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Religião

Avisos e Liturgia do 17º Domingo do Tempo Comum- ano B

 

a)         A pregação homilética dos domingos 17-21 “per annum” exige uma atenção especial pelo carácter unitário do tema: a Eucaristia. A proposta que aqui se faz tem três vertentes, a saber: figuras da Eucaristia (primeiras leituras), o discurso do pão da vida (evangelho), oração eucarística (salmos responsoriais). Nas reflexões dominicais destes domingos, poder-se-ia rever a doutrina eucarística, tendo como base os seguintes documentos: a Exortação Apostólica “Sacramentum Caritatis” e a Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”.

 

b)        A breve narração do 2º Livro dos Reis leva-nos a destacar alguns aspetos que poderíamos chamar “o mistério do pão”. Trata-se das primícias das colheitas. O gesto de apresentar as primícias das colheitas aos profetas era, em Israel, uma maneira de reconhecer que a terra onde viviam e as colheitas que dela tiravam, eram um dom de Deus. Este gesto era, ao mesmo tempo, memorial, acção de graças e súplica. No caso particular de Eliseu, o pão apresentado converte-se em alimento para toda a comunidade, apesar da desproporção entre a quantidade de pães e a multidão que come. É uma manifestação da eficácia da palavra do Senhor, o Criador. Como é fácil de constatar que, onde se cumpre a Palavra do Senhor, o pão não falta: “eles comeram e ainda sobrou”. Diante das políticas que procuram a “solução” para a fome no mundo com a diminuição da natalidade – chegando a promover o aborto – a nossa fé afirma que, quando os homens se aperceberem que a terra é de Deus e lhe oferecerem os frutos como dons recebidos, saberão também distribuí-los fraternalmente: “Comerão e ainda há-de sobrar”. O pão apresentado a Eliseu anuncia o pão e o vinho apresentados para a celebração da Eucaristia. Quando Jesus os transforma na sua pessoa, toda a comunidade se alimenta com o alimento celestial.

 

c)         A multiplicação dos pães e dos peixes, tal como a escutámos no evangelho de S. João, apresenta-nos características próprias: trata-se de um facto contemporâneo à Páscoa; estavam numa montanha, num lugar isolado, onde não se costuma encontrar pão; Jesus “bem sabia o que ia fazer”, como também na Última Ceia: destaca-se o carácter teândrico do símbolo. A multidão reage com uma alusão implícita ao anúncio feito por Moisés: “Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo” (cfr. Dt 18,15: “O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, dentre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deves escutar”. Jesus é considerado o Novo Moisés, que procura pão para o povo. Toda a narração tem um carácter profético em relação com a instituição da Eucaristia. A proximidade da Páscoa anuncia a “nova Páscoa”, na qual, Jesus sabendo o que queria fazer, na solidão da cruz oferecerá ao Pai o seu próprio corpo para reunir os filhos de Deus que andavam dispersos. Antes deste momento, realizou o seu sacrifício pascal, único e definitivo, para que a Igreja, através dos sacerdotes, sob as espécies do pão e do vinho, possa unir-se à sua oferenda.

25-07-2021

d)        O salmo 144 parte da fé na criação: Deus é glorioso e poderoso. Por isso, o salmista tem os olhos postos em Deus, com um olhar cheio de esperança, porque basta que Deus abra as mãos para que todos fiquem saciados. Na base deste dom de Deus está sempre a sua bondade: “a todos saciais generosamente”. A criação é a primeira revelação do amor de Deus.

 

e)         O início da Oração Eucarística IV, antes do Santo, é um texto muito semelhante ao salmo 144. Toda a oração eucarística tem, em diversos momentos, referências à criação. Na Eucaristia, há matéria que são “fruto da terra e do trabalho do homem”, porque foi essa a vontade de Jesus. Na Eucaristia, a criação faz a passagem para a nova criação.

 

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Ano B - Tempo Comum - 17º Domingo - Boletim Dominical II

Guarda- Frei Pedro da Guarda homenageado dia 27 de julho

O Município da Guarda homenageia Frei Pedro da Guarda através de uma série de iniciativas (ver programa completo), entre elas a Cerimónia de Lançamento da Primeira Pedra das Obras de Requalificação do “Largo Frei Pedro da Guarda” e outra, com a colaboração da Diocese da Guarda, a Eucaristia de Ação de Graças pela Vida e Obra de Frei Pedro da Guarda, na Sé, onde será revalidado o pedido de canonização deste religioso nascido na Guarda no século XV.Frei , no próximo dia 27 de julho.

Do programa comemorativo que tem início às 18h00 com a missa, constam ainda a Deposição de coroa de flores junto à imagem do religioso no Largo de leva o seu nome, pelo presidente da câmara da Guarda e por um Praça graduado do Centro de Recrutamento do Exército (Guarda); a Leitura do “Auto de Notícia”; a Deposição do “Auto de Notícia”; e ainda a Bênção da Primeira Pedra, pelo bispo da Diocese da Guarda. Seguem-se as intervenções do professor e investigador da UCP, Vítor Gomes Teixeira e do presidente da Câmara, Carlos Chaves Monteiro.

