apostólica.

Liturgia do Domingo de PÁSCOA – ano C

As palavras de Pedro, na primeira leitura, dizem-nos que a experiência pascal muda a vida dos discípulos. A morte de Jesus deixou-os desorientados, com medo, sem nada compreender. Aquele que tinham seguido, que passou a vida a fazer o bem, tinha sido condenado como um delinquente. A experiência da Páscoa destrói o medo e abre os olhos. Agora, já não só tem sentido terem seguido Jesus, mas também têm de ser suas testemunhas. Para eles, e também para nós, a história de Jesus vai mais além dos limites do espaço e do tempo para iluminar todos os tempos e todos os lugares. Já não é uma história que afecta aqueles homens e mulheres que conheceram Jesus. Cada um de nós está tocado por aquela história. Cada uma das nossas histórias pessoais e sociais está atravessada pela vida, morte e ressurreição de Jesus. A ressurreição não é uma história do passado, está no hoje da nossa vida e anima-nos para um amanhã melhor.

A ressurreição é luz no meio das trevas. Iluminou os momentos mais difíceis da vida de Jesus. A sua morte violenta não foi um fracasso nem a última palavra. A ressurreição de Jesus tem de iluminar as trevas da nossa vida. Ilumina os nossos desânimos, aqueles momentos em que nos sentimos perdidos, as dúvidas, as doenças, a solidão…todos estes momentos não têm a última palavra. Ilumina também as trevas da humanidade, o drama das guerras, da fome e da pobreza, dos atentados terroristas, das catástrofes naturais e dos acidentes, da violência doméstica, da violência a mulheres e crianças, dos casos de pobreza de famílias à nossa volta em grandes dificuldades, do ressurgir da xenofobia em tantos locais…Em todas estas situações, a luz da Páscoa diz-nos que estes momentos não têm a última palavra.

Será que no Calvário tudo foi trevas? Penso que não. Também aconteceram momentos de generosidade, de ajuda, de compromisso, de serviço, como o testemunho de Simão de Cirene, das mulheres que acompanharam Jesus, do centurião junto à cruz, do bom ladrão, de José de Arimateia…pessoas que, no meio das trevas, acenderam pequenas luzes de esperança. Na nossa sociedade, para além de tantas situações de trevas, sempre encontramos pessoas generosas, acolhedoras, com espírito de serviço ou de ajuda que acendem pequenas luzes de esperança.

O que Jesus nos revela com a sua vida é que a luz que ilumina as nossas trevas somente se encontra no amor. É amando que vivemos na luz. Não há outros caminhos misteriosos ou secretos. Numa das suas cartas, S. João afirma: “Quem ama o seu irmão permanece na luz…, mas quem despreza o seu irmão permanece nas trevas”. Foi a mesma ideia que Pedro quis transmitir quando definiu Jesus como aquele que “passou fazendo o bem”. Por isso, o nosso testemunho da ressurreição só pode passar pelo amor concreto para com todos.

A Eucaristia é a expressão de tudo isto. O pão e o vinho convertem-se no corpo e no sangue de Cristo, não no passado, na quinta-feira santa, mas aqui e agora, hoje. É o alimento que nos fortalece para que amemos com mais intensidade, à maneira e ao jeito de Jesus. A Eucaristia da Páscoa, e todas as celebrações eucarísticas, enviam-nos a ser testemunhas do amor ao estilo de Jesus. Sejamos valentes como aqueles primeiros cristãos que foram as primeiras testemunhas a proclamar em todo o lado, por palavras e por obras, que Jesus ressuscitou e, assim, foram luzes de esperança no meio das trevas.

 

17-04-2022

LEITURA ESPIRITUAL

Dia da Ressurreição, dia da nossa alegria!

«Eis o dia que fez o Senhor; nele exultemos e rejubilemos!» (Sl 117,24). Porquê? Porque o sol recuperou o seu fulgor e tudo se ilumina; porque o véu do Templo já não está rasgado: a Igreja foi revelada; porque já não temos na mão os ramos de palmeira, mas rodeamos os novos baptizados. «Eis o dia que fez o Senhor!» Eis o dia em sentido próprio, o dia triunfal, o dia dedicado a festejar a ressurreição, o dia em que nos revestimos de graça, o dia em que partilhamos o Cordeiro espiritual, o dia em que se realiza o plano da Providência em favor dos pobres.