Sobre Frei Pedro da Guarda: Nasceu em 1435 na cidade mais alta, filho de João Luís, tecelão, e de Ângela Gonçalves. Franciscano aos 25 anos, dedicou-se ao resgate de viajantes perdidos na neve das montanhas, fazendo-se para tal sempre acompanhar do seu cão Serra da Estrela, atribuindo-se-lhe o salvamento de centenas de vidas. Assistia também aos doentes, tendo fundado para o efeito o primeiro hospital da Guarda. A sua fama de santidade e notoriedade, em contraste com a sua profunda humildade, levaram-no com 50 anos, a acolher-se ao Convento de S. Bernardino, na ilha da Madeira, então quase despovoada, onde faleceu aos 70 anos, intitulado de Servo de Deus.

Recorde-se que a Câmara da Guarda foi responsável pelo último processo de canonização de Frei Pedro da Guarda, no século XIX, optou ainda pelo Dia de Frei Pedro da Guarda, 27 de julho, como Feriado Municipal, aquando da instituição dos Feriados Municipais em Outubro de 1910. Instâncias superiores terão preterido o Dia de Frei Pedro da Guarda, em favor do atual feriado. Em 2021, a autarquia guardense relança a Causa da Canonização de Frei Pedro da Guarda, passando a consagrar o dia 27 de Julho, como “Dia de Frei Pedro da Guarda.

PROGRAMA

18h00 – Catedral da Guarda
Missa Solene pelo bispo da Diocese da Guarda, Manuel da Rocha Felício

19h00 – Largo Frei Pedro da Guarda
Deposição de coroa de flores
Leitura do “Auto de Notícia”
Deposição do “Auto de Notícia”
Bênção da 1ª Pedra pelo Bispo da Diocese da Guarda

Intervenções: Professor Universitário Vítor Gomes Teixeira e Presidente da Câmara da Guarda, Carlos Chaves Monteiro

20h00 – Pátio do Museu da Guarda
“Porto Seco” de Honra

Avisos e Liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum – ano B

O medo não é um bom conselheiro, mas este sentimento pode ajudar-nos a sermos prudentes e a manifestar uma coragem e valentia mais madura. Os profetas, como Jeremias, tinham medo, mas não se demitiram da sua responsabilidade de servir o povo de Israel, apesar das críticas, das perseguições e até da morte. Não é fácil construir caminhos de paz e de bem se estamos bloqueados pelo medo do que os outros nos possam fazer, ou tirar, ou das feridas que possam surgir.

Em cada um de nós há sempre um coração dividido, porque temos muita vontade de fazer o bem, mas, muitas vezes, deixamo-nos levar pelo egoísmo e pelos nossos interesses. Somos capazes de expressar sentimentos de compaixão com todas as vítimas de alguma desgraça, como também facilmente desconfiamos das campanhas solidárias e ficamos numa indiferença irresponsável. Sentimos que, por vezes, desconfiamos do projecto de paz e de fraternidade para a nossa sociedade e para o mundo. Jesus é o bom pastor que nos ajuda a construir pontes para unir a humanidade, como um só povo.

Depois de ter enviado os Doze dois a dois em missão, eles “voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Então Jesus disse-lhes: Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco”. Como é importante interiorizar, rezar, contemplar, dar graças, pedir a força do Espírito Santo e a sabedoria de coração! Não se pode construir nada de bom com a cabeça quente, prisioneiros de interesses, de pessoas, de amizades estratégicas e aduladoras, pagando favores a quem nos deixámos vender. Para quem tem a missão de ser pastor e de orientar pessoas, o que foi dito anteriormente nunca deve entrar no programa das suas vidas. Ser pastor, ser guia, supõe sempre respeitar a dignidade e a liberdade de todas as pessoas. Não pode haver escolhas de pessoas, de famílias. Aparentemente parece que se ganha muito ao fazer escolhas, mas perde-se tudo quando nos deixamos vender. Não pode haver predilecção por pessoas com títulos, com brasões, com influência na sociedade. Ser pastor, ser guia, é acolher todos da mesma forma, tendo em conta as suas angústias e as suas preocupações. Ser pastor, ser guia, supõe estar atento às necessidades de todas as pessoas que clamam por serem escutadas e amadas.

Ser discípulo de Jesus é ser pastor e ser guia. Supõe ser enviado por Ele e descansar Nele, nunca esquecendo que Ele é a nossa justiça e a nossa paz e repouso. Sim, há uma justiça humana que impõe normas e dá sentenças de acordo com os critérios de cada lugar e de cada cultura. Há também uma paz humana, condicionada sempre pelos poderes políticos, nem sempre orientados para o bem comum. A Justiça e a Paz de Jesus fundamentam-se no amor, na confiança de que Deus quer a liberdade e o melhor para os seus filhos, para todos os seus filhos. Jesus sofreu muito e acabou a morrer na cruz. É da cruz, com os braços bem abertos, que quer reconciliar todo o mundo. A paz de Jesus gera homens e mulheres novos, livres e fraternos.

Jesus enviou os seus discípulos em missão mas não os abandonou. Espera por eles, acompanha-os, ouve-os. Um bom pastor, um bom guia, deve ter sempre presente na sua missão estes três verbos: esperar, acompanhar, ouvir. Jesus procedeu assim para que os pastores aprendam a acompanhar todos aqueles que precisam de ser apoiados e animados ao longo da vida. Não se escolhem pessoas, acolhem-se todas as pessoas!

Como S. Paulo e Jeremias, sabemos que a amizade e a misericórdia de Deus nunca nos abandonarão. Por isso, não devemos abandonar ninguém, mas sermos pontes de afecto e de generosidade, porque todos são filhos de Deus.

17-07-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Jesus Cristo, que morreu, que ressuscitou, que está à direita de Deus, que intercede por nós” (Rm 8, 34), está presente na sua Igreja de múltiplos modos: na sua Palavra, na oração da sua Igreja, “onde dois ou três estão reunidos em Meu nome” (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros, nos seus sacramentos, dos quais é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas está presente “sobretudo sob as espécies eucarísticas”. O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela “como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos”. No santíssimo sacramento da Eucaristia estão “contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo”. “Esta presença chama-se “real”, não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem “reais”, mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem”. É pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo que Ele Se torna presente neste sacramento. Os Padres da Igreja proclamaram com firmeza a fé da mesma Igreja na eficácia da Palavra de Cristo e da acção do Espírito Santo, para operar esta conversão. Assim, São João Crisóstomo declara:

“Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tomem corpo e sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia estas palavras, mas a sua eficácia e a graça são de Deus. Isto é o Meu corpo, diz ele. Esta palavra transforma as coisas oferecidas”. A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura enquanto as espécies eucarísticas subsistirem. Cristo está presente todo em cada uma das espécies e todo em cada uma das suas partes, de maneira que a fracção do pão não divide Cristo. Na liturgia da Missa, nós exprimimos a nossa fé na presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho, entre outras maneiras, ajoelhando ou inclinando-nos profundamente em sinal de adoração do Senhor. É de suma conveniência que Cristo tenha querido ficar presente à sua Igreja deste modo único. Uma vez que estava para deixar os seus sob forma visível, Cristo quis dar-nos a sua presença sacramental; e visto que ia sofrer na cruz para nos salvar, quis que tivéssemos o memorial do amor com que nos amou “até ao fim” (Jo 13, 1), até ao dom da própria vida. Com efeito, na sua presença eucarística, Ele fica misteriosamente no meio de nós, como Aquele que nos amou e Se entregou por nós, e permanece sob os sinais que exprimem e comunicam este amor. (Catecismo da Igreja Católica, 1373-1380)

 

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Ano B - Tempo Comum - 16º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

a)         São Marcos relata-nos neste Domingo a primeira missão dos Doze. “Jesus chamou os Doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois”. Eles assumem e pregam a primeira mensagem de Jesus: “o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 15). A missão da Igreja e de cada um dos cristãos é anunciar o mistério de Deus que ama a humanidade e que lhe concede a vida, a esperança, o amor, a paz. Jesus Cristo é o centro desta mensagem, porque Ele é a presença amorosa e salvadora de Deus, e porque Ele é o primeiro que viveu (e vive) com o Pai e encontrou a plenitude da vida humana. São Paulo contemplou o mistério salvador de Deus. Como consequência dessa contemplação, deixou-nos um precioso hino na Carta aos Efésios: “nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo… Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo… segundo a riqueza da sua graça, que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência, deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade… “( 2ª Leitura). Toda a espiritualidade e teologia da Igreja são abordagens ao mistério inefável de Deus que vem “instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra”. São Marcos diz isto de uma forma mais simples: “O Reino de Deus está próximo; convertei-vos”. O dom de Deus concede à humanidade a vida nova e eterna. Enumeremos os pontos-chave do Evangelho: o amor, a paz, o perdão, a pobreza, a liberdade, a perseverança nas provações, a confiança absoluta em Deus. E enumeremos, agora, os pontos-chave da Igreja actual: a luta pela paz e pela justiça, o diálogo entre povos e culturas, a atenção aos mais necessitados, o esforço por ultrapassar os injustos desequilíbrios mundiais, o respeito à dignidade de cada pessoa e de cada povo, especialmente dos que são mais fracos, sem recursos e sem benefícios políticos. A sensibilidade cristã sabe que a palavra de Jesus “Ide” põe em marcha a promoção da verdadeira vida para todos segundo o Evangelho.

 

b)        Os Doze são a primeira realização da Igreja, das comunidades cristãs, de todos os discípulos de Jesus. A primeira missão dentro e fora da Igreja é promover o Espírito de Deus. É a missão de todos os cristãos. O anúncio do Evangelho tem momentos fortes e solenes: a proclamação da Palavra na liturgia, os documentos do Magistério. Estes momentos incentivam-nos a anunciar o espírito evangélico. Isto concretiza-se no quotidiano da vida. Cada momento, cada encontro em casa, no trabalho ou em algumas circunstâncias de lazer, são ocasiões para promover a paz e não a discórdia, a atenção aos outros e não o desprezo, a ajuda e não o alheamento, o perdão e não o ressentimento, ou seja, não há vidas neutras. Ou anunciamos e testemunhamos o Espírito do Evangelho ou não.