«Exultemos e rejubilemos neste dia!» Eis o dia em que Adão foi devolvido à liberdade, em que Eva foi libertada da sua pena, em que a morte selvagem estremeceu, em que o poder das pedras se quebrou, em que os ferrolhos dos túmulos foram arrancados, em que as leis imutáveis dos poderes infernais foram anuladas, em que os céus se abriram e Cristo, Nosso Senhor, ressuscitou.

Eis o dia em que, para bem dos homens, a planta verdejante e fértil da ressurreição multiplicou os seus rebentos em todo o universo como num jardim, em que os lírios dos novos baptizados desabrocharam, em que a multidão dos crentes rejubila, em que as coroas dos mártires reverdejam. «Eis o dia que fez o Senhor; nele exultemos e rejubilemos!» (Homilia atribuída a São João Crisóstomo, c. 345-407, presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja).

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Páscoa vivida nas Beiras e Serra da Estrela

 TRADIÇÕES PASCAIS NA SERRA DA ESTRELA SAEM ‘À RUA’

 Este ano, a Páscoa será de ‘nova retoma’ e com as principais manifestações pascais de referência no Território a finalmente saírem “à rua”. A Quadragésima, as procissões, vias sacras, as feiras de sabores e tradições, os mercados de produtos identitários voltam assim a ver a luz do dia, atraindo os visitantes aos centros históricos e culturais e às aldeias espalhadas por todo o território da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE). São Caminhos da Fé que podem muito bem cruzar-se com mais de 6 mil quilómetros de percursos pedestres e uma vasta oferta de saúde e bem-estar, gastronómica, cultural, histórica e patrimonial.

 Este ano, as dúvidas dissipam-se e a Páscoa nas Beiras e Serra da Estrela vai passar a ser vivida ao máximo depois de dois anos de confinamento forçado. 2022 marca o regressa aos grandes eventos de referência pascais por todo o país, e os 15 Municípios que compõem a CIM-BSE não são exceção. E o tão esperado regresso em pleno ao território nesta altura do ano já se faz sentir. O compasso de espera terminou e já são muitos os eventos alusivos à Quaresma e às tradições do sagrado que acontecem pelas aldeias e centros históricos até porque, pelas Beiras e Serra da Estrela as tradições do sagrado e da religiosidade das suas gentes, estão de tal forma arreigadas que este período pascal pretende ser vivido com intensidade entre famílias e amigos.

Desde as procissões, aos eventos da Quadragésima, passando pelas cerimónias do Lava pés, as vias sacras, canto dos martírios, a encomendação das almas, as feiras de sabores e os mercadinhos da Páscoa há muito para escolher.

  • No Município de Almeida, a Páscoa será de tradições e sabores inconfundíveis com o Mercado da Páscoa dedicado aos produtos endógenos e doçaria tradicional. Mas há mais – consulte aqui.
  • No Município de Belmonte, a Quadragésima – ciclo de Tradições da Quaresma e Semana Santa está de regresso à sua expressão máxima. Veja aqui.
  • A Páscoa em Celorico da Beira pode igualmente ser vivida com o melhor dos sabores e saberes desta Região. Consulte a agenda oficial do Município.
  • Considerando que a Páscoa é tempo de partilha, renovação e esperança, em todo o concelho da Covilhã há tradições seculares que marcam esta época, como é exemplo a ‘Quadragésima’, ciclo de Tradições da Quaresma e Semana Santa. Na agenda cultural pode ficar a saber o que é possível ver e sentir nesta quadra.
  • O Município de Figueira de Castelo Rodrigo promove nesta altura as tradicionais Férias da Páscoa. Mais informações.
  • Em Fornos de Algodres, pode dizer-se que a tradição Pascal abre as suas portas com o Domingo de Lázaro (domingo antecedente ao domingo de Ramos) em que se realiza a Procissão do Senhor dos Passos. Mas há muito mais a acontecer. Consulte aqui.
  • No Fundão, além da ‘Quadragésima’, ciclo de Tradições da Quaresma e Semana Santa, o Município convida a uma visita às Cerejeiras em Flor e aos Sabores da Páscoa com o Festival “Aqui Come-se Bem”. E para que não perca nenhum evento, consulte a Agenda Oficial.
  • Gouveia convida a uma visita ao território nesta altura do ano. Além do Festival Altamente – Alto Mondego Rede Cultural, é possível aproveitar e usufruir do tempo de descanso. Veja aqui algumas sugestões culturais nesta altura do ano.
  • A Guarda é um concelho de profundas tradições religiosas e de fé, a celebração da Páscoa é a maior e a mais importante festa da Cristandade. Este evento religioso cristão, têm assim, na cidade tradições seculares. Mais informações aqui.
  • Em Manteigas, além das propostas de Férias da Páscoa “Fora da Toca”, pode ficar a conhecer o Município nesta Páscoa. Site Oficial.
  • Se visitar Mêda na Páscoa, pode ficar a conhecer algumas das propostas culturais, locais a visitar no site oficial do Município.
  • Já em Pinhel, o período pascal condensa algumas das tradições e celebrações mais referenciadas como o Cantar o Terço ou a Encomendação das Almas, comum a várias aldeias, durante o período da Quaresma, habitualmente cantado nos pontos mais altos das aldeias, pedindo proteção para as almas dos entes queridos. Se quiser a ficar a saber mais sobre a agenda de eventos neste Município, consulte a Agenda Cultural.
  • No Sabugal, nesta época de recolhimento e de renovação são várias as manifestações religiosas associadas à Quaresma e à Semana Santa que decorrem por todo o concelho como a ‘Quadragésima’, ciclo de Tradições da Quaresma e Semana Santa. Mais informação aqui.
  • As tradições pascais no Município de Seia também não são esquecidas. Fique a saber o que pode apreciar no site oficial.
  • Em Trancoso, a Queima de Judas é um dos grandes eventos no concelho, mas não só. Consulte o agenda cultural do concelho para ficar a saber mais.