 

c)         “Nada levem a não ser o bastão”. As circunstâncias da vida mudaram, mas permanece uma convicção: “não leveis nada”. A verdadeira força é a força da verdade que somos convidados a anunciar: amar, perdoar, promover a paz, estar desprendido das coisas, ajudar os mais necessitados e marginalizados, confiar em Deus. É a força e a fraqueza da Palavra. Proclamá-la supõe ajudar a reflectir, a entender, a valorizar o evangelho, a pensar com justiça e respeito. A Palavra chega ao coração e cada pessoa pode abri-lo ou fechá-lo. “E se não fordes recebidos…”. Isto pode acontecer na nossa casa e com os outros membros da Igreja. A Palavra tem um apoio forte: o testemunho de vida. Perdoar, viver em paz, saber ser livre, confiar em Deus, é a verdadeira arma que acompanha a Palavra até ao coração das pessoas que amamos.

11-07-2021

d)        “Segundo a riqueza da sua graça, que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência, deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade” (2ª Leitura). O Espírito Santo transforma-nos em pessoas novas e anunciadores do Evangelho. Anunciar o Espírito de paz, de diálogo, de generosidade, o Espírito de Jesus Cristo, não é um encargo nem um trabalho profissional. É uma maneira de estar no mundo, fruto da experiência vivida da verdadeira vida. Só assim se abre o caminho entre os homens para o Espírito do Senhor. A obra de Deus não consiste em grandes espectáculos ou sinais surpreendentes, mas na acção escondida do Espírito que nos leva ao amor, à paz e à esperança. A obra de Deus abre caminho, através de uma simples palavra ou de um gesto acolhedor. Cada momento que vivemos é um mistério que nos interpela e que jamais se repetirá. Anunciar o espírito de verdade e de paz é fazer o que for possível entre os homens, acrescentando a presença salvadora de Deus.

 

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Ano B - Tempo Comum - 15º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 14º Domingo do Tempo Comum – ano B

Sentimo-nos seguros, confiantes e com a auto-estima em alta, quando temos a sensação que controlamos todos os acontecimentos da nossa vida. Tantas vezes transmitimos às crianças e aos jovens a importância de sentir esta sensação de controle e domínio, como se a vida fosse somente para os fortes, os vencedores, os que têm poder e não houvesse esperança de futuro para os simples, os humildes e os que são vítimas da sociedade. Os cristãos seguem uma pessoa, Jesus de Nazaré, que preside às nossas celebrações, pendendo de uma cruz desonrosa, que, aos olhos humanos, era a imagem de um total fracasso. Todavia, proclamamos que não é assim. Que Ele ressuscitou e que está vivo e que se torna presente na nossa vida pela força do Espírito Santo. A força do amor de Deus emerge na debilidade humana e somos fortes quando reconhecemos as nossas fraquezas. E a partir deste reconhecimento das nossas fraquezas, percorremos o nosso caminho para a santidade. Ser misericordioso, isto é santidade. Ser humilde e manso, isto é santidade. Aceitar cada dia o caminho do Evangelho, ainda que nos traga dificuldades, isto é santidade. Seremos santos se, apesar das nossas fraquezas e inseguranças, formos capazes de confiar em Deus, que exalta os humildes e enche de bens os pobres. O olhar misericordioso de Deus leva-nos a olhar com misericórdia a realidade pessoal e social de tal forma que possamos transmitir confiança e consolação aos outros.

Quando olhamos à nossa volta e vemos as dificuldades, os sofrimentos, as preocupações das pessoas, somos tentados a pensar que tudo está mal e que perante o mal e as injustiças não há nada a fazer. Jesus também teve sentimentos como os nossos. Ele afirmou: “um profeta só é desprezado na sua terra…e estava admirado com a falta de fé daquela gente”. Mas isto não o fez desanimar nem desistir da sua missão. “Percorria as aldeias dos arredores, ensinando”. São Paulo também reagiu da mesma forma. Apesar de tudo, diz ele, “habita em mim o poder de Cristo. Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte”.

O profeta Ezequiel e S. Paulo, como Jesus, estão convencidos de que não são as circunstâncias externas da vida ou as situações de instabilidade que podem diminuir o ânimo ou enfraquecer a esperança, mas também não podemos esquecer que, se quisermos, estes momentos podem destruir-nos. Perante as dificuldades da vida, os desgostos, a doença, um fracasso, ou uma perda de alguém, nunca te esqueças que Deus está próximo de ti, que não te deixa, que é sensível aos teus sentimentos e necessidades e, pela Providência Divina, encontrarás soluções para todos os momentos. Não basta ter somente inteligência e vontade, mas também ter confiança na força de Deus.

A sabedoria e a autoridade de Jesus vinham do seu coração e da sua profunda comunhão com o Pai. A sua sabedoria procede da certeza de que o projecto de Deus para a humanidade é um projecto de amor. O que deseja Deus? Que sejamos felizes, homens e mulheres que lutam pelo bem, pela verdade, pela união, pela paz. E para levar a bom termo esta missão, tenhamos nos nossos corações bons sentimentos e boas intenções e vontade para construímos juntos um mundo mais justo e fraterno. Semear estes dons à nossa volta, isto é santidade. Manter um coração bom, justo e verdadeiro, limpo de todo o mal, isto é santidade. A Eucaristia torna presente Cristo na simplicidade do pão e do vinho. Torna-se presente a sua vida, morte e ressurreição. A Sabedoria da doação, do serviço e da confiança alimentam o nosso compromisso e a nossa esperança.