E nos Caminhos da Fé poderá cruzar-se com os Caminhos e Percursos Pedestres em pleno espaço de natureza em estado puro até porque o tempo já convida a passar mais tempo ao ar livre. Afinal são 6.300 quilómetros de percursos pedestres para usufruir do melhor do tempo de descanso e reflexão. A par dos eventos pascais de referência existentes em todo o território das Beiras e Serra da Estrela, a CIM-BSE dá uma ajuda a quem visitar o território a definir um roteiro gastronómico, cultural, natural e saudável para uma merecida pausa na Páscoa 2022.

 

Basta aceder ao Visite Serra da Estrela e idealizar o seu percurso de eleição, até porque, a Páscoa, este ano, convida a vir, ficar e a viver intensamente as histórias e saberes ancestrais, os sabores e os produtos característicos, com a cultura e o vasto património natural e edificado das Beiras e Serra da Estrela.

Avisos e Liturgia do Domingo de Ramos – ano C

O Domingo de Ramos é o pórtico da Semana Santa, iniciada com a liturgia da bênção dos Ramos, normalmente ao ar livre, com uma numerosa participação de fiéis, não esquecendo as crianças que, com a sua inocência, sempre aclamaram Jesus como rei da paz, entrando em Jerusalém, cidade da paz. Depois da bênção dos ramos, a missa deste domingo propõe-nos a leitura e a reflexão da paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, este ano segundo o evangelista Lucas. É importante fazer dela uma profunda reflexão e contemplação, mas de uma forma breve.

A leitura da Paixão começa com a ceia pascal, tomando esta ceia tradicional judaica um novo sentido. Jesus deseja “ardentemente comer esta Páscoa” com os seus discípulos, “antes de padecer”. O pão e o vinho daquela mesa converter-se-ão no memorial da sua paixão: “Fazei isto em memória de mim”. Na segunda leitura de quinta-feira santa, S. Paulo recorda à comunidade de Corinto: “todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha”. Por isso, continuamos a repetir a “fracção do pão”, o gesto sublime de partir e de repartir. Se não recordarmos este momento, rapidamente o esqueceremos.

Neste momento tenso e intenso, os discípulos não conseguiam ver o que, realmente, se estava a passar e o que se iria passar, porque estavam preocupados em saber qual deles era o mais importante. Jesus, bom pedagogo e paciente, teve de repetir pela enésima vez que “o maior entre vós seja como o menor, e aquele que manda seja como quem serve”. Disse isto da mesma maneira como os pais repetem os conselhos aos seus filhos, como os avós previnem os seus netos. Pedro, perante os seus companheiros, não se priva de manifestar a sua valentia e de dizer a Jesus que está disposto a ir com ele, até para a prisão e para a morte. Mas Jesus disse-lhe: “Não cantará hoje o galo, sem que tu, por três vezes, negues conhecer-Me”. Pedro não estará sozinho na negação. Será que nós também não o acompanhamos a negar Jesus?

Não sabemos se foi à força ou por compaixão que Simão de Cirene leva a cruz atrás de Jesus. Com este gesto, Simão de Cirene converte-se num sinal, por excelência, de compaixão por todos os crucificados do mundo. Talvez não soubesse a razão pela qual Jesus foi condenado a este suplício, mas ajuda-o a levar a cruz até onde for necessário. Cada um de nós tem de trabalhar para que o nosso próximo não carregue uma cruz por nossa causa. A nossa missão é ajudar a levar a cruz, ajudar os que estão em sofrimento.

“Seguia-O grande multidão de povo e mulheres que batiam no peito e se lamentavam, chorando por Ele”. Aquelas mulheres acompanhariam a mãe de Jesus e restante família. Aquelas mulheres, que a sociedade discriminava, Jesus acolheu-as e falou com elas. Por isso Jesus disse-lhes que não chorassem por Ele, mas por elas próprias e pelos seus filhos, e que se mantivessem fiéis na sua dignidade até ao fim. Continua a ser tão actual esta mensagem e este conforto de Jesus nos nossos dias, sobretudo para as mulheres que têm de lutar, neste mundo globalizado, para serem respeitadas, valorizadas e amadas.

No evangelho de S. Lucas, encontramos as mais belas parábolas sobre a misericórdia de Deus Pai: a do pai misericordioso (mais conhecida como a parábola do filho pródigo) e a do bom samaritano. Na cruz, Jesus atinge o ponto máximo da misericórdia quando pede o perdão para os seus verdugos: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Ele já tinha dito que se devia dar a outra face, que se devia perdoar os inimigos…, mas, também os algozes, aqueles tiranos desgraçados? Sim, também, porque o perdão é fonte de vida. O perdão é reconciliar-se com alguém e continuar a viver, sabendo que a ferida fica aberta. “O perdão não cura nem fecha feridas; ficam abertas, mas não isso não impede de viver, mas é a única possibilidade de viver” (Joan C. Mèlich).

 

10-04-2022

LEITURA ESPIRITUAL

«Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor!» (Lc 19,38)

 

No Céu, sentado no teu trono, cá em baixo sentado num burrinho, Cristo, Tu que és Deus, acolhias os louvores dos anjos e os hinos das crianças que Te cantavam: «Bendito sejas, Tu que vens chamar Adão». Eis o nosso Rei, manso e pacífico, montado num jumentinho, com pressa de sofrer a sua Paixão e limpar os nossos pecados.

O Verbo, Sabedoria de Deus, vem montado num animal para salvar os seres dotados de razão. E pudemos contemplar, sentado no dorso de um burrico, Aquele que conduz os Querubins e que no passado fez subir Elias num carro de fogo, Aquele que, «sendo rico, se fez pobre» voluntariamente (2Cor 8,9), Aquele que, escolhendo a fraqueza, dá força a quantos clamam: «Bendito sejas, Tu que vens chamar Adão».

Tu manifestas a tua força escolhendo a indigência. As vestes dos discípulos eram a marca da indigência, mas proporcional ao teu poder era o hino das crianças e a afluência da multidão que bradava: «Hosana – quer dizer: Salva-nos, Tu que estás no mais alto dos Céus. Salva, ó Altíssimo, os humildes. Tem piedade de nós, por atenção às nossas palmas; os ramos que se agitam moverão o teu coração,

Tu que vens chamar Adão». Ó criatura da minha mão, respondeu o Criador, eis que vim Eu próprio. Não será a Lei a salvar-te, pois não foi ela que te criou, nem os profetas, que eram criaturas como tu. Só Eu posso libertar-te da tua dívida. Eu fui vendido por ti, para te libertar; fui crucificado por causa de ti, para que possas escapar à morte; morro, e ensino-te a clamar: «Bendito sejas, Tu que vens chamar Adão».

Amei assim os anjos? Não, és tu, o miserável, que me és querido. Escondi a minha glória e eu, o Rico, fiz-Me pobre deliberadamente, por teu amor. Por ti, sofri a fome, a sede, a fadiga. Percorri montanhas, ravinas e vales à tua procura, ovelha perdida; tomei o nome de cordeiro para te trazer de volta, atraído pela minha voz de pastor, e quero dar a minha vida por ti, para te arrancar das garras do lobo. Tudo isto suporto para que possas bradar: «Bendito sejas, Tu que vens chamar Adão». (São Romano, o Melodista, ?-c. 560, compositor de hinos, Hino 32).