04-07-2021

LEITURA ESPIRITUAL

A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o Evangelista, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: “Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso” (Lc 2, 51). Esta “submissão”, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o “filho do carpinteiro”, tinha aprendido o ofício de seu “pai” putativo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro. Na nossa época, a Igreja pôs em realce isto mesmo, também com a memória litúrgica de São José Operário, fixada no primeiro de Maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus ele foi acolhido no mistério da Incarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção.

No crescimento humano de Jesus «em sabedoria, em estatura e em graça» teve uma parte notável a virtude da laboriosidade, dado que “o trabalho é um bem do homem”, que “transforma a natureza” e torna o homem, “em certo sentido, mais homem”.

A importância do trabalho na vida do homem exige que se conheçam e assimilem todos os seus conteúdos, “para ajudar os demais homens a aproximarem-se através dele de Deus, Criador e Redentor, e a participarem nos seus desígnios salvíficos quanto ao homem e quanto ao mundo; e ainda, a aprofundarem na sua vida e amizade com Cristo, tendo, mediante a fé vivida, uma participação no seu tríplice múnus: de Sacerdote, de Profeta e de Rei”.

Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo acessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam “grandes coisas”, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”. (S. João Paulo II, Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 22, 23, 24).

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Ano B - Tempo Comum - 14º Domingo - Boletim Dominical II

Gouveia acolheu 1º evento preparatório do Congresso Internacional: A Bíblia na Cultura Ocidental

Decorreu no Teatro Cine de Gouveia, o primeiro evento preparatório do Congresso Internacional: A Bíblia na Cultura Ocidental. A temática central deste evento preparatório incidiu na Bíblia, cuja leitura, ao longo dos milénios, influenciou o pensamento das pessoas, a vida de comunidades e a história das civilizações.
O programa iniciou-se com o discurso de boas vindas do Presidente do Município de Gouveia, Luís Tadeu, e a posterior inauguração da Exposição Filatélica Bíblia Global: “A Bíblia na Arte Postal” dos países do mundo.
Seguiu-se a Conferência do Cardeal Gianfranco Ravasi, do Conselho Pontifício da Cultura, sob a temática “Bíblia, um código para compreender a cultura ocidental” e o lançamento e ritual de obliteração do selo dos CTT comemorativo dos 1600 anos do Nascimento de São Jerónimo, primeiro tradutor da Bíblia para Latim, a famosa e influente “Vulgata”.
O programa ficou completo com o Lançamento da obra completa em 6 volumes de “A Bíblia em Portugal: 25 séculos de traduções e modelações”, de Frei Herculano Alves.

Avisos e Liturgia do 13º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

a)         A narração evangélica deste Domingo é muito interessante. Narra-nos dois milagres de uma maneira surpreendente e isto acontece em todos os três evangelhos sinópticos. As “beneficiárias” dos milagres são duas mulheres em situações diferentes, mas que simbolizam a debilidade e a necessidade extremas. Uma é já adulta com uma doença que, segundo a lei, a considerava impura e tornava impuros todos aqueles que lhe tocassem. Cheia de vergonha por uma doença da qual não tinha culpa, aproxima-se discretamente de Jesus. A outra é uma menina que acabava de morrer, expressão de situação de debilidade extrema, que origina um sofrimento atroz e quase sem consolo e também que provoca, por vezes, perguntas angustiantes sobre o porquê e o sentido destas situações. Como em todos os milagres, estas duas mulheres são um exemplo de todos os que eram abandonados e marginalizados; são a expressão da nossa humanidade débil e mortal, apesar de todos os avanços da modernidade. Em ambos os casos, há uma aproximação, quase desesperada, a Jesus que fala da fé, da paz, da liberdade, da vida. À mulher, diz-lhe: “Minha filha, a tua fé te salvou”. Ao pai da menina, diz-lhe: “Não temas; basta que tenhas fé”.

 

b)        Que lição a tirar destes milagres? Há uma frase no evangelho que causou escândalo: “A menina não morreu; está a dormir”. Disse o mesmo, quando Lázaro estava morto (Jo 11, 11). Jesus olha para lá do nosso horizonte. A morte visível não é a morte autêntica. A verdadeira morte é aquela da qual já não se pode recuperar, a “segunda morte”, segundo o Apocalipse. A menina está a dormir; por isso, pode ser acordada. É assim que Jesus olha para a humanidade que é débil, sujeita a toda a espécie de dificuldades e de indignidades, mas que se pode recuperar; está somente adormecida. É o olhar mais nobre que se pode ter sobre o nosso mundo débil e terrível. O alvoroço das pessoas que choravam e gritavam em casa da menina é a voz daqueles que têm uma visão negativa, dizendo que o homem não tem solução e ainda se riem de quem diz o contrário. São a expressão da nossa pós-modernidade, tão decepcionada por sublimes ideologias e estilos de linguagem e tão insegura, olhando para um futuro incerto e ameaçador; são os “profetas das calamidades”, como dizia João XXIII. Jesus dá a paz e a esperança. Esta humanidade não está morta, só está adormecida. Ele vem para a despertar. S. Marcos salienta este despertar com uma das poucas expressões aramaicas do Evangelho: “Talitha Kum”, que significa: “Menina, eu Te ordeno: levanta-te”. Jesus veio para dar a mão e levantar a mulher marginalizada e oprimida por todos, veio ao encontro dos fracos e da humanidade rendida ao desespero e ao beco sem saída.