 

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“Amentar das Almas” em Mangualde

A tradição secular “Amentar das Almas”, no dia 9 de abril, pelas 21horas, no Complexo Paroquial de Mangualde. A iniciativa de cantares no âmbito da Quaresma, associada à Páscoa,assinalada pelo Município de Mangualde contará com um espetáculo cénico com a participação do Rancho Folclórico de Santo Amaro de Azurara, de Mangualde e da TEIA – Teatro Experimental Intervenção Alvarim, de Tondela.

A tradição do “Amentar das Almas” consiste em orações cantadas em louvor dos que já morreram.  Uma tradição secular, também conhecida como “encomendação das almas” que surgiu após a Igreja Católica ter assumido, no Concílio de Trento, a existência do Purgatório.

Na década de 50 ainda era habitual, em muitas aldeias das Terras de Azurara e Tavares, fazer-se o “Amentar das almas”, tradição agora recuperada pelo Município de Mangualde, em colaboração com Rancho Folclórico de Santo Amaro de Azurara.

As celebrações são uma organização do Centro Cultural e Recreativo de Santo Amaro de Azurara, com o apoio da Câmara Municipal de Mangualde, da Paróquia de Mangualde, da União das Freguesias de Mangualde, Mesquitela e Cunha Alta, do Grupo Funerário de Mangualde, Agência Funerária Pais e Agência Funerária Ferraz e Alfredo.

Com esta iniciativa, o Município de Mangualde pretende preservar as tradições do concelho, envolvendo a comunidade em todas as dinâmicas.

Liturgia do Domingo V da QUARESMA – ano C

Se desejarmos alcançar o cimo de uma montanha, é importante fazer uma pausa quando nos encontramos a meio do percurso. É uma oportunidade para olhar o caminho já percorrido, contemplar a paisagem natural e recuperar forças para a etapa que temos pela frente. A Quaresma é este caminho para chegar à Páscoa, renovando os nossos compromissos de seguir Jesus. Neste domingo, o apóstolo Paulo fala-nos de uma corrida, de “correr para a meta”: “esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente, continuar a correr para a meta, em vista do prémio a que Deus, lá do alto, me chama em Cristo Jesus”. Muitas vezes, os meios de comunicação social informam-nos da realização de corridas ou caminhadas, não tanto para ganhar os primeiros lugares e receber um prémio, mas para expressar união e solidariedade por uma causa concreta. Participar nesta corrida ou caminhada exige esforço, desejo, vontade e, quem sabe, ajuda de algumas pessoas.

Estas corridas e caminhadas formam um grupo de pessoas que estão ao mesmo ritmo, o que permite que, enquanto se caminha ou corre, haja uma relação entre os participantes, partilhando notícias, ideias e sentimentos. Assim, estabelece-se facilmente um sentido de comunhão, apesar da diversidade das pessoas. Então, qual é a meta da corrida do apóstolo Paulo? Ele responde claramente: “Cristo”. Afirma com toda a convicção, porque não fazia parte do grupo dos doze apóstolos que tinham convivido com Jesus e assistido a todas as pregações e milagres. Não podemos esquecer que Paulo foi perseguidor dos discípulos de Jesus e da sua causa.

Qual é a meta? Cristo. Conhecer Jesus. Paulo queria dizer que desejava identificar-se com Cristo, com a sua mensagem e com a sua nova vida, assumindo alegremente todas as consequências. “Assim poderei conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, configurando-me à sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos”. Paulo esquece o passado e caminha apaixonadamente para anunciar Jesus com o seu testemunho pessoal. “Esquecendo-me do que fica para trás, lançar-me para a frente”. Não fica agarrado às tradições, mas abre-se à novidade que o motiva a correr, com a esperança de a alcançar.

O profeta Isaías, em nome de Deus, convidava o povo, ainda no exílio, a olhar para a frente com coragem e esperança: “Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados, não presteis atenção às coisas antigas. Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não vedes?”. A libertação não virá pela recordação da história mas pela nova realidade que se abre diante do povo. Por isso, é preciso caminhar com esperança. Israel faz caminho como povo e, nesta caminhada, Deus manifesta-se próximo dele, como fez também com S. Paulo. Deus intervém e acompanha o povo de Israel e faz brotar água no deserto, algo que parece ser impossível: “farei brotar água no deserto, rios na terra árida, para matar a sede ao meu povo escolhido, o povo que formei para Mim e que proclamará os meus louvores”.

O que é que Jesus nos traz de novidade? Traz-nos a novidade do perdão e da misericórdia diante da antiga condenação em nome da Lei. Qual é o obstáculo que não nos permite descobrir o amor de Deus? A autonomização e o orgulho que se manifestam no mau exemplo dos fariseus e dos escribas que colocam Jesus perante a lei de Moisés. Para eles a lei escrita era tudo. Para Jesus a lei de Deus é o amor. “Quem de entre vós estiver sem pecado…”. Quantos conflitos entre pessoas e povos se querem resolver, muitas vezes, pelas leis ou pela violência, quando se poderiam ultrapassar ou evitar pela mediação, pelo diálogo fraternal justo e solidário! Na nossa vida, sempre deveriam resplandecer o acolhimento, o perdão, a compreensão e a solidariedade.

Ao instituir a Eucaristia, Jesus coloca no centro da vida cristã o ágape do amor fraternal. A nossa Páscoa é a Páscoa de Jesus, é o seu amor oferecido que celebramos na Eucaristia, onde somos acolhidos, somos perdoados e perdoamos. Com alegria, façamos nossas as palavras de S. Paulo: “Não que eu já tenha chegado a meta, ou já tenha atingido a perfeição. Mas continuo a correr, para ver se a alcanço, uma vez que também fui alcançado por Cristo Jesus”. Chegaremos à meta com a força do Espírito Santo e, como o salmista, peçamos: “Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos, como as torrentes do deserto. Os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria”.

LEITURA ESPIRITUAL

«Nem Eu te condeno»

A redenção é precisamente a última e definitiva revelação da santidade de Deus, que é a plenitude absoluta da perfeição: plenitude da justiça e do amor, pois a justiça funda-se no amor, dele provém e para ele tende. Na Paixão e morte de Cristo — no fato de o Pai não ter poupado o seu próprio Filho, mas O ter tratado «como pecado por nós» (2Cor 5,21) — manifesta-se a justiça absoluta, porque Cristo sofre a Paixão e a cruz por causa dos pecados da humanidade.

Dá-se, na verdade, a «superabundância» da justiça, porque os pecados do homem são «compensados» pelo sacrifício do Homem-Deus. Esta justiça, que é verdadeiramente justiça «à medida» de Deus, nasce toda do amor, do amor do Pai e do Filho, e frutifica inteiramente no amor. Precisamente por isso, a justiça divina revelada na cruz de Cristo é «à medida» de Deus, porque nasce do amor e se realiza no amor, produzindo frutos de salvação.

A dimensão divina da redenção não se verifica somente em ter feito justiça do pecado, mas também no fato de ter restituído ao amor a sua força criativa, graças à qual o homem tem novamente acesso à plenitude de vida e de santidade que provém de Deus.

Deste modo, a redenção traz em si a revelação da misericórdia na sua plenitude. O mistério pascal é o ponto culminante da revelação e actuação da misericórdia, capaz de justificar o homem, e de restabelecer a justiça como realização do desígnio salvífico que Deus, desde o princípio, tinha querido realizar no homem e, por meio do homem, no mundo. (São João Paulo II, 1920-2005, Encíclica «Dives in Misericordia» 7).

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03-04-2022

 

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Liturgia do IV Domingo da QUARESMA – ano C

Quando se sobe a uma montanha, ao chegar a meio do caminho, é possível olhar para trás e ver o trajecto já percorrido. A pausa permite valorizar o esforço que se fez e avaliar as energias que ainda se dispõe. É preciso respirar fundo, encher os pulmões de ar e empreender novamente a subida até ao cume. Ora, isto também podemos experimentar na nossa vida. Quando olhamos a nossa vida passada, recordamos tantas situações vividas na família, com os amigos, no local de trabalho, ou seja, vem à memória acontecimentos da nossa vocação pessoal. Um aniversário, um momento inesperado, um retiro, um tempo de silêncio, um momento de sofrimento, são ocasiões para fazer um balanço, uma revisão e são fatos que nos motivam a não ficar parados no meio do caminho. Concluímos que é necessário continuar.