27-06-2021

c)         A narração da menina morta e ressuscitada recorda-nos a morte e a ressurreição de Jesus. A frase “Não temas; basta que tenhas fé”, recorda-nos a oração no Jardim das Oliveiras, na noite da agonia. Tanto na casa da menina como na noite da agonia, Jesus leva consigo os mesmos três discípulos. Na casa da menina e na cruz, riram-se dele. Mas, o resultado final é a vida. É esta a grande novidade do Evangelho. Jesus recupera pessoalmente a vida e entrega-a aos outros: na cruz, dá-se totalmente a Deus e aos homens, fazendo, assim, a passagem para a ressurreição. “Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza” (2ª Leitura). A humanidade débil e deprimida levanta-se pela fé. Jesus, vítima até à morte, encontrou a vida com o seu perdão e com a sua doação amorosa ao Pai. A imagem de Jesus dando a mão e levantando a menina morta é o sinal de Jesus dando à humanidade deprimida a única coisa que a poderá recuperar: a fé. Acreditar em Deus, Senhor da Vida e do Amor, é o único caminho para nos erguermos, para perder o medo e encontrar a liberdade, a paz e a vida. Jesus, “adormecido” na Cruz, despertou para a vida e desperta-nos para o amor, para a paz e para a esperança.

 

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Ano B - Tempo Comum - 13º Domingo - Boletim Dominical II

Gouveia recebe preparação do Congresso Internacional: A Bíblia na Cultura Ocidental

Nos dias 1 e 3 de julho, no Teatro Cine de Gouveia, irão decorrer dois eventos preparatórios do Congresso Internacional: A Bíblia na Cultura Ocidental. A temática central destes eventos preparatórios incide na Bíblia, cuja leitura, ao longo dos milénios, influenciou o pensamento das pessoas, a vida de comunidades e a história das civilizações.

O programa tem início no dia 1 de julho, pelas 14h15, com o discurso de boas vindas do Presidente do Município de Gouveia, Luís Tadeu, e a posterior inauguração da Exposição Filatélica Bíblia Global: “A Bíblia na Arte Postal” dos países do mundo.

Seguir-se-á a Conferência do Cardeal Gianfranco Ravasi, do Conselho Pontifício da Cultura, sob a temática “Bíblia, um código para compreender a cultura ocidental”.

Pelas 15h45 irá decorrer o lançamento e ritual de obliteração do selo dos CTT comemorativo dos 1600 anos do Nascimento de São Jerónimo, primeiro tradutor da Bíblia para Latim, a famosa e influente “Vulgata”.

Para finalizar o programa de quinta-feira, irá decorrer o Lançamento da obra completa em 6 volumes de “A Bíblia em Portugal: 25 séculos de traduções e modelações”, de Frei Herculano Alves, com enquadramento do Cardeal-Patriarca Dom Manuel Clemente (Universidade Católica Portuguesa), sob o tema “Portugal, um país bíblico?”. Usarão da palavra para apresentação dos diferentes volumes, Luís Carlos Amaral, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Eugénia Magalhães, do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização, Dom Manuel Felício, Bispo da Guarda, Carlos Fiolhais, Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra e José Eduardo Franco, Cátedra de Estudos Globais da Universidade Aberta.

No sábado, dia 3 de julho, irá realizar-se a Gala de entrega de prémios do Bíblia Moov, um concurso de vídeo que se baseia na interpretação criativa de textos da Bíblia, e que ilustram princípios que são a base cultural e ética dos valores de cidadania da nossa sociedade. A entrada para a gala é livre, mas sujeita a inscrição prévia através do endereço catedraestudosglobais.ceg.uab@gmail.com

Avisos e Liturgia do 12º Domingo do Tempo Comum – ano B

A liturgia deste Domingo coloca-nos diante do tema da limitação da natureza humana. Os relatos de Job, na primeira leitura, e da tempestade acalmada, no texto do evangelho, são exemplos que nos ajudam a tomar consciência desta realidade que, por vezes, nos deixa um pouco incomodados e inseguros. Jesus deixa a margem de Cafarnaum para passar para a outra margem, ou seja, para a costa ocidental do lado da Galileia, que na época era território pagão, não pertencia ao povo judeu. No meio da travessia do mar, levanta-se um forte temporal. Na nossa vida, também se levantam tantas tempestades!

A primeira leitura faz referência à “tempestade” na vida de Job. Deus colocou-o à prova. Job perde todos os seus bens materiais, perde a sua saúde ficando leproso, o seu casamento entrou em crise e perdeu a sua boa reputação. Como reagiu Job perante todas estas tormentas? Continuou a confiar em Deus, apesar de no início sentir que Ele não lhe respondia à sua oração e, aparentemente, não lhe ajudava. Parece que Deus tinha abandonado Job, mas ele continuou a confiar Nele. A barca da vida de Job estava ancorada no seu Deus. Por isso, nenhuma tempestade podia afastá-lo de Deus. Quando tudo estava perdido na vida de Job, ficou somente Deus e ele, o próprio Job. Esta provação e tormenta gerou entre Job e Deus uma íntima comunhão, originando um final feliz e triunfal, a tal ponto de Job afirmar: “quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro ou gravadas em bronze com estilete de ferro, ou esculpidas em pedra para sempre! Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a terra. Eu O verei, meus olhos O hão-de contemplar”.

Também os Apóstolos fizeram a experiência da tempestade na barca, estando Jesus com eles. “Levantou-se uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água”. Todos corriam perigo de vida. A barca podia afundar-se a qualquer instante. Apesar de toda esta aflição, “Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada”. Jesus não se sente ameaçado, não entrou em pânico, estava em sereno e tranquilo! Porém, os discípulos estavam aflitos, gritavam, corriam de um lado para o outro…e Jesus continuava a dormir! Como é possível esta despreocupação de Jesus? Então, eles acordaram Jesus e disseram em forma de protesto e de desespero: “Mestre, não te importas que pereçamos?”. Depois de Jesus ter acalmado a tempestade, disse-lhes: “Porque estais assustados? Ainda não tendes fé?”. Jesus ensina-nos a viver na certeza de que na tempestade e na bonança da nossa vida estamos nas mãos de Deus. Vivendo assim, não só ficam reduzidas as nossas dificuldades, mas também aprendemos a ser discípulos de Jesus.

Perante isto, como enfrentar as tempestades da nossa vida e as tempestades da Igreja? Dois mil anos de Cristianismo recheados de tantas tormentas! Quando parece que tudo está perdido e a desabar, quando começamos a duvidar e a ficar inseguros, levanta-se sempre uma voz que parece despertar de um longo sono a dizer: “Não tenhais medo. Porque estais assustados? Ainda não tendes fé?”. E o mar acalma-se novamente; a barca de Pedro, que é a Igreja, continua o seu rumo através dos séculos. Cristo não está longe de nós; dorme na barca da nossa vida, para que quando a nossa fé desfalecer, quando estivermos tristes e angustiados, Ele tomar o governo da nossa vida. Tantas tempestades na nossa vida: incompreensões, crises familiares, desânimos, difamações, problemas de saúde…e tantas outras! Tantas tempestades na Igreja: perseguições aos cristãos, a falta de vocações, pecados escandalosos, tantas pessoas que se afastaram da Igreja!

Apesar disto, Jesus está presente e atento. Ele quer continuar a construir algo de novo em nós e connosco. Perante um momento difícil da nossa vida, sem solução aparente, quando parece que Deus não nos fala nem nos ajuda, coloquemo-nos nas suas mãos, porque iremos experimentar, mais cedo ou mais tarde, o seu conforto e a sua paz. Não sejamos homens e mulheres de pouca fé! Tenhamos uma fé firme, alimentada pela oração, pelos sacramentos e pelas nossas boas obras. Só assim encontraremos a força e a coragem para enfrentar as tempestades da vida, para, de seguida, sermos mensageiros da bonança e da tranquilidade de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

20-06-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Os discípulos aproximam-se dele, despertam-No e dizem: «Senhor, ajuda-nos que perecemos!». Ó bem-aventurados, ó verdadeiros discípulos de Deus, tendes convosco o Senhor, vosso Salvador e temeis? A Vida está convosco e inquieta-vos a vossa morte? Tirais do sono o Criador, como se Ele não pudesse, mesmo dormir, acalmar as ondas, fazer cessar a tempestade!

Que respondem a isto os discípulos bem-amados? Somos criancinhas ainda fracas. Ainda não somos homens vigorosos. Ainda não vimos a cruz; a Paixão do Senhor, a sua ressurreição, a sua ascensão aos céus, a descida do Espírito Santo Paráclito ainda nos não tornaram sólidos. O Senhor tem razão ao dizer-nos: «Porque temeis, homens de pouca fé?» Porque estais sem força? Porquê essa falta de confiança? Porquê tão pouca temeridade quando tendes a Confiança convosco? Mesmo que a morte irrompesse, não deveríeis suportá-la com grande constância? Em tudo aquilo que acontece, dar-vos-ei a força necessária, em todos os perigos, em todas as provas, incluindo a saída da alma do seu corpo. Se, nos perigos, a minha força é necessária para tudo suportardes com fé, como homens, quanto mais necessária não será ela para não cairdes nas tentações desta vida!

Porque vos perturbais, gente de pouca fé? Sabeis que tenho poder sobre a terra; porque não acreditais que tenho também poder sobre o mar? Se Me reconheceis como verdadeiro Deus e Criador de tudo, porque não acreditais que tenho poder sobre tudo o que criei? Então, «falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: “Cala-te e fica quieto”. O vento cessou e fez-se grande bonança.» (Homilia grega antiga, erradamente atribuída a Orígenes, c.185-253, presbítero, teólogo).