Os israelitas, com Josué à frente, tinham já percorrido o trajecto mais importante e mais difícil da viagem para a terra prometida. Já não precisavam do maná. Podiam comer dos frutos da terra prometida. Começavam uma nova etapa. A terra do Egipto e a escravidão já estavam longe e pertenciam ao passado. Então, era imperioso celebrar esta libertação, como já tinham feito antes de iniciarem esta viagem. Reinava entre o povo um espírito de festa. Daqui a três semanas, celebraremos a Páscoa. Desde quarta-feira de Cinzas, iniciámos um caminho com um compromisso: mudar (a conversão) alguns aspectos da nossa vida que estavam mais fragilizados e que nos afastavam dos valores do Evangelho.

Mas, em que aspectos da nossa vida temos de mudar? Em todos aqueles que se referem a um estilo de vida acomodado, individualista; não ter vontade de enfrentar os nossos problemas pessoais, da família, da sociedade onde vivemos, da indiferença perante as injustiças que corroem as relações humanas. Também fizemos a nossa própria fuga da casa paterna, como o filho mais novo da parábola. Através dele, concluímos que satisfazer o nosso egoísmo e a nossa soberba não é o caminho da felicidade. Como ele, muitas vezes, também não fomos capazes de responder à confiança que em nós foi depositada.

Agora, queremos, também, fazer o caminho de regresso. Pedir perdão e voltar a abraçar o Pai e os irmãos. Alcançar o cume desta Quaresma é voltar a receber a misericórdia daquele que nos chamou a viver com um estilo novo. O filho mais novo reconheceu o seu grande erro e recomeçou tudo de novo, despojado de todo o peso que o oprimia. Aceitar regressar sem nada reclamar, só o amor do perdão, o abraço do pai, o voltar a sentir-se filho amado e refazer a relação fraternal que se tinha quebrado. O pai esperava-o todos os dias no caminho. O seu irmão não tinha a mesma disposição, pois não estava disposto a recebê-lo de coração porque a sua fidelidade se tinha convertido em orgulho que cega a vista e esfria o coração. Regressar à casa do pai, sentir a ternura do seu abraço que perdoa tudo, é experimentar o que diz S. Paulo: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado”. A vida reconciliada é uma nova criação, fruto do Espírito Santo.

“Cristo reconciliou-nos consigo e nos confiou o ministério da reconciliação”. Depois de reconciliados, somos enviados por Cristo. “Nós somos, portanto, embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio”. Se nos pudéssemos identificar com o filho da parábola, faríamos tudo para que o irmão que regressa se sentisse amado e se libertasse do peso que carregava. Assim recuperaria o amor gratuito e generoso do Pai, que perdoa sem limites, não censura e ama com ternura.

A Eucaristia é a nossa Páscoa Dominical, é a festa da reconciliação. Recebemos o perdão e o abraço do Pai e também dos nossos irmãos e alimentamo-nos com o melhor dos alimentos: o pão partido entregue por todos. Também não precisamos do maná, porque temos a vida de Jesus entre nós. Por isso, damos graças a Deus.

27-03-2022

LEITURA ESPIRITUAL

«Vou ter com meu pai»

Se a conduta deste jovem nos desagrada, aquilo que nos causa horror é a sua partida; por nós, não nos afastemos nunca de um pai destes! Pois a simples visão do pai faz fugir os pecados, expulsa o erro, exclui qualquer má conduta e qualquer tentação. Mas, no caso de termos partido, de termos esbanjado toda a herança do pai numa vida desregrada, de nos ter acontecido cometer erros ou más acções, de termos caído no abismo da blasfémia, levantemo-nos e regressemos para junto deste pai que é tão bom, convidados por exemplo tão belo. «Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos.»

Pergunto-vos: haverá lugar para o desespero? Haverá pretexto para desculpas? Falsas razões para receios? Só se for o receio do encontro com o pai, dos seus beijos e dos seus abraços; só se julgarmos que o pai deseja tomar para recuperar, em lugar de receber para perdoar, quando pega no filho pela mão, o toma nos braços e o aperta contra o coração.

Mas este pensamento, que esmaga a vida, que se opõe à nossa salvação, é amplamente vencido, amplamente aniquilado pelo seguinte: «Mas o pai disse aos servos: “Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado.”» Depois de termos ouvido isto, poderemos ainda demorar-nos? Que esperamos para regressar para junto do nosso Pai? (São Pedro Crisólogo, c. 406-450, bispo de Ravena, doutor da Igreja, Homilia sobre o perdão, 2, 3).

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2022-02-28_CEP_Orientacoes_CultoAtividadesPastorais (1)