 

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Ano B - Tempo Comum - 12º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 11º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

O ritmo de vida do nosso tempo é alucinante. O tempo voa! A tecnologia ajuda a este ritmo frenético, o que torna difícil a nossa adaptação. As crianças, ainda de tenra idade, aprendem rapidamente a usar os aparelhos electrónicos com mais destreza do que os adultos. E isto deixa-nos inquietos e perplexos. Não temos tempo para nada. Queixamo-nos que o tempo passa muito depressa sem darmos conta. Muitas vezes dizemos: “Se tivesse mais tempo, ainda ia fazer isto…”. Enquanto nos lamentamos, o tempo continua a correr. Nesta vida apressada, as palavras de Jesus vêm trazer paz e serenidade. Faz-nos cair na realidade do tempo da nossa vida, que está relacionado com o tempo da natureza. Todo o Cosmos (Universo), como sabemos, foi formado ao longo de muitos anos, muito lentamente, e o equilíbrio da natureza foi acontecendo com o tempo. A natureza é a imagem da nossa vida.

Queixamo-nos que não temos tempo. Mas não podemos esquecer que o tempo é um dom de Deus. No texto do evangelho deste Domingo, Jesus diz que a “semente germina e cresce, sem o homem saber como”. Enquanto o tempo vai passando, “o homem dorme e levanta-se, noite e dia”, e a planta vai crescendo. “E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita”. Pois o tempo de cada um de nós é um dom de Deus. A vida de cada um tem um caminho com o seu ritmo, que faz uma história, que se relaciona com as vidas dos outros. E não podemos forçar o tempo de Deus para cada um. Ele tem o seu desígnio providente sobre nós e faz com que o procuremos com confiança e liberdade, o que é bom para a nossa felicidade, em comunhão com os outros. Os projectos de Deus foram encarnados em Jesus. Nele encontramos todas as directrizes que são válidas para todos os tempos se as soubermos escutar no íntimo do nosso coração. O que me pede Deus? O que pretende Jesus de mim? Cada pessoa faz o seu caminho que deve ser respeitado por todos. Temos de amar cada um e convidar cada um a reconhecer o dom de Deus na sua vida, valorizando a humildade e a grandiosidade das pequenas acções. Como o grão de mostarda, a menor de todas as sementes que há na terra, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta. O profeta Ezequiel também convidava a transformar o mundo, seduzido pelas aparências; afirmando Deus pela sua boca: “Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca”.

Na sociedade do nosso tempo, reina o caminho da eficácia, da rentabilidade, do progresso, de aproveitar oportunidades, até os fracassos. Mas estes “valores” nem sempre estão orientados para o bem das pessoas, levando, muitas vezes, a desequilíbrios que provocam vítimas de toda a espécie e a destruição da natureza. As pessoas, os acontecimentos, o trabalho, as responsabilidades, a experiência de cada dia é onde Deus se torna presente, ainda que não O vejamos. E na correria da vida, tantas vezes não damos conta da Sua presença, porque andamos atarefados e acumulamos oportunidades perdidas para amar. Não estará a ser necessário parar e respirar um pouco? Não será altura para escutar o que o nosso corpo e o nosso espírito nos pedem para reencontrar a paz e o caminho da serenidade?

Neste Domingo, somos convidados a viver o tempo de Deus que é o nosso tempo. É importante viver com uma atitude de caminhar com alegria, com vontade de servir os outros, acariciando e contemplando a beleza da natureza, acolhendo e amando todos os que nos rodeiam. Deus pede-nos para semear nos outros as sementes de esperança, pelas quais ficarão cheios do Seu amor. A Eucaristia aproxima-nos do tempo de Jesus, morto e ressuscitado que nos transforma interiormente, nos alimenta e nos encoraja para servir.

13-06-2021

 

 

LEITURA ESPIRITUAL

Irmãos, ouvistes que o Reino dos céus, em toda a sua grandeza, é parecido a um grão de mostarda. É apenas isto que os crentes esperam? É isto que os fiéis aguardam? É isto “o que o olho não viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais veio ao coração do homem”? É isto que o apóstolo Paulo promete, e que está reservado no mistério inexprimível da salvação àqueles que amam? (1Cor 2,9) Não nos deixemos desconcertar pelas palavras do Senhor. Se, de fato, «a fraqueza de Deus é mais forte do que o homem, e a loucura de Deus é mais sábia do que o homem» (1Cor 1,25), essa pequena coisa que é o bem de Deus é mais esplêndida do que a imensidão do mundo.

Possamos nós semear no nosso coração esta semente de mostarda, de modo que ela venha a ser a grande árvore do conhecimento (Gn 2,9), elevando-se em toda a sua altura para elevar os nossos pensamentos para o céu, e desenvolvendo todos os ramos da inteligência.

Cristo é o Reino. Como se fosse um grão de mostarda, ele foi lançado num jardim, o corpo da Virgem. Cresceu e tornou-Se a árvore da cruz que cobre a terra inteira. Depois de ter sido esmagado pela Paixão, o Seu fruto produziu sabor suficiente para dar o Seu bom gosto e o Seu aroma a todos os seres vivos que n’Ele tocam. Pois, enquanto a semente de mostarda está intacta, as suas virtudes permanecem ocultas, mas desenvolvem toda a sua pujança quando a semente é esmagada. Da mesma forma, Cristo quis que o Seu corpo fosse esmagado para que a sua força não ficasse oculta. Cristo é Rei, porque é a fonte de toda a autoridade. Cristo é o Reino, pois n’Ele está toda a glória do Seu reino. (S. Pedro Crisólogo, Sermão 98).

 

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Ano B - Tempo Comum - 11º Domingo - Boletim Dominical II